publicidade

A naturalidade do terrorismo

Diogo Pereirapor Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

nº 024


subscrever_NL-VERLONG

Bom dia, cá estou para mais uma Newsletter semanal do W360.PT!

Na semana antes do Natal o terrorismo voltou à Europa. Em primeiro foi em Zurique, onde um homem disparou sobre os membros de um centro islâmico. O saldo ficou em três feridos.

Logo depois Berlim foi a cidade escolhida para um novo ataque terrorista. Na segunda feira um camião roubado foi conduzido contra um mercado de Natal onde centenas de pessoas faziam compras. O saldo? 12 mortos e quase 50 feridos.

E a semana não terminou sem um sequestro a um avião que fazia uma ligação doméstica na Líbia, acabando por ser desviado para Malta, sem, no entanto, se registarem mortos ou feridos.

Muitos terão pensado no início da segunda guerra mundial quando esta semana viram, quase em direto, o embaixador russo em Ancara ser morto por uma série de tiros enquanto discursava na inauguração de uma exposição. Putin e Erdogan não se desestabilizaram e, conjuntamente, falaram em provocação.

Nas Filipinas o regime autocrático de Rodrigo Duterte fez uma nova vítima. Na realidade a vítima não afrontou o regime do guerrilheiro das drogas, só teve a ousadia de escrever sobre a negligência das autoridades da sua cidade. Era jornalista, normalmente é isso que os jornalistas fazem, mas nas Filipinas têm destino traçado.

Aquilo que poderia ter provocado um incidente diplomático entre a China e os Estados Unidos foi pacificamente resolvido. Falo do drone subaquatico americano que os chineses encontraram em águas internacionais ao largo das Filipinas e que acabaram por devolver à precedência. Talvez este incidente tivesses tido outro desfecho se Donald Trump já estivesse na Casa Branca: “Devíamos dizer à China que não queremos o drone que eles roubaram”, disse Trump no seu palco favorito, o Twitter.

E se ainda havia uma réstia de esperança na não-chegada de Trump à Casa Branca, o Colégio Eleitoral desfez essa esperança semana confirmando o resultado eleitoral de oito de novembro e dando a Trump o trono americano.
Agora que tem o lugar garantido o magnata rabugento segue a todo o ritmo na caminhada de constituição de um governo para fazer a América grande outra vez. E depois de ter escolhido um secretário de estado que trata com carinho o Sr. Putin, escolheu um economista que odeia a China e que vai ser “dono” do novíssimo gabinete de trocas comerciais. Este novo soldado pela libertação dos Estados Unidos pediu, num livro que publicou, aos americanos para não comprarem produtos “Made in China”…

E precisamente na China há mais de 460 milhões de pessoas que estão a ser afetadas por níveis de poluição que ultrapassam os valores recomendados pela Organização Mundial de Saúde 27 vezes. Como consequência há escolas fechadas e as agências de viagens estimam que ocorram 150 mil viagens para o estrangeiro este mês. São os “refugiados do smog” (smog: nevoeiro denso causado pela poluição) como lhes chama o The Guardian.

Na semana que passou ficámos ainda a saber que 350.000 pessoas chegaram à União Europeia à procura do estatuto de refugiados, número que representa uma diminuição substancial face ao ano anterior, quando chegaram mais de um milhão de refugiados às costas do bloco europeu. A agência Europeia de Controlo de Fronteiras, que revela estes números, aponta como justificação para a redução o acordo entre a União Europeia e a Turquia que troca dinheiro por refugiados.

FRASES

“Cometi um erro ao ter politizado o referendo: não consegui antecipar aquilo que aconteceu, estava errado.”

Matteo Renzi primeiro-ministro italiano sobre o referendo que o levou a demitir-se

“Vai ser muito duro suportar, em especial para os alemães, se se vier a confirmar que a pessoa responsável por este ato seja alguém que pediu asilo e proteção à Alemanha”

Angela Merkel, Chanceler alemã, reagindo à possibilidade, ainda não afastada, de o autor do ataque de segunda feira ser um refugiado

“Há um problema persistente com o estado de direito na Polónia.”

Frans Timmermans, vice presidente da Comissão Europeia

ROSTO

trumpDonald Trump segue a todo o gás na sua missão de privatizar completamente a política americana. O magnata está a dar mostras de que gerir a América é mais ou menos a mesma coisa que gerir as Trump Towers. Esperemos que ele não se esqueça de que não há a possibilidade de falência neste caso.

NÚMEROS

350.000

Número aproximado de migrantes que chegaram à União Europeia em 2016 de acordo com a Agência Europeia de Controlo de Fronteiras. Este valor representa um declínio assinalável face a igual período do ano passado, no qual entraram mais de um milhão de pessoas.

4.812

Número de pessoas que morreram no Mar Mediterrâneo a tentar entrar na Europa, de acordo com a Agência Europeia de Controlo de Fronteiras. No ano passado morreram menos 1.200 pessoas.

57

Número de jornalistas mortos no exercício da profissão em 2016. De acordo com a organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras as mortes registaram-se na Síria (19), Afeganistão (10), México (9) e Iraque (5). No ano passado morreram 67 jornalistas.

Encontrou algum erro ou informação desatualizada? Sugira uma correção ao autor: diogopereira@w360.pt