Estou no Vietname e esta é a história da minha aventura asiática

texto e fotos Mónica Sofia
geral@w360.pt
 

Ho chi Minh, Vietname

Olá a todos, estou no Vietname há seis meses e esta é a história da minha aventura asiática.

Vim para o Vietname com o programa AIESEC com o propósito de ensinar inglês, conhecer e viver a cultura vietnamita. Vivi três meses em Ha Long e mais três meses em Ho chi Minh, no sul do Vietname.

O Vietname é um país de muita história, alegria, tradições e pobreza. O nível de vida é baixo, a diferença entre ricos e pobres é catastrófica e a dita classe média não existe. Nos últimos anos o país tem-se desenvolvido para benefício do turismo. Estão a ser construídas mais e mais infraestruturas com o propósito de aumentar o turismo e colocar o Vietname no mapa dos destinos asiáticos mais desejados.

O choque cultural sente-se de imediato, mas nada que não passe depois de umas horas. O que reparei assim que saí do aeroporto foi no calor abafado e húmido que se fazia sentir. E era fim de Outubro. No norte do país existem quatro estações do ano, tal como em Portugal. No sul apenas existe o verão e o inverno. No inverno não faz frio mas existem chuvas intensas que criam inundações, é a chamada rainy season.

O trânsito é de loucos, uma autêntica selva de motos. Os sinais não são totalmente respeitados, nem os semáforos, nem o sentido da estrada. O melhor é sempre estar com atenção, até no passeio… sim, eles também conduzem as motas no passeio.

Quanto ao ensino, pelo que percebi no ano passado, o estado vietnamita decidiu colocar o inglês como obrigatório em algumas escolas. Sem qualquer tipo de experiência na área, decidi embarcar nesta tarefa de ensinar inglês. Confesso que foi um pouco o que estava à espera: turmas impossíveis com crianças a serem crianças e turmas bem comportadas. Existe muita curiosidade e vontade por parte dos adolescentes e adultos em aprender inglês, mas existe uma falha enorme no que toca a cultura geral. Resumindo, foi uma boa experiência, não só consegui ajudar como aprendi a lidar com vários tipos de pessoas. E, sem dúvida, melhorei o meu à vontade quando falo para uma plateia.

Há Long é onde podem visitar uma das maravilhas naturais do mundo, Ha Long Bay – a baía dos dragões. É constituída por mais de mil ilhas que fazem uma vista esplêndida e de cortar a respiração. Fica a cinco horas de Hanoi de autocarro e um bilhete deste mesmo autocarro chega no máximo aos €4.

Existe uma montanha perto do mar que se pode escalar em meia hora e no topo pode aproveitar das vistas mais bonitas de Há Long. Uma vista panorâmica para a cidade e para a baía.

Existem ainda karaokes em todas as esquinas, todos eles com as suas luzes berrantes, mercados de rua onde são vendidos vegetais e carne acabada de cortar na bancada, com o sangue ainda a escorrer para o chão. Não é um local para pessoas sensíveis, de todo. Se estiver por aqueles lados visite também o Night Market, tem imensas coisas tradicionais e não se esqueça de regatear. Uma coisa que aprendi no Vietname é que tudo é “regateável”, TUDO! Se lhe pedirem 20 dólares (a segunda moeda utilizada no país) diga sempre não e diga metade do preço, eles lá se riem e dizem que não suba um bocadinho e vá jogando assim, afinal de contas é um mercado direcionado aos turistas e os preços são sempre exagerados. Se achar que vai pagar muito pelo que quer, simplesmente vá embora. A probabilidade de virem atrás de si é de 99%. Prepare-se para ouvir a mítica frase “same same”/ “same same, but different”. Penso ser uma expressão de todos os países asiáticos, mas acreditem quando digo que no Vietname é o prato do dia.

Se vai a Há Long tem de fazer a voltinha de barco. Existem duas hipóteses, ou apanha um cruzeiro ou apanha o ferry que vai para a ilha Cat Bá. No meu caso fui de ferry, paguei por volta de €3,2 e a viagem foi incrível. Passei no meio da baía e visualizei toda a beleza que ela proporciona. Aquando da chegada à ilha basta apanhar um autocarro por €2 e sair no centro da ilha onde há restaurantes, cafés, hotéis e atividades náuticas. Passei duas noites no hostel Bungalows e recomendo imensoooo! Tem uma vista brutal.

Quando vivi em Ha Long percebi que os vietnamitas são bastante curiosos. Estava a viver numa região perto da baía e sempre que saía à rua virava atração. Os menos tímidos pediam para tirar fotografias. E acreditem quando digo que tirei muitas, e perguntavam-me de onde é que eu era. Eu respondia Portugal e a maior parte ficava a olhar para mim com o ar de não perceber nada do que eu estava a dizer. Até que percebi que eles na escola aprendem os países na sua língua, e Portugal afinal é Bo Đau Nha. Assim que comecei a dizer Bo Đau Nha lá percebiam e acenavam com um clássico: Cristiano Ronaldo.

Em Ho Chi Minh a história é diferente. És apenas mais um estrangeiro nas ruas, que estás em férias ou que trabalhas na cidade. O que não é de todo estranho porque HCM é a cidade económica do Vietname, a mais moderna e mais desenvolvida. É talvez mais fácil para um estrangeiro se desenrascar e viver. Não obstante é uma cidade com bastantes atividades e monumentos para ver.

Tem uma rede de autocarros do outro mundo, são imensos, o tempo de espera não passa dos 15 minutos. Muitas pessoas preferem andar de táxis, por isso se estiverem em HCM e de repente parar um táxi ao vosso lado ou algum vos buzinar, é normal, estão habituados a que os turistas andem sempre de táxi. A verdade é que é tão ou mais fácil andar de autocarro como em qualquer outro lado. Cada autocarro tem duas pessoas, o motorista e a pessoa responsável por vender bilhetes, que rondam os €0,20 por viagem. Basta utilizar o Google Maps para saber que autocarro apanhar e onde apanhar. Depois é só pedir à pessoa responsável pela venda dos bilhetes para o avisar do momento em que tem que sair do autocarro.

Visitei ainda outras cidades no Vietname: Hoi An, Nha Trang, Can Tho (Mekong River) e Pho Quoc. Em todas elas encontramos aspetos culturais fortes e tradições que para muitos são invulgares.

Adorei a minha experiência, fiquei completamente apaixonada pelo Vietname e pela cultura. Conheci pessoas com histórias de vida incríveis, aprendi a comunicar com linguagem corporal cada vez que ia a um restaurante ou loja, experimentei novos sabores, vi paisagens de cortar a respiração, fiz boas amizades e ajudei a fazer a diferença. Alarguei o meu conhecimento geral asiático em mil, aprendi que chá com leite (Tra Sũa, tradução para vietnamita) não é assim tão mau, para não falar do café com leite condensado. Comprovei em primeira mão a ideia de que quem viaja muito tempo para fora, de alguma forma volta o mesmo, mas diferente – “same same but different”.

Levo um bocadinho do Vietname comigo, e se alguma vez tiver a oportunidade de voltar não irei pensar duas vezes, voltarei e voltarei com muito gosto. Obrigada Vietname.

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