publicidade

Tróia Design Hotel: vamos dormir no museu?

claudia-paivatexto e fotos Cláudia Paiva
claudiapaiva@w360.pt

Diogo Pereiratexto e fotos Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

Tróia, Portugal

Bom, não sabemos se “dormir no museu” é o conceito indicado para introduzir o Tróia Design Hotel. Não queremos que pense naqueles bancos no centro das salas de exposições onde os turistas se sentam para apreciarem uma obra ou, mais provavelmente, para descansarem dos quilómetros que já caminharam. Se bem que sentar-se num desses bancos pode ser reconfortante ou mesmo divino, especialmente se estiver no Louvre, no MOMA ou no Prado, alguns dos museus aos quais nunca ninguém viu o fim.

Esqueça a ideia aborrecida dos museus e pense apenas na parte boa, a arte. A arte é a protagonista deste hotel que consegue aliar o melhor de dois mundos: a hotelaria de luxo ao luxo de dormir sob uma obra pensada e concebida por um artista de renome.

Todas as paredes foram construídas à volta de um sapato gigante, familiar a muitos de nós. Construído por Joana Vasconcelos é uma provocação dizer que foi uma Cinderela que aqui o esqueceu. Afinal é feito de testos e panelas e provoca as funções de uma mulher moderna, tão em voga nos nossos tempos.

Sapato de testos e panelas criado por Joana Vasconcelos

Todas as varandas interiores ladeiam a exuberante obra da artista portuguesa deixando-a pequena, quase um ponto de reflexo de luz, quando vista a partir de um dos últimos quinze andares que elevam o edifício na Península de Tróia.

As obras de arte são um compromisso e estão espalhadas por todo o lado. Muitos quartos têm uma e os espaços comuns têm as de maior relevo. Já falámos de Joana Vasconcelos que habita um dos pontos de passagem obrigatória do hotel, mas podemos falar também de Pedro Cabrita Reis que concebeu uma série de pinturas que decoram um dos restaurantes do hotel. Carlos Henrich assina as esculturas que acolhem os jogadores do Casino.

As linhas das alcatifas, as linhas dos espelhos, as linhas do chão justificam o design do nome

Quase dá vontade de ir à receção e pedir o audio-guia ou a folha de sala para nos ajudar a chegar às obras espalhadas no edifício pelo curador Carlos Henrich. E, espante-se, pode mesmo pedir. Certamente será encaminhado para o catálogo onde pode conhecer as mais de 150 relíquias de que a Amorim Turismo, dona do hotel, se orgulha. Para as ver ao vivo não há nada como tentar travar amizade com os hóspedes que habitam as suites e, se tiver sorte, talvez o deixem entrar.

publicidade

Antes de entrar no hotel e confirmar in loco o porquê do nome, a fachada vai logo esclarecê-lo. As varandas onduladas da fachada, iluminadas por luzes variáveis durante a noite não vão deixar que se perca. Logo em Setúbal, antes de apanhar o ferry, vai saber para onde quer ir porque só um nevoeiro muito denso o vai impedir de ver o Tróia Design Hotel.

As ondas da fachada dão ao Tróia Design Hotel um ar carismático

Mas não venha até aqui só por causa da arte. É um bom motivo, mas temos um punhado de outros ainda melhores.

O Spa e a piscina interior são os dois primeiros, não há nada melhor para relaxar e esquecer a rotina. A promessa é a de ter um serviço variado, mas na nossa visita só temos direito à piscina com água aquecida e jatos de água e à sauna. Infelizmente os restantes serviços estão “em manutenção”. Também há massagens variadas neste que já foi considerado o “Melhor Spa de Hotel de Luxo” pelos World Luxury Spa Awards.

Passamos à comida. No restaurante onde estão as obras de Cabrita Reis, o B&G Restaurant, é servido o jantar. Uma refeição irrepreensível que não esquece o design transformando o prato em mais uma obra de arte. Os ingredientes são tradicionais, mas envolvidos com a subtileza que só um chef cuidadoso pode dar. Comemos com os olhos postos no mar agitado pelo vento que faz balançar os barcos atracados na Marina de Tróia.

Antes de voltarmos ao quarto onde já estivemos para deixar as malas antes do Spa e do jantar damos uma volta no casino onde há música ao vivo, várias bebidas e muito dinheiro a circular. Estamos numa zona afastada da civilização, mas mesmo assim as slot machines e as roletas estão muito povoadas com otimistas que tentam a sua sorte. Nós também tentamos, mas estamos condenados a sair mais pobres do que chegámos.

De volta ao quarto o tempo é de aproveitar a banheira gigante que assume o centro da divisão, também ela quase uma obra de arte, ladeada por paredes de vidro deslizantes que no momento oportuno a deixam fazer parte do quarto.

Os quartos são amplos e iluminados

Amanhece e o sol rasga as cortinas e deixa-nos ver o mar. Nós vemos e todos os hóspedes vêm porque a localização geográfica e a construção o permitem. A luz é uma constante.

Antes de aproveitarmos o late check-out para mais uma visita ao Spa desfrutamos de um pequeno almoço onde não falta nada. Nem croissants, nem omeletes com os ingredientes que cada um escolher, nem sumos de frutas, nem doces, nem bacon, nem nada. Não falta nada neste pequeno almoço.

Ao início da tarde voltamos a apanhar o ferry para Setúbal de onde seguiremos para uma viagem curta até Lisboa. Este afastamento da terra que deste lado faz parecer Tróia uma ilha, é também importante no objetivo de uma visita a este resort de luxo: a paz, o relaxamento, o recarregar baterias para mais uns dias de trabalho.

Tróia Design Hotel
 Tróia, Marina de Tróia, Carvalhal Grândola
a partir de €50/pessoa (noite)
8,9 (Fabuloso no Booking.com)
reservar no Booking.com

 A forma mais prática para chegar ao Tróia Design Hotel é usando os Ferries que partem do porto de Setúbal. 

publicidade

 Encontrou algum erro ou informação desatualizada? Sugira uma correção aos autores: claudiapaiva@w360.pt ou diogopereira@w360.pt