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As companhias prevêem tempos de chegada excessivos para chegarem sempre cedo?

texto Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

foto BriYYZ / Flickr

Chegar antes do horário previsto pode não significar que os pilotos foram particularmente ágeis.

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Os aviões estão cada vez mais seguros, mais confortáveis, menos poluentes e, ao que parece, mais rápidos.

Recentemente um avião da Norwegian Air bateu um novo record para voo subsónico ao fazer a ligação entre Nova Iorque e Londres em cinco horas e 13 minutos, menos três minutos do que o anterior recordista, um avião da British Airways que fez a viagem em 2015.

Mas quem viaja com frequência já reparou que muito frequentemente os voos chegam antes do tempo e, ao que parece, isso não se deve à agilidade dos pilotos, mas antes ao calculo excessivo do tempo de chegada. As companhias estão a atribuir horários desfasados da realidade para chegarem sempre dentro do horário e evitarem atrasos.

Esta conclusão é apresentada pela OAG, analista na área da aviação, que desenvolveu um estudo para o Telegraph, no qual demonstra que ao longo dos últimos anos os tempos de viagem entre um ponto A e um ponto B têm aumentado significativamente.

O jornal britânico olha para a rota entre Heathrow, em Londres, e Dublin onde o aumento dos tempos de viagem tem sido significativamente aumentado ao longo dos anos. Em 1996 a maioria das companhias aéreas previa tempos de voo entre os 60 e os 74 minutos, mas atualmente a previsão é entre 75 e 89 minutos, sendo que muitas delas prevêem durações de até 90 minutos.

As companhias negam o exagero deliberado das horas de chegada falando apenas em “preenchimento de horários” com o objetivo de melhorar a pontualidade. No entanto em 2013, cita o Telegraph, um piloto da extinta AirTran Airways disse ao Reader’s Digest que “as companhias aéreas ajustaram os horários de chegada dos voos para que possam ter um melhor registo de pontualidade. Por exemplo dizem que um voo demora duas horas quando, na realidade, demora uma hora e 45 minutos”.

Se olharmos para o caso do voo da Norwegian Air que bateu o record de voo subsónico mais veloz na rota Londres – Nova Iorque, conseguimos ver que aquele aparelho aterrou no destino 77 minutos antes do previsto. Embora a viagem tenha sido particularmente rápida, o aparelho descolou com 24 minutos de atraso o que deixa claro que houve uma inflação particularmente grande do tempo de voo.

Olhando para outras rotas, a OAG percebeu que esta é uma prática comum. Na rota Londres – Nova Iorque os tempos de voo previstos cresceram cerca de uma hora desde 1996; entre Londres e Edimburgo o crescimento também existiu, embora de apenas dez minutos face a 1996; Madrid – Barcelona o crescimento foi de 20 minutos; Nova Iorque – Chicago também 20 minutos e Tóquio a Fukuoka 15 minutos.

Se por um lado parece óbvio que as companhias aéreas estão a dilatar os horários por questões de reputação, garantindo que os seus voos chegam sempre a horas, também é verdade que os congestionamentos de aeroportos e espaço aéreo podem justificar estes dados.

“Existe a percepção de que as companhias aéreas estão a dilatar cada vez mais os seus horários por questões de reputação, mas também precisam de ter em conta  tempos de espera em aeroportos que se tornaram mais congestionados”, esclarece ao Telegraph John Grant, analista da OAG.

Confrontadas com estes dados as companhias aéreas negam a inflação dos tempos esclarecendo que “o clima, o tipo de aeronave, as restrições de controle de tráfego aéreo e as infra-estrutura aeroportuária” são os principais responsáveis pelos horários de partida e chegada dos voos, diz a British Airways.

Já a Ryanair esclarece que o seu método de planeamento de horários passa por analisar os desempenhos das aeronaves em determinadas rotas no final de cada ano e atualizar os tempos de voo para que sejam o mais fiéis à realidade possível.

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