Roteiros

claudia-paivatexto e fotos Cláudia Paiva
claudiapaiva@w360.pt

vídeos Diogo Pereira

Salamanca, Espanha

Salamanca, cidade dos estudantes, das 23 igrejas, das duas catedrais, dos cinco conventos, de vários museus e da ponte romana sobre o rio Tornes. É uma cidade calma com um clima mediterrânico para se conhecer a pé num fim-de-semana.

Salamanca fica a 117 km da fronteira portuguesa de Vilar Formoso, na província de Castilla y Leon. É uma cidade organizada e a na sua arquitetura predomina a cor castanha. É também destino de milhares de estudantes que entram todos os anos na universidade em funcionamento desde 1218.

Salamanca
Espanha
Espanhol
 144.949 hab.(2016)
Euro
 GMT+1
 Europeias, 2 pinos
 +34
 112
O clima da cidade é mediterrâneo, assumindo temperaturas extremas no inverno. São comuns as geadas e temperaturas negativas, os dias são muito frios e ventosos. No verão rapidamente as temperaturas sobem para perto dos 30 graus

Dia 1

Plaza Mayor
 11:00 – 11:30

Plaza Mayor

A nossa viagem começa na Plaza Mayor, localizada mesmo no centro da cidade em estilo barroco demorou mais de 27 anos a ser construída pelo arquiteto Alberto Churriguera. A beleza da praça destaca-se pelos seus 88 arcos, sendo este lugar um dos mais carismáticos da cidade de Salamanca.

Plaza Mayor
Está muito perto de Portugal, mas não se esqueça que em Salamanca tem que adiantar o relógio uma hora.

Universidad Pontificia 
 11:40 – 13:00

Calle de John Dalton
Geral: 3€ | Grupos: 2,5€
 mar. a out.: seg. a sex. – 10h30 às 12h45 e das 17h00 às 18h30; sáb. e dom. – 10h30 às 13h30 e das 17h00 às 19h15 | nov. a fev.: seg. a sex. – 10h30 às 12h45 e das 16h00 às 17h30; sáb. e feriados – 10h30 às 13h30 e das 16h00 às 17h30; dom. – 10h30 às 13h30

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A menos de quinze minutos a pé vai encontrar a Universidade Pontifícia e a Igreja de Clerezia. É uma universidade privada  que recebe anualmente cerca de 6500 alunos entre o pólo da Salamanca e de Madrid.

A visita à universidade é sempre guiada, apenas tem de escolher o que prefere visitar. Uma das visitas inclui a universidade e a Torre (vai ter uma vista panorâmica da cidade) e a outra apenas lhe permite visitar a universidade (algumas das salas mais importantes e os claustros).

Cúpula da Capela da Universidad Pontifícia

Restaurante Rua Mayor
 13:15 – 14:15

Calle Rúa Mayor, 9 
A partir de €15 por pessoa
 todos os  dias: 7h00 às 2h00

A minha sugestão para almoçar fica na artéria central da cidade e é o restaurante Rua Mayor. A minha escolha da carta é óbvia, uma Paelha acompanhada de um ainda mais óbvio Tinto de Verano.

Paella, uma iguaria imperdível
Não deixe de provar Jamón Ibérico e os Pinchos, são muito típicos em Salamanca.

Torres de Clerezia 
 14:35 – 15:35


Calle Compañía, 5 
Scala Coeli:Geral: €3,75  | Grupos: €3,25 Scala Coeli + Vita Ignati: Geral: €6 | Grupos: €5
 Dezembro a Fevereiro: 10h00 às 18h00 | Março a Novembro: 10h00 às 20h00

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Torres de Clerezia: aqui vai ter uma das melhores vistas para a cidade. A entrada faz-se pela rua Compañía, na porta da dupla escadaria que dá acesso ao edifício da Universidade PontifíciaDepois de subir e usufruir da vista pela varanda ainda pode visitar três salas onde estão retratos da família real, uma sala com informações sobre as etapas da construção do edifício e documentação sobre  os arquitectos que o mandaram erguer.

Cúpula da Catedral velha de Salamanca

Casa das Conchas 
 15:40 – 16:10


Calle Compañía, 2
Entrada Gratuita
 segunda a sexta: 9h00 às 15h00 | sábado:  9h00 às 14h00 | Domingo: encerrado

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Mesmo em frente à Universidade vai encontrar a Casa das Conchas. Talvez a Casa dos Bicos portuguesa lhe venha à cabeça devido às saliências na fachada.

Este é um edifício de estilo gótico cuja construção começou em 1493. Pertencia a Don Rodrigo Maldonado de Talavera, cavaleiro da ordem de Santiago cujo escudo continha uma concha, a concha de peregrino.

Não estive a contá-las, mas segundo algumas referências o edifício contém mais de 300 conchas. Hoje funciona como biblioteca pública de Salamanca.

Casa das Conchas

Universidade de Salamanca
 16:40 – 18:00


Patio de Escuelas
Gratuito

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Ao descer a rua dos Liberos vai encontrar a porta da Universidade de Salamanca e vai perceber que chegou ao sítio certo quando vir uma multidão de pessoas a olhar para uma fachada como um boi a olhar para um palácio… sem ofensa, claro.

Mas porque é que esta gente está toda a olhar para uma parede? Diz a lenda que quem encontrar o sapo que se encontra na fachada, terá boa sorte para o resto da vida e um casamento feliz. Mas atenção, não pode pedir ajuda para localizar o batráquio.

Depois de longos minutos a tentar encontrar o sapo, lá fiz batota… olhei para a senhora que estava ali em frente a vender souvenirs e os postais que ela tinha na banca ajudaram e muito…

Fachada da Universidade de Salamanca

Casa Paca
 20:00 – 22:00


Plaza Peso, 10
a partir de €18 por pessoa
 todos os dias: 13h00 às 16h00 e das 20h30 às 0h00

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Para jantar a minha sugestão é a Casa Paca, um restaurante de cozinha tradicional. Aberto há 12 anos, a especialidade são os assados e as carnes e têm das cartas de vinhos mais completas de Salamanca.

No final da noite aproveite para dar um passeio noturno pelo centro da cidade e apreciar os edifícios iluminados. Se preferir um bar, existem várias zonas como a Gran Vía, a rua Bordadores ou a Praça de la Reina.

É muito comum os espanhóis comerem Pinchos num bar enquanto bebem Tinto de Verano ou cerveja. Os bares mais populares de pinchos estão localizados perto da Plaza Mayor e na Calle Van Dyck, passe por lá!

Dia 2

Museu de Art Nouveau Art Decó 
 11:00 – 12:00

Calle Gibraltar,14
crianças: gratuito | adultos: €4 | estudantes: €2 | desempregados: €1
 abr. a out.: terça a domingo – 11h00 às 20h00 | nov. a dez.: terça a sexta – 11h00 às 14h00 e das 16h00 às 19h00 | sábado e domingo 11h00 às 20h00

 Fechado às segundas-feiras, excepto às segundas-feiras de agosto e feriados.

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Comece o segundo dia em Salamanca a visitar o Museu de Art Nouveau Art Decó, situado num antigo palacete do séc. XIX, construído pelo arquitecto D. Javier Gómez Fiesco e D. Francisco Morón, sendo os vidros do edifício da autoria de D. Juan Villaplana.

Museu de Art Nouveau Art Decó

O museu tem 19 colecções permanentes de artes decorativas do final do séc. XIX e princípios do séc. XX. Também pode encontrar aqui uma das maiores colecções de bonecas de porcelana, contendo mais de 300 peças de diferentes companhias de renome.

Rio Tormes
 12:15 – 12:35

Calle de Teso de la Feria

Mesmo em frente ao museu vai encontrar a Ponte Romana construída no séc. III sobre o Rio Tormes, o maior afluente do Rio Douro. Consegue, a partir da ponte, ter uma vista única para a Catedral de Salamanca

Ponte Romana sobre o Rio Tormes

 

 Convento de San Esteban
 12:35 – 13:15

Plaza del Concilio de Trento
adultos: €3,5 | grupos, estudantes e reformados: €2,5
inverno: seg. a sáb. – 10h00 às 14h00 e das 16h00 às 18h00 | verão: seg. a sáb. – 10h00 às 14h00 e das 16h00 às 20h00 | domingos e feriados: 10h00 às 14h00 | segunda: encerrado
De 1 de Maio a 15 de Outubro há visitas guiadas às sextas (17h00) e sábados (12h00 e 17h00)

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A dez minutos de distância temos o Convento de San Esteban, Igreja Dominicana, um dos mais importantes exemplares da arquitetura plateresca espanhola.

Frey Francisco de Vitoria em frente ao Convento de San Esteban

Foi aqui que Cristovão Colombo procurou o apoio dos Reis Católicos para a sua odisseia marítima de colonização da América.

Mesmo ao lado encontra-se o Convento das Dueñas que contempla um belíssimo claustro.

Salamanca é uma cidade perfeita para andar de bicicleta. Dispõe de uma ciclovia que liga o parque fluvial, o campus universitário e alguns bairros da cidade. Veja mais informações no site para alugar a sua bicicleta
 aceda ao site

La Hoja 21
 13:30 – 14:35

Calle San Pablo, 21
a partir de €15 por pessoa
 terça a sábado: 13h30 às 16h00 e das 20h30 às 23:30 | domingo: 13:30 às 16:00 | segunda: encerrado

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A minha sugestão para o almoço é o La Hoja 21 com menus a preços acessíveis aos dias de semana. Neste espaço consegue usufruir de um almoço num ambiente calmo, requintado e com uma selecção de pratos para todos os gostos

 

Huerto de Calixto y Melibea
 15:00 – 16:00


Calle Arcediano, 20
Gratuito
 todos os dias 8h30 às 22h30

Depois de almoço dê um passeio pelo Huerto de Calixto y Melibea, um pequeno jardim romântico de tradição muçulmana que foi construído sobre a antiga muralha.

Este jardim foi o cenário dos encontros amorosos entre Calixto e Melibea, protagonista na “La Celestina”, uma das obras mais conhecidas na história da literatura espanhola, escrito por Fernando de Rojas no século XV.

Catedral de Salamanca
 16:30 – 18:00

Calle Cardenal Pla y Deniel
crianças: €3 | adultos: €4,75 | grupos, reformados e estudantes: €4 | desempregados: €1,5
 abr. a set.: todos os dias – 10h00 às 20h00| out. a mar. – 10h00 às 18:00

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Para terminar o seu dia, não deixe de visitar a Catedral de Salamanca. A Catedral nova foi construída ao lado da catedral velha e a sua construção começou no séc. XVI. Ao contrário do que era hábito nesta época, Salamanca não viu ser destruída a sua antiga catedral para construção da nova, ambas se mantiveram lado a lado.

Catedral de Salamanca vista a partir da Ponte Romana

A ideia de construir uma catedral nova surge devido ao aumento populacional, em parte relacionado com a vinda dos estudantes para a universidade.

Um templo de elementos góticos e barrocos, que só fora terminado no século XVIII e que também sofreu com as consequências do terramoto de Lisboa, em 1755. A cúpula teve de ser reconstruída e foi reforçada a torre-campanário.

Interior imponente da Catedral de Salamanca

A igreja impressiona pela sua ornamentação, a grande amplitude interior e luminosidade. Pode ainda observar o orgão barroco, construído por Pedro de Echevarria, um dos principais construtores deste instrumento na história espanhola.

Órgão de tubos na Catedral de Salamanca

No final da visita vai conseguir ver a catedral velha, construída no século XII e XIII em estilo romântico.

A partir das 17h a visita à Catedral é gratuita

Como chegar a Salamanca?

A forma mais fácil e rápida de chegar a Salamanda é de carro. Se estiver no norte ou centro do país, a fronteira de Vilar Formoso é a mais recomendavel para entrar em Espanha. A partir daqui estará a cerca de uma hora da cidade. Se estiver no sul do país o melhor será atravessar o Guadiana. Também pode optar por usar o comboio, mas aqui tem um inconveniente: vai chegar à cidade per volta das cinco da manhã, mas os bilhetes são bastante acessíveis quando comprados com antecedência. Há ainda várias empresas de autocarros que ligam várias cidades portuguesas à cidade espanhola dos estudantes.

Onde dormir em Salamanca?

 NH Salamanca Palacio del Castellanos  .
 San Pablo, 58-64, Salamanca
a partir de €78/pessoa (noite)
8,6(Fabuloso no Booking.com)
Reservar no Booking.com

 Hospes Palacio de San Esteban .
 Arroyo de Santo Domingo,3
a partir de €81/pessoa (noite)
9,1(soberbo no Booking.com)
Reservar no Booking.com

 Salamanca Suite Studios .
 Plaza De La Libertad, 4
a partir de €39/pessoa (noite)
9,6 (Excepcional no Booking.com)
Reservar no Booking.com

Se viajar para Salamanca durante um fim de semana gasta cerca de €150 por pessoa

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Lugares

claudia-paivatexto e fotos Cláudia Paiva
claudiapaiva@w360.pt

Diogo Pereiratexto e vídeo Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

 Yucatán, México

Falar no México a quem está à procura de um sítio para passar férias é falar fundamentalmente de praia, sol, calor e diversão, mas é também falar de história. A história que está muito ligada à progressão da humanidade e ao desenvolvimento de técnicas em áreas tão distintas como a arquitetura ou a astrologia.

Todos entendemos melhor a nossa identidade quando a confrontamos com outras e por isso é que é tão importante viajar e descobrir outras sociedades, mesmo que tenham vivido há milhares de anos. E é mesmo isso que vamos fazer à Península de Yucatán onde 435 anos antes de Cristo nascer, nasceu Chichén Itzá, uma cidade maia de características transcendentais.

 

Mas antes de falarmos sobre as características arrebatadores deste sítio precisamos de conhecer melhor os anfitriões, os Maias que seriam geniais se só tivessem construído cidades como Chichén Itzá, mas a verdade é que para conseguirem chegar até aqui tiveram que dominar a matemática, a astrologia, a arquitetura, a escrita, a economia e a cultura. Fizeram parte das civilizações que primeiramente inventou e utilizou o zero como representação do nada e desenvolveram uma língua da qual ainda há vestígios em pleno século XXI.

Chichén Itzá, México

O seu modelo de gestão de cidades criou aquilo a que os ocidentais, mais tarde, chamaram de cidades-estado e que os protegeu de inúmeras ameaças e até retardou a conquista europeia da América do sul. Chichén Itzá é o exemplo de uma dessas cidades em que se percebe um domínio primordial da arquitetura tanto para fins de gestão de populações como de recursos escassos como a água.

Imaginar a construção de uma cidade com estas características, envolvida por uma densa floresta hostil que tem tanto de exuberante como de extremo é quase impossível quando a este exercício juntamos as dificuldades que os camponeses daquela zona ainda hoje têm para sobreviver. E nem falamos do calor intenso que nem a água fresca que transportamos ajuda a suavizar.

Chichén Itzá, México

Chichén Itzá é um lugar de misticismo. Parece paradoxal, mas há uma ligação estreita entre crença e racionalidade. A jóia da coroa, o Templo de Kukulkan, é uma das sete maravilhas do mundo e alinha na perfeição estes dois conceitos antagónicos.

Em primeiro lugar porque foi construído em louvor a uma serpente sagrada que os Maias acreditavam voltar depois de um grande incêndio. Em segundo lugar porque é estrategicamente desalinhada, não segue a orientação dos pontos cardeais e isso confere-lhe uma característica curiosa: em todos os equinócios o sol projeta numa das faces desta pirâmide aquilo que parece ser uma serpente e que atrai milhões de visitantes. Também os 91 degraus construídos em cada uma das quatro faces da pirâmide e somados ao último que encima este monumento perfazem um número singular: 365, o número de dias do calendário Maia.

Chichén Itzá, México

A religião é um traço de identidade de todas as culturas, das mais antigas às mais atuais,  e também os Maias, com toda a sua racionalidade e domínio das ciências exatas têm na religião o seu ponto de afirmação, afinal toda a construção de Chichén Itzá assenta numa lógica de vivência coletiva, mas também de tributo a quem acreditam ser os seus criadores. Por isso seguimos a nossa descoberta em direção ao Cenote Sagrado, uma área restrita onde se acredita que eram mergulhados corpos de jovens e crianças virgens para se entregarem aos deuses.

Mas o Cenote Sagrado tem ainda uma ligação ao complexo desportivo de Chichén Itzá, onde se discutiam assuntos de âmbito judicial como disputas por terras ou controlos comerciais. Não se conhecem com exatidão as regras deste jogo, mas o aro de pedra no topo de uma das paredes sugere que a passagem da bola por ali daria pontos ao jogador. A ligação ao Cenote Sagrado surge fruto de uma certeza associada a uma dúvida: a certeza é que um dos jogadores, no final do jogo, morria e era lançado ao poço, a dúvida é se isto acontecia com o vencedor ou o derrotado porque a morte era vista como uma entrega aos deuses e por isso um privilégio.

Chichén Itzá, México

A arte e o engenho dos Maias chegou aos dias de hoje e isso é percetível nos vendedores de rua que vamos encontrando. O engenho de cativar quem compra e a arte de fazer peças artesanais, à mão, ali mesmo em frente aos nossos olhos, garantindo que levamos uma recordação verdadeiramente mexicana e não made in China.

Chichén Itzá
Yucatán, México
 todos os dias: 8:00 às 16:30

 Há várias agências a realizar excursões para Chichén Itzá com origem nos hoteis da Riviera Maya (Cancun): peça informações na receção

 Pode dispensar pelo menos três horas para visitar o parque arqueológico que tem cinco quilómetros quadrados

Leve consigo água fresca para aguentar as altas temperaturas que se fazem sentir

Este é um dos locais mais baratos para comprar recordações

Se a sua origem for a Riviera Maya não se esqueça que na Península de Yucatán o fuso horário é diferente: atrase o relógio uma hora
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