Dentro das notícias, no News Museum

Diogo Pereiratexto, fotos e vídeo Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

Sintra, Portugal



 

A vila de Sintra é conhecida pela história dos seus palácios por onde se cruzaram as vidas de muitos monarcas portugueses e até de alguns dos homens mais ricos do mundo. É um dos polos turísticos mais relevantes em Portugal, sendo classificada como Património Mundial da UNESCO há mais de 20 anos.

Sintra marcou a sua posição na história e é imprescindível visita-la para compreender a história de Portugal.

Se pensarmos que o jornalismo é uma disciplina transversal, podemos dizer que o novo Museu das Notícias também preserva alguma da história do nosso país. Afinal, o jornalismo relata a atualidade que um dia será história sendo uma importante fonte para conhecer os factos.

É precisamente esta a missão do News Museum: dar às notícias a importância que lhes é devida através de um equipamento que transforma a história num grande mural interativo que faz lembrar o futuro.

Torre de Babel, Museu das Notícias, Sintra
Torre de Babel

Repleto de tecnologia o novo museu está situado no antigo edifício do Museu do Brinquedo. Um prédio setecentista com três andares que conta com o ilustre Eça de Queiroz como mordomo. Mais uma personagem da antiguidade ressuscitada, com uma nova roupagem (a estátua de Eça é verde) e com um dos mais indispensáveis gadgets, o telemóvel, ligado às redes sociais.

Visito pela segunda vez o News Museum e poucas coisas mudam. Creio que apenas foi acrescentado um mural de fotografias com memórias da inauguração do edifício que contou com o Presidente da República e o Primeiro-Ministro de Portugal. Inauguração também ela emblemática, não só pelas ilustres personalidades como pelo dia e hora escolhidos: 25 de abril, à meia noite, historicamente um dos mais importantes dias para a imprensa em Portugal, uma vez que se concretizou o derrube do estado novo caracterizado por um forte nível de censura à imprensa.

Tal como no jornalismo atual, o News Museum tem um nível de interatividade elevadíssimo. Não dá para ser passivo aqui. A ideia é experimentar, tocar, sentir e por isso começo a visita colocando-me no papel de um jornalista. Escolho um evento icónico da história de Portugal ou do mundo, escrevo o meu nome, posiciono-me em frente à tela verde e rapidamente passo para outro local. O teleponto ajuda-nos a contar a história e, no final, podemos partilhar a experiência através do Youtube.

A partir daqui a interatividade não desaparece, mas o assunto passa a ser mais sério. Um globo gigante gira, mas a imagem mais impressionante que fica é a de um número: 86. Este é o valor, em percentagem, de pessoas que não têm acesso a uma imprensa livre. Estas pessoas vivem nos países que estão nas últimas posições do Ranking de Liberdade de Imprensa que inclui 199 países. A Finlândia ocupa a primeira posição. A Coreia do Norte a última.

Portugal não se sai mal ficando na 23ª posição, à frente de países como os Estados Unidos ou Espanha, por exemplo.

Não sei se por analogia ao estado atual do jornalismo a visita faz-se de cima para baixo. Para chegar ao terceiro piso é preciso entrar num elevador panorâmico que viaja pela cronologia da imprensa mundial, com chamadas obvias para a imprensa portuguesa. Percorro vários anos até chegar à atualidade. Pelo caminho fico a saber que em 1877 nasceu o The Washington Post nos Estados Unidos e três anos depois surgia O Século, em Portugal, entre muitas outras datas importantes.

Chegados ao topo está na hora de ver as antigas cameras da RTP ou até algumas das roupas usadas por jornalistas das televisões portuguesas durante a apresentação de noticiários idos.

Antiga camera da RTP, Museu das Notícias, Sintra
Antiga camera da RTP

Figuras ilustres, bem conhecidas do público português foram responsáveis pela curadoria deste espaço. José Rodrigues dos Santos, por exemplo, deu corpo à sala dedicada ao jornalismo de guerra. Uma trincheira equipada com vários ecrãs mostra a relação entre o jornalismo e a guerra, uma relação nem sempre pacífica. Os destaques vão para a guerra civil de Espanha, a II Guerra Mundial que viu na rádio o seu narrador ou a guerra em direto no Iraque.

Na sala ao lado desta também se fala de guerra, mas de uma guerra mais saudável e mais afeta ao jornalismo: a guerra de palavras. José Eduardo Moniz e Joaquim Letria escolheram os debates mais emblemáticos da televisão e da rádio. O famoso frente a frente de Soares e Cunhal não podia obviamente faltar, mas não é o único.

Sala dos duelos, Museu das Notícias, Sintra
Sala dos duelos

No que falta do Museu das Notícias, o visitante vai continuar a ser posto no meio dos acontecimentos. Quer seja na grande sala digital com um ecrã a 360º que pega na atualidade e recua até aos tempos da ditadura ou num jogo muito semelhante ao famoso Quem Quer Ser Milionário?, apresentado por Manuela Moura Guedes.

Há ainda realidade virtual, interrompida por um telefonema do Eça; más notícias; um jogo sobre ética jornalística, e uma grande pirâmide de babel, construída por ecrãs sintonizados em canais dos quatro cantos do mundo. Aqui nunca nos perdemos da atualidade.

Sala dos Imortais, Museu da Notícias, Sintra
Sala dos Imortais

Antes de sair do museu, e porque talvez tenha estado mais tempo lá dentro do que pensava, talvez tenha vontade de ir à casa de banho. Vá! A casa de banho também faz parte da visita.

News Museum
Sintra, Lisboa, Portugal (Visconde de Monserrate, 26)
grátis (crianças até 6 anos) | €4 (dos 7 aos 17 anos e estudantes) | €8 (adultos)
 abril a setembro: todos os dias – 9:30 às 19:00 | outubro a março: todos os dias – 9:30 às 18:00 (última entrada é feita uma hora antes da hora de encerramento)
aceda ao site

Pode chegar ao News Museum através dos comboios da CP que ligam a vila de Sintra às estações de Lisboa Oriente, Rossio, Entrecampos ou Sete Rios. A viagem dura entre 30 a 40 minutos

1h30 pode não chegar para interagir com todos os elementos do museu

Leve os headphones do seu smartphone porque o audio-guia é uma aplicação que deverá instalar

App News Museum:
 Android
Iphone

 

Encontrou algum erro ou informação desatualizada? Sugira uma correção ao autor: diogopereira@w360.pt

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscribe!