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Sim, é verdade. A Ryanair está mesmo a separar os passageiros propositadamente

Diogo Pereiracrónica Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

Está a ler um artigo de opinião. O conteúdo é responsabilidade do autor.

foto Catherine Carvalho

A Ryanair não me deixou voar sentado ao lado dos meus amigos, havendo lugares disponíveis no avião.

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Notícias recentes chamaram a minha atenção para um problema que estava a afetar muitos passageiros que voam nos aviões da Ryanair. O problema não se pode considerar grave, mas cedo se percebeu que a companhia tinha encontrado uma nova estratégia para conseguir tirar mais dinheiro aos seus clientes.

Antes de avançar deixo claro que não considero justo o ódio de estimação que muitas pessoas gostam de nutrir pela Ryanair. E não considero esse ódio justo porque esta é a companhia responsável pela democratização de uma prática que antes era reservada a uma elite privilegiada: voar. Mas esse assunto podemos abordar numa outra altura, vamos ao que interessa: provar que a Ryanair está a dividir propositadamente os passageiros que viajam em grupo.

Recentemente a Maria, a Ana e o Pedro (vamos chamar-lhes assim para facilitar a explicação) decidiram viajar e a companhia escolhida foi a Ryanair.

O Pedro estava indeciso sobre se queria ou não fazer esta viagem e não quis comprar os bilhetes de imediato.

Com medo de perderem os preços vantajosos que a companhia oferecia, a Maria e a Ana decidiram reservar de imediato.

Umas horas mais tarde o Pedro chegou à conclusão de que queria mesmo fazer esta viagem e comprou bilhetes para o mesmo voo.

Uma vez que a Maria e a Ana reservaram os seus voos em simultâneo, foi-lhes atribuída uma reserva com o mesmo número que, mais tarde, lhes possibilitaria fazer o check-in ao mesmo tempo.

Como o Pedro fez a sua reserva depois da Maria e da Ana, o seu número de reserva era diferente.

Chegado o dia de fazer o check-in online a Maria e a Ana que tinham a mesma reserva ficaram em filas diferentes do avião, já o Pedro que tinha uma reserva independente ficou na mesma fila que a Maria.

Significa isto que, embora houvessem dois lugares muito próximos, o check-in da Ryanair separou duas passageiras cujo sistema sabia que viajavam juntas (tinham feito a reserva em simultâneo) e colocou um passageiro que viajava sozinho ao lado de uma delas.

Para que fique claro, a Maria e a Ana terminaram o check-in uns minutos antes de o Pedro começar.

Embora use nomes fictícios para a explicação, esta trata-se de uma situação bem real que se passou comigo exatamente assim e mais dois amigos com quem viajarei brevemente.

Este caso levanta duas possibilidades: ou o sistema de check-in da companhia irlandesa está totalmente descalibrado ou esta é uma prática que a companhia leva a cabo com o objetivo de “angariar” mais uns euros com a reserva de lugar. Sim, quando preenche os dados para obter o cartão de embarque é avisado de que se quer ficar ao lado dos seus companheiros de viagem, tem que pagar mais pela seleção personalizada de lugar.

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Concluído o processo e com os cartões de embarque já impressos resolvi ainda fazer um último teste: simular uma nova reserva para o voo em causa e entrar na secção de escolha de lugares para perceber quais os assentos já preenchidos no voo que me vai transportar.

Este era o cenário:

Ou seja, retirando os lugares da frente do avião (Business Class) e os assentos nas filas das saídas de emergência (com mais espaço para as pernas e, por isso, mais caros) havia neste voo três possibilidades de a Maria e a Ana voarem lado a lado e sete possibilidades de, pelo menos, voarem na mesma fila.

É ilegítimo a Ryanair querer ganhar mais dinheiro? Claro que não. Acho até que sendo os voos tão baratos, a companhia tem que tentar rentabilizar tudo o que conseguir. Quer seja vendendo perfumes, cobrando uma fortuna por uma garrafa de água ou enchendo os nossos ouvidos com sorteios de rifas durante todo o tempo de viagem.

O que não me parece muito correto é justificar a dispersão de passageiros com as elevadas taxas de ocupação dos aparelhos. Porque neste caso em concreto só a deliberada vontade de não querer fazer de outra forma justifica este resultado.

Michael O’Leary, presidente da companhia, nunca foi de rodriguinhos por isso não lhe deve custar nada vir dizer que “se quiserem voar juntos, cheguem-se à frente, paguem e reservem os lugares antecipadamente”.

É aborrecido voar ao lado de desconhecidos quando poderia ter os meus amigos ali ao lado para pedir o jornal ou a almofada insuflável emprestados, mas não é por isso que vou deixar de voar com a Ryanair que tem preços competitivos e que, como disse no começo deste texto, é a grande responsável pela democratização da aviação.

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