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A forma dura e bruta do deserto de Atacama

texto e fotos Tiago
geral@w360.pt

texto e fotos Ana
geral@w360.pt

 Atacama, Chile

Os autores escrevem em Português do Brasil

Atacama, Chile, 20 de março de 2018

O cartão de boas vindas que recebemos do deserto do Atacama enquanto baixávamos das altas pastagens da Puna argentina e chilena não poderia ter sido melhor.

Ainda no altiplano fronteiriço entre esses países, paramos para admirar os belos picos nevados e lagunas por um breve momento. O suficiente para sermos surpreendidos por uma curiosa raposa, que próxima a nós, olhou-nos por alguns momentos com um misto de curiosidade e receio, antes de confundir-se com a paisagem que parece de outro planeta.

Horas depois, ao adentrarmos na região do deserto, o dia findou-se em um belo pôr-do-sol, que lançou sobre a areia e montanhas próximas um tom avermelhado que de fato não parece deste mundo.

Assim é a beleza da região do Atacama – que se apresenta de forma dura e bruta – e que nos apresenta um irresistível convite para conhecê-la.

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E sabendo disso, tivemos muito cuidado em selecionar quais lugares gostaríamos de visitar, uma vez que estávamos acompanhados dos nossos filhos, Mateus com cinco anos e Sofia com três. O desafio desta etapa da nossa viagem de volta ao mundo foi transformar passeios para lugares relativamente inóspitos em diversão.

Pukará de Quitor

Começamos a explorar a região pelos arredores de San Pedro, cidade que estávamos hospedados. Eu (Tiago) e Mateus nos animamos a visitar o Pukará de Quitor – uma fortaleza construída pelo povo atacamenho que serviu como base para resistir à ocupação dos colonizadores espanhóis.

Este Pukará (que significa fortaleza em Quechua) está localizado a 3 km do centro de San Pedro, e pode-se chegar caminhando, de bicicleta ou de carro. Resolvermos ir caminhando, e durante o percurso nós fomos conversando sobre o lugar que iríamos visitar, e sobre o povo que habitava a região naqueles tempos.

Nada mais propício para atiçar a curiosidade de uma criança: estar no lugar onde a história aconteceu. Mateus a todo o momento quis saber detalhes do povo que morava ali e da chegada dos espanhóis, quinhentos anos antes. E assim fomos conversando, o que tornou o passeio bem mais ilustrativo e divertido.

O caminho pela fortaleza é fácil, e subimos as ruínas e o sítio arqueológico sem maiores dificuldades.

Após caminhar pelas ruínas, chegou a vez de ir ao mirante, no alto de um morro. Este mirante permite uma bela vista de todo o vale e o oásis onde está San Pedro, e a subida leva em torno de 1 hora. No alto, mais uma homenagem ao povo atacamenho e um monumento em prol da reconciliação entre o passado e o futuro deste povo.

Mateus aguentou bem a subida, mas em alguns poucos momentos precisou de uma ajudinha para continuar. Este caminho pode ser difícil para crianças, então por isso fomos cedo para evitar o forte sol, e levamos bastante água.

Após descer, decidimos pegar uma carona de volta a San Pedro para não percorrermos os três quilômetros restantes a pé. Como estávamos cansados, foi a melhor opção.

Lagunas Altiplânicas

Localizadas a aproximadamente 120km de San Pedro de Atacama, estas belas lagoas azuis se integram de forma harmoniosa em meio ao deserto altiplânico. Em conjunto aos vulcões e cerros que as cercam, são cenário para um maravilhoso cartão postal.

O acesso às lagunas é fácil e elas podem ser visitadas em um passeio com duração de meio dia. A estrada entre San Pedro e a entrada da reserva onde estão localizadas está em ótimas condições. Após entrar na reserva, entretanto, é necessário pegar um caminho de terra e subir um pouco.

Como as lagoas estão situadas a mais de 4.000m acima do nível médio do mar, os automóveis sofrem um pouco para conseguir chegar lá. Mas com calma e tranquilidade é possível chegar sem problemas.

As crianças sofreram um pouco o efeito da altitude, pois logo ficaram cansadas. Muito embora o passeio seja praticamente todo acessível via automóvel, há opções de se caminhar à beira das lagoas. As caminhadas são curtas e planas, e o lindo visual faz o lugar ficar bem agradável.

Salar Atacama e Laguna Chaxa

O passeio mais clássico da região. A entrada para visitação do salar está localizada a 55km de San Pedro, e o acesso com automóvel é bem fácil.

Este passeio foi ótimo para as crianças, pois conta com trilhas curtas e planas, nas quais podemos admirar toda grandeza da planície de sal, bem como os flamingos se alimentando e voando pelas lagoas que ali se formam, principalmente pela Laguna Chaxa. Foi um dos passeios que mais gostaram e se divertiram.

Apesar de fácil, cabe sempre lembrar que estamos em um ambiente de deserto, e levar água, protetor solar e chapéu/boné é importante.

San Pedro de Atacama

Charmosa e atraente, a pequena vila de San Pedro de Atacama vale uma visita. Ponto principal de encontro para aqueles que visitam a região, esta vila conta com diversas opções de restaurantes, hospedagens, e agencias de turismo, onde podemos organizar e agendar os passeios.

Muito embora não haja um atrativo específico, vale a pena passear pelas vielas da vila para explorar seus restaurantes e ver os viajantes de todas as partes do mundo que por ali transitam.

Laguna Tebenquiche e Ojos del Salar

Nosso plano inicial era visitar a Laguna Cejar, com o intuito de dar um mergulho. Já havíamos ido a esta lagoa em outra oportunidade, e achamos que as crianças gostariam do passeio.

Chegando lá, entretanto, o preço elevado da entrada nos fez mudar de ideia, e seguimos caminho por uma estrada de terra em direção às lagoas Ojos del Salar. São duas lagoas gêmeas que se situam em meio ao Salar de Atacama, e a entrada para visita-las é livre. São lagoas de água quase doce, e aproveitamos o calor para dar um mergulho nelas, o que nos foi informado que era permitido.

Dali seguimos para a Laguna Tebenquiche (50km de San Pedro), uma lagoa cujo principal atrativo é estar em meio ao salar, e ter flamingos por perto. Mas no dia que fomos tinham poucos e apenas passeamos por uma trilha leve que margeia a lagoa.

Geisers del Tatio

Não fomos ao Geisers del Tatio nesta viagem, até porque já havíamos estado lá em uma oportunidade anterior. Mas este não foi o principal motivo por não termos ido.

Muito embora seja um passeio impressionante, as duras condições que ele apresenta nos fizeram desistir, principalmente por causa das crianças.

Os gêiseres situam-se a quase 2 horas de automóvel desde San Pedro, e o ideal é chegar lá antes do amanhecer. Isto porque é este o horário no qual os maiores geisers jorram água ao céu.

O fim da noite apresenta a temperatura mais fria, e à medida que o dia amanhece, o gelo que se formou à noite e tapou os geisers começa a derreter por conta do calor do dia que se aproxima. Com isso, a fina camada de gelo cede à pressão da água quente, que voa ao céu formando várias colunas de vapores que tomam o ambiente. Tudo isso acontece a uma temperatura ambiente de aprox.. -15º C, o que de fato não é confortável.

Assim, preferimos poupar as crianças do desconforto do frio, dado que provavelmente não iriam aproveitar o passeio nestas condições. Mas recomendamos a quem puder ir!

Tour astronômico

Outro passeio que não fomos desta vez, mas já havíamos ido anteriormente é o tour astronômico. Decidimos não ir porque o tour acontece à noite, e nesse horário as crianças já estão dormindo. Ademais, não conseguiriam acompanhar as explicações em espanhol ou inglês sobre o céu uma vez que estariam bem cansadas caso insistíssemos.

A região do deserto do Atacama é conhecida pelo baixo índice se chuvas, que somado à sua altitude (aprox.. 2400m acima do nível do mar) e pouca atividade humana por perto, resultam em um dos céus mais limpos do planeta.

Este tour é realmente espetacular. Entramos em uma van, e seguimos a um lugar afastado da vila de San Pedro, onde não há luz vindo de lugar algum. Assim, ao olharmos para o céu, o vemos completamente forrado de estrelas, e pouquíssimos são os lugares onde não as encontramos.

Quando fomos nosso guia era um astrônomo profissional francês que trabalhava em um telescópio da região, e era completamente apaixonado pelo que fazia. Ele nos deu uma palestra inicial sobre astronomia, e nos levou a percorrer o céu indicando os planetas, as constelações, e inclusive quais as formas no céu que os Incas e povos locais reconheciam e observavam. Ademais, pudemos também olhar por telescópios os corpos celestes, o que é emocionante. E para fechar com chave de ouro, tomamos um chocolate quente acompanhado e uma palestra de encerramento. Certamente este é um dos melhores passeios a se fazer pela região.

Outros passeios

Existem diversos outros passeios para aproveitar o Atacama. Dos que conhecemos, recomendamos a visita ao Salar de Uyuni, na Bolívia. Não fomos durante esta viagem, mas fizemos este passeio da outra vez que visitamos o Atacama. Muito embora seja um passeio difícil, por conta da altitude e das dificuldades do local, é o mais lindo passeio que fizemos.

Há também os trekkings na região, principalmente as escaladas em vulcões, das quais a subida ao vulcão Láscar é a mais conhecida. Entretanto, não podemos comentar sobre o passeio pois não o fizemos.

Há também lugares espetaculares para se admirar o pôr do sol, sendo o mais famoso deles o Valle de la Luna, bem próximo a San Pedro. Já havíamos ido na viagem anterior a este Valle e sabíamos da grande quantidade de turistas que se reúnem para ver este momento. Desta vez, quando fomos lá, de fato nos assustamos com a quantidade de pessoas e resolvemos mudar o itinerário.

Seguimos para o Valle de Marte, só que ao invés de entrarmos na entrada principal, seguimos mais um pouco pela estrada e tomamos um caminho de terra logo adiante, seguindo uma dica de uma pessoa local. Após nos perdermos um pouco em meio ao caminho de terra e algumas pedras, conseguimos chegar a um belo mirante, no qual pudemos observar um belo por do sol – se sem nenhum outro turista por perto!

Geisers del Tatio

Não fomos ao Geisers del Tatio nesta viagem, até porque já havíamos estado lá em uma oportunidade anterior. Mas este não foi o principal motivo por não termos ido.

Muito embora seja um passeio impressionante, as duras condições que ele apresenta nos fizeram desistir, principalmente por causa das crianças.

Os gêiseres situam-se a quase 2 horas de automóvel desde San Pedro, e o ideal é chegar lá antes do amanhecer. Isto porque é este o horário no qual os maiores geisers jorram água ao céu.

O fim da noite apresenta a temperatura mais fria, e à medida que o dia amanhece, o gelo que se formou à noite e tapou os geisers começa a derreter por conta do calor do dia que se aproxima. Com isso, a fina camada de gelo cede à pressão da água quente, que voa ao céu formando várias colunas de vapores que tomam o ambiente. Tudo isso acontece a uma temperatura ambiente de aprox.. -15º C, o que de fato não é confortável.

Assim, preferimos poupar as crianças do desconforto do frio, dado que provavelmente não iriam aproveitar o passeio nestas condições. Mas recomendamos a quem puder ir!

Tour astronômico

Outro passeio que não fomos desta vez, mas já havíamos ido anteriormente é o tour astronômico. Decidimos não ir porque o tour acontece à noite, e nesse horário as crianças já estão dormindo. Ademais, não conseguiriam acompanhar as explicações em espanhol ou inglês sobre o céu uma vez que estariam bem cansadas caso insistíssemos.

A região do deserto do Atacama é conhecida pelo baixo índice se chuvas, que somado à sua altitude (aprox.. 2400m acima do nível do mar) e pouca atividade humana por perto, resultam em um dos céus mais limpos do planeta.

Este tour é realmente espetacular. Entramos em uma van, e seguimos a um lugar afastado da vila de San Pedro, onde não há luz vindo de lugar algum. Assim, ao olharmos para o céu, o vemos completamente forrado de estrelas, e pouquíssimos são os lugares onde não as encontramos.

Quando fomos nosso guia era um astrônomo profissional francês que trabalhava em um telescópio da região, e era completamente apaixonado pelo que fazia. Ele nos deu uma palestra inicial sobre astronomia, e nos levou a percorrer o céu indicando os planetas, as constelações, e inclusive quais as formas no céu que os Incas e povos locais reconheciam e observavam. Ademais, pudemos também olhar por telescópios os corpos celestes, o que é emocionante. E para fechar com chave de ouro, tomamos um chocolate quente acompanhado e uma palestra de encerramento. Certamente este é um dos melhores passeios a se fazer pela região.

Outros passeios

Existem diversos outros passeios para aproveitar o Atacama. Dos que conhecemos, recomendamos a visita ao Salar de Uyuni, na Bolívia. Não fomos durante esta viagem, mas fizemos este passeio da outra vez que visitamos o Atacama. Muito embora seja um passeio difícil, por conta da altitude e das dificuldades do local, é o mais lindo passeio que fizemos.

Há também os trekkings na região, principalmente as escaladas em vulcões, das quais a subida ao vulcão Láscar é a mais conhecida. Entretanto, não podemos comentar sobre o passeio pois não o fizemos.

Há também lugares espetaculares para se admirar o pôr do sol, sendo o mais famoso deles o Valle de la Luna, bem próximo a San Pedro. Já havíamos ido na viagem anterior a este Valle e sabíamos da grande quantidade de turistas que se reúnem para ver este momento. Desta vez, quando fomos lá, de fato nos assustamos com a quantidade de pessoas e resolvemos mudar o itinerário.

Seguimos para o Valle de Marte, só que ao invés de entrarmos na entrada principal, seguimos mais um pouco pela estrada e tomamos um caminho de terra logo adiante, seguindo uma dica de uma pessoa local. Após nos perdermos um pouco em meio ao caminho de terra e algumas pedras, conseguimos chegar a um belo mirante, no qual pudemos observar um belo por do sol – se sem nenhum outro turista por perto!

E com esses passeios nos despedimos da região do deserto do Atacama, agora em direção ao extremo norte do Chile para continuar nossa viagem pelas Américas. As crianças gostaram bastante do passeio e se divertiram, e tivemos sempre o cuidado de dosar períodos de passeio com períodos também para que pudessem brincar e descansar, para assim poderem aproveitar a viagem.

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