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Trump, outra vez Trump

Diogo Pereirapor Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

nº 030


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Bom dia, seja bem-vindo a mais uma edição da Newsletter do W360.PT.

As semanas sucedem-se e as newsletters que escrevo começam a tornar-se repetitivas. Este é o quinto número seguido em que o novo presidente dos Estados Unidos é o protagonista, mas não há volta a dar. Já parece um lugar comum, mas Trump está a mudar radicalmente o posicionamento dos EUA no mundo e é importante acompanhar a pari passu todos os desenvolvimentos, embora muitas vezes pareça quase impossível.

Vamos então saber em que terras movediças circulou nesta semana Donald Trump.

O grande destaque vai inevitavelmente para a controversa lei anti-imigração que bloqueou centenas de imigrantes provenientes de sete países de maioria muçulmana que motivou críticas que vários setores da comunidade internacional como António Guterres, Federica Mogherini e até Theresa May que parecia começar a alinhar a estratégia do Reino Unido pela mesma bitola da América.

Também alguns diplomatas americanos se mostraram contra esta medida, recebendo do presidente a indicação da porta de saída: “ou alinham com o programa ou eles podem afastar-se”.

E se aos diplomatas apenas indicou a porta, a procuradora-geral foi mesmo acompanhada à saída porque se opôs à nova medida anti-imigração.

Mas porque é que esta lei é controversa? Para além de violar regras internacionais firmadas pela maioria dos países, porque de acordo com dados estatísticos os cidadãos provenientes dos sete países que Trump selecionou para terem restrições de entradas no país mataram zero americanos, deixando sem fundamento o argumento de que a medida se destina a proteger o país de ataques terroristas.

O tema dos refugiados também esteve em cima da mesa nos Estados Unidos com o Canadá a posicionar-se frontalmente contra o país de Trump, garantindo que vai receber todos os requerentes de asilo provenientes de zonas de conflito que os Estados Unidos recusem. E a Starbucks também se chegou à frente garantindo que tem dez mil postos de trabalho para serem preenchidos por refugiados.

Olhando agora para a Europa, percebemos que não é do lado de cá do Atlântico que a prosperidade impera. Em França o ambiente eleitoral está a aquecer e a cama para Le Pen se deitar está quase feita. No partido socialista Benoit Hamon foi o vencedor das primárias, mas é tido como um homem fraco e incapaz de levar a bom porto a candidatura. Na direita Fillon luta para se manter à tona nas sondagens muito por culpa dos escândalos dos empregos da esposa. A fascista Marine Le Pen leva a melhor e nem os empurrões e agressões a um jornalista em direto na televisão provocadas pelos seus seguranças a parecem afastar-se do topo.

Reino Unido investiga notícias falsas
Preocupado com o fenómeno das notícias falsas, o Parlamento Britânico decidiu abrir uma comissão de inquérito para investigar o fenómeno que considera preocupante. Desta forma, o Reino Unido é o segundo país europeu, a seguir à Alemanha, a investigar as notícias falsas ao mais alto nível.

ONU alerta para situação preocupante na Ucrânia
Os 15 elementos do Conselho de Segurança da ONU “manifestaram uma grande preocupação com a perigosa deterioração da situação no leste da Ucrânia e com o seu sério impacto na população civil”, condenando ainda a utilização de armas proibidas pelos acordos internacionais.

Governo austríaco quer que islâmicos assinem “declaração de valores”
O governo austríaco avançou com um pacote de medidas em que se prevê que os Islâmicos que vivem no país ou que para lá se dirijam, tenham que assinar um “contrato de integração” e uma “declaração de valores”. As medidas ainda têm que ser aprovadas pelo parlamento e também prevêem a proibição dos véus islâmicos em locais públicos.

UE lamenta novos colonatos em Israel
“Lamentamos profundamente que Israel proceda desta forma, apesar da grande preocupação e das objeções [da comunidade] internacional”, foi desta forma que Federica Mogherini, líder da diplomacia europeia, tomou posição face à criação de novos colonatos em território palestiniano.

Guerra às drogas suspensa nas Filipinas
“Vamos limpar as nossas fileiras e depois disso talvez possamos retomar a guerra contra as drogas”. Foi desta forma que Ronald dela Rosa, chefe nacional da polícia anunciou que a guerra às drogas nas Filipinas está suspensa. É preciso limpar as forças policiais da corrupção, concluiu.

Novo governo da Gâmbia ganha forma
O novo presidente da Gâmbia voltou ao país há uma semana e já começou a apresentar os novos ministros. Adama Barrow pediu ainda aos serviços secretos do país para deixarem de prender cidadãos do país e para respeitarem os direitos humanos. As secretas da Gâmbia eram, até aqui, usadas como instrumento de repressão.

Marrocos volta à União Africana
Marrocos voltou à União Africana 30 anos depois de ter saído. “Tal foi feito com o entendimento de que o Sara Ocidental permanecerá membro da União Africana”, disse lamine Baali, embaixador do Sara Ocidental para a Etiópia.

ROSTOFrançois FillonFrançois Fillon
Quando apresentou a sua candidatura parecida ser o candidato ideal para bater Marine Le Pen. Agora está envolvido num caso bicudo de favorecimento à sua esposa que já o começaram a afetar nas sondagens. Juntando a tudo isto a falta de genica do candidato socialista, parecem estar reunidas todas as condições para a França ceder ao fascismo.

NÚMEROS

10.000

Número de vagas de emprego que a cadeia de cafés norte-americana Starbucks diz ter para refugiados em todo o mundo. Anúncio surge na sequência da limitação de entrada de pessoas de sete países de maioria muçulmana nos EUA.

“Vamos limpar as nossas fileiras e depois disso talvez possamos retomar a guerra contra as drogas.

Ronald dela Rosa, chefe nacional da polícia Filipina, anunciando a suspensão da guerra às drogas com o objetivo de limpar a polícia daquele país da corrupção

“Ou alinham com o programa ou eles podem afastar-se”

Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca em resposta aos diplomatas americanos que se mostram descontentes com a nova política anti-imigração

“Tais atos seletivos e discriminatórios só servem para encorajar as narrativas radicais de extremistas e fornecerão mais combustível para os defensores da violência e do terrorismo”

Organização para a Cooperação Islâmica, em resposta à nova medida anti-imigração dos EUA

 

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