A Ryanair está dividir propositadamente os passageiros que se recusam a pagar pelos assentos?

Diogo Pereiratexto e foto Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

A Ryanair está a receber críticas de passageiros que ficaram em lugares distantes dentro do avião por não terem comprado os lugares no momento do check-in.

Desde há três anos que a Ryanair introduziu a marcação de lugares nos seus voos, até aí os passageiros escolhiam os assentos aleatoriamente à medida que iam entrando no avião. Com a introdução deste novo mecanismo os passageiros passaram a ser convidados a pagar uma taxa extra para garantirem que ficavam sentados com os “amigos e família”. Mesmo sem pagarem esta taxa, a maioria das pessoas que viajavam em grupo acabavam por ficar sentadas em lugares ao lado uns dos outros, mas a avaliar pelas criticas que a companhia tem recebido nas redes sociais, parece que alguma coisa mudou.

Talvez já não se lembre, mas há uns anos ficar sentado ao lado dos seus companheiros de viagens num voo da Ryanair era uma verdadeira dor de cabeça. A companhia não tinha lugares marcados e a opção mais segura para garantir os seus lugares junto dos seus familiares ou amigos era ficar plantado em frente à porta de embarque à espera que o processo se iniciasse. Desta forma garantia que um dos seus amigos ou familiares não ficariam sentados várias filas atrás ou à sua frente.

Desde 2014 que a companhia irlandesa abandonou esta estratégia e passou a atribuir lugares aos passageiros no momento do check-in. “Facilitar o processo de embarque e permitir que famílias e grupos possam agora sentar-se juntos durante o voo”, foi a justificação que a Ryanair deu, na altura, em comunicado. Mas, e há sempre um mas nestas coisas, com a introdução dos lugares marcados surgiu também a possibilidade de a companhia vender mais um serviço, o da venda de lugares.

Desde este momento, quando um passageiro faz uma reserva no site da Ryanair é convidado a comprar um lugar para se sentar “com os seus amigos e família” (imagem). No entanto o site não esclarece o que pode acontecer ao passageiro no caso de não adquirir este serviço de reserva, a ideia que fica é que os lugares serão escolhidos de forma aleatória, plantando cada passageiro em filas diferentes do avião.

Na realidade nunca houve muitas reclamações relacionadas com passageiros que ficam em lugares muito distantes dos seus companheiros de viagem, mas nas últimas semanas as queixas começaram a surgir nas redes sociais.

No Twitter são muitos os passageiros que se têm queixado de serem colocados em assentos distantes dos seus companheiros de viagens. Um dos passageiros ironiza dizendo que a avaliar pelos lugares que a companhia escolheu para o sentar e à esposa, só podem ter existido problemas informáticos, aludindo ao recente problema com a British Airways. Num outro caso um passageiro diz que ficou longe do seu companheiro de viagem e que a Ryanair lhe pediu £25 para os sentar em lugar próximos.

Em resposta enviada ao The Telegraph a transportadora aérea irlandesa negou a acusação de sentar os passageiros deliberadamente afastados para os obrigar a pagarem as taxas extraordinárias de escolha de lugar no momento do check-in. A Ryanair justifica que este regime está implementado desde 2014 e que não sofreu alterações desde essa data, no entanto apresenta as taxas de ocupação de cerca de 95% dos voos como possível justificação para as dispersões de passageiros.

 

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