Discurso Direto

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texto e fotos Sara Reis
geral@w360.pt

Troquei as sandálias por uns saltos altos pretos, as saias e as t-shirts coloridas por umas calças pretas, uma blusa branca e um blazer preto, o simples lápis preto por uma panóplia de produtos de cosmética, a água de colónia mais barata do super mercado por um perfume da Givenchy e a mala colorida do Camboja por uma simples e preta.

Caminhava pelas ruas, os mais curiosos observavam e a dúvida seria se era indiana, brasileira ou espanhola; hoje sou só mais uma no meio de tantas outras pessoas que vão trabalhar para escritórios.

Cumprimentava as pessoas com vénias ao estilo coreano e japonês; hoje tenho que me relembrar que dois beijinhos é estilo português, nalguns casos os abraços calorosos e cheios de boas energias que pré-Ásia me davam ânimo para continuar com a vida hoje são cuidadosos “para não sujar a camisa com base” – acabou-se a vassalagem, estamos na Europa.

Antes esforçava-me por prestar atenção a tudo o que todas as pessoas diziam, se comportavam e tentava traduzir para a minha língua todos aqueles estímulos e me proteger; hoje esforço-me para me focar somente no meu computador, no telefone que tenho junto a ele, em tudo o que me dizem para fazer (e para não fazer) e para não ouvir o que dizem todas as outras pessoas da sala – foco.

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Almoçava e jantava com uma colher, com um garfo ou com uns chopsticks, eles sorriam e perguntavam porque é que não o faço com as mãos e eu sempre disse que era demasiado asiático para mim; tento segurar na faca e no garfo e comportar-me como sempre fui “portuguesa”.

Agradecia sempre e pedia sempre desculpas por não conseguir ter uma mente aberta o suficiente. Tenho que parar de agradecer e acabaram-se os pedidos de desculpas.

A coreana estava quase sempre em todo lado, a chilena e os europeus convidavam-me para jantar, as indonésias para conversar. Estou sozinha a maioria do tempo, chateio os meus amigos para nos reunirmos e para eles virem um dia destes a minha casa jantar.

Sacrificava-me para que Portugal não perdesse uma vaga no futuro e senti-me a pessoa mais incrível do Mundo quando na cerimónia de encerramento a minha bandeira lá estava e tinha sobrevivido este ano na Ásia. Penso nas contas que tenho para pagar e no mestrado.

Impacto – tinha tudo e não tinha nada, tenho tudo e não tenha nada.

Perdi o sentido à vida.

Caixas, dói muito querer encaixar nela, mesmo sabendo que é demasiado pequena para ti.

Desistir é deixar de acreditar em ti.

Por isso é que é desmesurável, desmedida essa força que dias melhores vão chegar.

Que vais encontrar essa estabilidade e essa coragem.

Usa o teu sorriso para mudar o Mundo, não deixes que o Mundo mude o teu sorriso.

Afinal não és português, não és asiático e os outros até podem querer caber nessa caixa, mas tu.

Tu cabes no Mundo.

Pertences ao Mundo. Nada nem ninguém será capaz de te convencer do contrário.  Nem tu mesmo.

Liberdade pra dentro cabeça. Sorri, sou Rei.

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Discurso Direto

sara-reistexto e fotos Sara Reis
geral@w360.pt

Malang, Java, Indonésia

Gostava muito de te poder dizer que parto de coração cheio, tal como muita gente que escreve artigos sobre o seu exchange year ou gap year.

Nove meses e uma semana de Indonésia, cinco semanas de Singapura/Vietname/Camboja/Tailândia/Laos e Malásia, deixaram-me com o coração em pedaços ou aos “buraquinhos”.

Vivi numa cidade onde as mulheres andavam na rua cobertas pelo seu hijab, onde cinco vezes por dia ouvia o adzan, onde se comia arroz todos os dias e em todas as refeições, as casas de banho eram a maioria das vezes um bacio no chão, os passeios não existem (a maioria das pessoas anda de mota e não a pé) e o código da estrada a maioria das vezes também não.

Era a única portuguesa, a única europeia, latina numa sala de aula com mais sete estrangeiros, num lugar em que comer pão e café pela manhã era estranho, assim como ouvir alguém falar inglês, em que ir às compras é tudo “aos mil”, em que a praia fica a duas ou três horas de mota da cidade.

Estudei a língua da Indonésia. Tive que me esquecer que era portuguesa nas aulas porque algumas das palavras eram as mesmas, embora a pronúncia, o significado e o método de ensino fosse totalmente diferente da Europa.

Comecei a gostar de tempe (uma espécie de bolo de soja frito), de martabak manis (uma especie de panqueca ao estilo indonésio), de pitaia (um fruta), de whitecoffee, de Tea Tarik, de usar os sarung como as Indonésias usam e que andar de Gojek (espécie de Uber, mas que utiliza a mota) é espetacular (sabe bem sentir o vento no rosto).

Vivi com raparigas indonésias, uma vietnamita, duas raparigas do Madagáscar e uma sul-coreana, elas (estrangeiras) estudavam comigo na universidade.

Com a sul-coreana criei laços fortes, talvez porque os nossos países não são assim tão diferentes como aparentam, bem como a vida de cada uma de nós e das nossas famílias.

Aprendemos as duas mais sobre os países de cada uma de nós, a língua, a cultura e esta barreira entre ocidente e oriente, que tanto consegue ser complicada como fantástica.

Compreendemos que ainda que ela exista, porque viajamos juntas pela Indonésia, pelo Sudeste Asiático, também porque conhecemos imensos viajantes que estranhavam encontrar uma portuguesa e uma sul-coreana juntas. As amizades fortes conseguem superar isso.

Nem sempre é fácil, é verdade, a maioria das vezes eu estava sozinha no meio de indonésios ou coreanos, não percebia nada do que diziam, sentia-me estranha no meio deles, mas ao mesmo tempo de todas as vezes que isso aconteceu, eles ensinaram-me mais sobre a língua e a cultura deles.

Amizade, força de vontade, curiosidade, paciência e respeito.

São estas as palavras mágicas deste ano.

Mãe, pai, mano, amigos portugueses e do mundo que me tem acompanhado, eu sei que isto tem sido de doidos, desde que me meti no avião o ano passado para vir viver para a Indonésia, depois acabei por ir viajar também pelo Sudeste Asiático, voltei à Indonésia por uns dias e agora parto para vocês.

Sei que tem sido difícil para vocês verem-me tão “pequena”, tão “longe”, sem portugueses por perto, em países de 3º Mundo, a presenciar quem sabe realidades ou dificuldades ou aventuras, que isso deixa o vosso coração sempre alerta cada vez que há noticias ou que eu não dou noticias.

Percebo que seja complicado, no entanto, quero continuar a pedir-vos para continuarem a acreditar em mim, para continuarem aí, para serem pacientes porque não é só a mala que vem mais pesada, ela engordou, porque “ela voltou agora da Ásia e está a comer arroz com pauzinhos”, porque “de volta e meia, balbucia palavras que não entendemos”.

A vossa vida continuou, a minha também.

Não me sinto nenhuma super-heroína ou melhor que alguém, porque estive fora.

Sinto que desmistifiquei algumas coisas em mim, que tenho de trabalhar mais para me tornar na pessoa que quero ser e enquanto isso, tentar viver um dia de cada vez.

Sinto que sou portuguesa, sou europeia, mas agora também sou um bocadinho asiática e não estranhem se alguma vez os meus olhos brilharem cada vez que se fale na Ásia.

Hoje, entro dentro dos aviões  triste porque deixo para trás pessoas que foram que família, um país que foi lar e um continente que prometo regressar (quem sabe um dia!). Ao mesmo tempo, parto com a consciência de que, ainda que não tenha feito tudo o queria, fiz mais do que imaginei e estou grata por isso.

Porque hoje, não tenho mais medo de baratas, de formigas, de ver espetadas que ao invés de carne de porco ou vaca têm escorpiões ou cobras, de sentir nojo ao ver pessoas com talheres na mesa a comer arroz com as mãos e de tantas outras coisas.

Hoje, tenho medo que os meus sonhos não sejam tão grandes quanto a minha ambição de os tornar reais e de os conquistar.

Ásia, levo-te gravada não só nos pés, mas no coração todos os dias e para Sempre. Obrigada!

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Viagens

texto e fotos Cátia Fonseca
geral@w360.pt
     

Dempassar, Bali, Indonésia

Em 2016 decidi que o meu aniversário seria passado todos os anos num local diferente do globo. Adoro viajar e fotografar e o facto de ser o meu aniversário é só mais um bom pretexto para partir à descoberta. Não sei bem explicar porquê, mas Bali e a sua cultura sempre me chamaram à atenção e maio trouxe-me esse presente.

Bali é uma ilha da Indonésia, situada na extremidade ocidental do arquipélago das Pequenas Ilhas da Sonda, entre as ilhas de Java e de Lombok. A capital provincial e maior cidade da ilha é Denpassar, situada sensivelmente a meio da costa sul. Em Bali vive a maior parte da minoria hindu da Indonésia, cerca de 80% da população.

Ainda não tive a coragem para viajar sozinha e por isso levei comigo para Bali duas amigas e também minhas colegas de casa, a Joana e a Diana, e uma amiga da Diana que mora na Suíça, a Catarina. Começamos a planear a viagem em janeiro deste ano, definir datas, pedir férias, definir rotas, alojamentos, seguros de viagem e por fim decidir o que visitar. Bali tem imenso para mostrar e como só tínhamos cerca de 8-9 dias de férias tínhamos de organizar tudo ao milímetro. Decidimos começar pela confusão da agitada cidade de Ubud, perto da capital Denpasar e só depois rumar a Sanur para uns dias de merecido descanso à beira-mar. Embarcamos no dia 11 de maio de Londres rumo ao paraíso, Bali. Ao fim de dezasseis horas de voo, duas horas de espera em Kuala Lumpur pelo voo de ligação e sete horas perdidas em diferença horária, a 12 de maio aterramos no Aeroporto Internacional de Ngurah Raiem em Denpasar, Bali e era o meu aniversário. Reservamos viagens com transporte incluído para o alojamento e tínhamos logo no aeroporto à nossa espera Fritz, o guia na nossa estadia por Bali.

Fomos aconselhadas a evitar os alojamentos no centro de Ubud, a cidade não pára, o trânsito é caótico e iam acabar por ser dias muito stressantes. Decidimos ficar a cerca de meia hora a pé do centro, numa pequena vila hoteleira. Cada quarto era uma pequena cabana feita em madeira rodeada por floresta, um quarto bastante acolhedor e onde era possível ouvir todos os sons exteriores, de animais ou vento, como se na rua nos encontrássemos.

No primeiro dia acabamos por ficar pelo alojamento, tínhamos imensas horas de sono para pôr em dia e algum cansaço acumulado por tantas horas de voo.

O segundo dia em Bali era de subida ao Mount Batur. Bali possui ainda vulcões ativos, os principais são o Mount Agung, o lugar mais alto da ilha, com 3142m de altura, e o Mount Batur, com 1717m. Eles ficam praticamente um de frente para o outro e as paisagens são lindíssimas. O Mount Batur fica na região de Kintamani, nordeste da ilha. O principal objetivo do passeio é ver o nascer do sol do vulcão, e por conta disso e da distância de uma hora de Ubud até o início da subida, o passeio começa de madrugada, às duas da manhã, quando o carro da empresa nos veio buscar ao alojamento. Aqui vale a pena fazer uma constatação digna de aplausos: os balineses são britânicos no que toca a cumprir horários.

A subida ao monte é feita na companhia de um guia, no nosso caso uma guia, Kutuk. A subida ao Mount Batur não é tão fácil como esperávamos, a primeira meia hora até que é bem tranquila, o terreno era firme, pouco íngreme e havia uma espécie de trilha no meio da vegetação. Porém o resto do trajeto é de subidas íngremes em um terreno repleto de rochas vulcânicas irregulares e de pequenas pedras escorregadias. Os últimos 700m são os mais difíceis, o corpo já está cansado, a subida fica ainda mais íngreme e as pedras dão lugar às cinzas. É como andar na areia da praia, depois de dez passos parece que não saímos do mesmo lugar.

Chegando ao topo, há que procurar um lugar para descansar e esperar que o sol decida dar o ar da sua graça. Para relaxar e aquecer um bocadinho é servido um café da manhã, que no nosso caso estava incluído na reserva. Fomos então brindadas com umas sandes de banana e um ovo, cozido no vapor do vulcão, acompanhado por chá ou café. Quando começa a clarear a linda paisagem começa a revelar-se e logo o céu começa a ser tingido de cores alaranjadas, sinalizando o nascer do sol. Estava na altura de preparar as máquinas e tentar conseguir umas boas fotografias. Tivemos algum azar, apanhámos algum nevoeiro e tínhamos de estar com muita atenção para apanhar boas imagens nos intervalos em que o nevoeiro dissipava.

Do nada começam a surgir alguns macacos que habitam a cratera do vulcão por sentirem a presença de pessoas e principalmente o cheiro de comida. O que eram apenas dois ou três logo se transformaram num bando, a guia tinha-nos avisado para esconder a comida ou então ficaríamos sem ela.

Com as energias renovadas e barriga cheia, chega a hora de fazer todo o caminho de volta e a famosa frase que diz que “para baixo todos os santos ajudam” não funciona nada bem neste caso. A descida acho que é ainda pior que a subida, a parte de cinzas em que não saíamos do lugar é completamente o contrário para descer, em um passo deslizamos 1 ou 2m. As pedrinhas que escorregavam na subida são ainda piores na descida. Haja joelhos! No caminho de volta ainda parámos para ver alguns pontos onde o vapor a sair do vulcão é visível. Segundo a guia Kutuk, a última erupção foi em 2000 com lavas mistas e a última vez que o vulcão entrou em erupção com lava apenas preta foi em 1963.

E por falar em guia, Kutuk a maravilhosa balinesa que nos levou ao topo do vulcão era um exemplo perfeito do povo balinês. Simpática, conversadora e muito, muito gentil. Na longa caminhada até ao topo e com muito pouco ainda para ver em redor, Kutuk contou- nos um pouco da sua vida. Mulher na casa dos 40 anos, hindu e com uma filha de 11 anos de idade. Perdeu o marido e a filha mais velha há uns anos e como ela mesmo conta, com o marido, perdeu também todos o animais que tinham. Agora é apenas ela, que todos os dias faz o trajeto com turistas para o vulcão, e a filha de 11 anos que aos fins de semana também leva turista lá acima. No final da nossa viagem Kutuk abençoou-nos, algo muito comum os habitantes de Bali fazerem.

Estamos novamente no ponto de partida com a sensação de dever cumprido e com a certeza de que fizemos um dos passeios mais incríveis de Bali e com a melhor guia que poderíamos pedir. Mas a aventura ainda não tinha terminado, quando reservamos o passeio, ainda em Inglaterra, decidimos incluir uma visita às “hot springs”. Nada melhor do que um banho em águas quentes vulcânicas depois de uma caminhada de quatro horas. Voltamos a entrar na carrinha e o motorista levou-nos até ao “Toya Devasya Natural Hot Spring”, um hotel com fontes termais que tinha quatro piscina de água quente e uma piscina de tamanho olímpico mesmo ao lado do Lago Batur e Mount Agung. Águas aquecidas nas profundezas da terra, com minerais quentes, incolores e inodoros com grandes poderes curativos. Aproveitamos para dar uns mergulhos relaxantes e apreciar as paisagens majestosas a partir das piscinas. Foi sem dúvida uma ótima maneira de recuperar as energias gastas durante a madrugada.

Prontas e renovadas para voltar ao alojamento, tivemos agora oportunidade para apreciar, em plena luz do dia, os caminhos que nos levaram até Mount Batur em Kintamani nessa mesma madrugada. Trânsito não tão caótico como no centro do Ubud, mas imensas motas e pequenas carrinhas por todo o lado assim como imensas plantações de arroz. Chegadas novamente ao alojamento em Ubud por volta da hora de almoço, almoçamos pelo alijamento e decidimos aproveitar o resto do dia para comecer a cidade e percorrer o tão famoso Mercado Tradicional de Arte de Ubud.

O Mercado de Ubud, localmente conhecido como “Pasar Seni Ubud”, situa-se em frente ao “Puri Saren Royal Ubud Palace” e está aberto diariamente. A maioria das mercadorias encontradas no mercado são feitas nas aldeias vizinhas de Pengosekan, Tegallalang, Payangan e Peliatan. O mercado é o local indicado para adquirir lembranças típicas do povo balinês e trazer assim um bocadinho da ilha connosco para casa. O mercado é enorme e se formos bons a regatear quase que trazemos as lembranças de graça.

Terceiro dia em Bali, às nove horas em ponto tínhamos o guia, Fritz, na receção à nossa espera. Começamos o dia por assistir a um espetáculo de dança típica balinesa. Uma dramatização sobre a história da ilha, repleto de cor e sons maravilhosos. Seguimos para o Museu Rudana e as suas extraordinárias pinturas. Uma delas chamou imenso a atenção das quatro, um grande quadro no meio do salão que representava a queda das torres gémeas nos EUA e toda uma visão diferente de tudo o que aconteceu antes, durante e após esse acontecimento.

Museu explorado e seguimos viagem desta para o “ Sacred Monkey Forest Sanctuary”, a floresta dos macacos que é conhecida em balinês como Wanara Wana. Ao chegarmos à floresta que se localiza na aldeia de Padangtegal, logo percebemos que se tratava de um lugar místico e inspirador. A região é de mata nativa quase completamente fechada, cheia de riachos e templos hindus, com caminhos pavimentados para a passagem de pedestres, e é o local onde vivem inúmeros macacos de cauda comprida ou macaca fascicuiaris, em total equilíbrio com a natureza e com os visitantes. Claro que, mesmo dóceis, os macacos da floresta podem tornar-se agressivos se sentirem o seu espaço invadido, mas respeitando as normas do parque, a visita decorre com toda a tranquilidade e é uma das lembranças mais incríveis que se tem de Bali. A Floresta dos Macacos de Ubud é uma área destinada ao culto hindu balinês e todos os aspetos do local possuem um significado sagrado, como as árvores, os templos e até mesmo os macacos. No hinduísmo balinês, que incorpora elementos do animismo, budismo e cultos ancestrais, os macacos são considerados tão sagrados quanto os templos.

Como a fome já apertava decidimos fazer uma pausa para almoço com uma vista magnifica, os terraços de arroz de Tegallalang em Ubud. Tegallalang é famosa pelas belas paisagens de arrozais envolvendo o subak, sistema de irrigação cooperativo tradicional balinês – premiado pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade. Tegallalang faz parte de um dos três esplendidos terraços da região de Ubud, tendo os outros lugar nas aldeias de Pejeng e Campuhan.

Como não há nada melhor que um bom café depois de almoço, decidimos ir conhecer um dos locais de produção do café mais famoso de Bali e considerado um dos mais caros do mundo, o “Kopi Luwak”. A produção deste café é muito peculiar, os grãos do café são recolhidos das fezes do Luwak, um animal da família dos gatos que vive na Indonésia que se alimenta de bagas de café. Depois é cuidadosamente lavado, seco e torrado. Dizem que as enzimas do aparelho digestivo desse animal provocam uma transformação no grão, deixando o café com um gosto especial e diferenciado.

Café tomado e seguimos para outro local sagrado, o “Pura Tirta Empul”. O templo é composto por uma estrutura de águas para banho, famosa pela sua nascente de águas sagradas, onde os hindus balineses realizam rituais de purificação. “Tirta Empul” que significa fonte sagrada em balinês.  A nascente é fonte do rio Pakerisan. O templo é dividido em três seções: jaba pura (área frontal), jaba tengah (área central) e jeroan (área interna). A jaba tengah possui duas piscinas com trinta chuveiros que são chamados como: Pengelukatan, Pebersihan e Sudamala dan Pancuran Cetik (veneno). Cada fonte presente no templo possui um significado diferente para os Hindus balineses. Há fontes que os mesmos evitam utilizar por respeito ou tradição. Para entrar no templo é necessário cobrir as pernas com um “sarong” por motivos de respeito a um local sagrado e porque os balineses acreditam que o corpo está dividido em duas partes, da cintura para cima é parte pura e da cintura para baixo é parte a suja do corpo e que deve ser tapada para depois ser purificada na fonte.

Terminamos o nosso terceiro dia em Bali em Gunung Kawi, um templo hindu e também uma espécie de complexo funerário. O templo foi construído no século XI e situa-se na cidade de Tampaksiring e incluí dez candis (santuários) escavados em escarpas rochosas, formando nichos com cerca de sete metros de altura. Acreditam os balineses que estes monumentos funerários são dedicados no lado oriental ao rei Udayana Warmadewa, à sua consorte Mahendradatta e aos seus filhos Airlanga, Anak Wungsu e Marakata e no lado ocidenta, segundo a mesma teoria, às esposas menos importantes e concubinas de Udayana.

E terminamos assim da melhor maneira mais um dia naquela maravilhosa ilha, assim como a nossa estadia por Ubud. Era o último dia pela agitação cidade, no dia seguinte pela hora de almoço rumávamos de armas e bagagens para Sanur e a sua bela praia. Praia, sol e mar, finalmente! Sanur é uma cidade à beira-mar no sudeste da ilha de Bali. A praia presenteia-nos com um longo areal brilhante e de águas rasas, alguns barcos atracados na areia e um convite muito grande a mergulhos, descanso e passeios à beira-mar.

Bali é conhecido pelas suas maravilhosas praias, muito adoradas por surfistas e turista em geral. Num dos quatro dias que passamos em Sanur decidimos conhecer duas das praias mais próximas de nós e também das mais conhecidas, a praia de Kuta e a praia de Seminyak.

Kuta é uma zona turística que fica na costa sul da Ilha de Bali e é muito conhecida pelas imensas escolhas de surf espalhadas pela praia que transformam a curiosidade dos turistas em querer experimentar a modalidade numa realidade. Professores não faltam e propostas para uma ou mais horas no mar também não.

Seminyak é uma área turística e residencial mista na costa oeste de Bali. A abundância de spas e hotéis de luxo combinada com a aglomeração de restaurantes, tornou Seminyak numa das áreas turísticas mais conhecidas da ilha. Há semelhança de todas as outras praias, na praia de Seminyak não faltam vendedores de tudo e mais alguma coisa, assim como balinesas a querer fazer massagens a todos os turistas que apanham.

Para terminar a nossa visita, decidimos dar um salto a conhecer mais um templo em Bali, significa “terra no mar” em balinês. O templo situa-se num grande rochedo que a erosão provocada pelo mar esculpiu ao longo de milénios. Segundo a tradição, o templo foi construído no século XVI por Dang Hyang Nirartha, o fundador do sacerdócio xivaíta em Bali. A principal divindade do templo é Dewa Baruna, também chamado Bhatara Segara, um deus do mar. O templo faz parte da mitologia balinesa e é um dos sete templos dedicados ao mar da costa da ilha. De cada um desses templos é possível avistar o seguinte, formando uma cadeia ao longo da costa sudoeste de Bali.

E estava quase a chegar ao fim esta aventura tão doce e enriquecedora. Mas não sem antes vos contar algumas curiosidades da ilha. Segundo o nosso guia, Fritz, na capital Denpasar há uma lei que impede que qualquer construção seja maior que os coqueiros que crescem pela ilha. Fritz também nos explicou que todos os dias os balineses fazem duas oferendas, conhecidas como “canang sari”, aos deuses. Uma de manhã, antes do pequeno almoço em que oferecem aos deuses um pedaço da sua primeira comida do dia e outra oferenda no final do dia. Podemos ver estas oferendas por toda a parte, inclusive na praia.

Fritz contou-nos também que não é educado tocar no cabelo de outras pessoas e é mesmo considerado uma ofensa pelos balineses. E explicou-nos ainda que Bali tem um calendário próprio que mostra aos balineses o dia bom para cada situação, o dia bom para casar, o dia bom para construir casa, para abrir uma empresa, entre muitas outras coisas e todos os balineses consulta o calendário antes de tomar qualquer decisão. Nesse calendário encontra-se um dia muito importante para os balineses, o dia do silêncio ou “Nyepi”. Uma vez por ano Bali pára em silêncio e inicia deste modo o novo ano hindu balinês.

Não há voos a chegar ou sair da ilha, não há televisões ou rádios a tocar, não há sequer luzes acesas em nenhuma das casas, ninguém vai trabalhar e o dia é passado em retiro espiritual. Todos os que se encontram na ilha respeitam esse dia, mesmo os turistas que acabam por achar o dia muito interessante.

E terminou a aventura! Bali excedeu completamente todas as minhas expectativas. Não há palavras para descrever a simpatia e simplicidade daquele povo. Felizes com as pequenas coisas da vida. Obrigada Bali por teres tornado este meu aniversário tão rico e obrigada às minhas companheiras de viagem por terem alinhado nesta aventura comigo.

Bali, sem dúvida um destino a voltar, mas para já novas aventuras, outras paragens, novos pontos do globo.

Bali
 Ilha indonésia
 indonésio
4 152 800 hab. (2014)
Rupia Indonésia (IDR)
GMT+8
 3 pinos
+62
+62 (0)361 710 505
Bali é uma ilha quente e húmida. Nos meses de dezembro a março registam-se as temperaturas mais baixas e pluviosidade muito elevada. Os meses mais quentes são os de abril a novembro, podendo as temperaturas chegar aos 35ºC.
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Discurso Direto

sara-reistexto e fotos Sara Reis
geral@w360.pt

Malang, Java, Indonésia


A primeira parte da aventura na Indonésia da Sara:

cropped-W_MINIATURA.pngRedescobre-te e parte

Malang, como está Malang?

No mesmo sitio.

Já cantas também o adhan?

Continuo a escuta-lo todos os dias, cinco vezes, há dias em que não consigo relaxar e meditar em português ou em inglês quando o escuto, mas faço um esforço, agradeço a este deus (eu acredito que existe algum!) por esta oportunidade.

Arroz pela manhã, pela tarde e pelo fim do dia, já experimentaste todos os tipos, certo?

Ainda não, mas descobri que gosto de arroz com manteiga de amendoim (nasi pecel), já estou um bocadinho mais habituada com os picantes (eles continuam a dizer que não!), adoro tempeh (é um snack tradicional da Indonésia) e o terang bulang manis (são panquecas indonésias).

Deves ser também já fluente no bahasa, certo?

Adorava. No entanto o Javanês, o gaul (calão) e o wali-han (lingua falada pelos locais de Malang) são as línguas que eles usam para comunicar aqui na ilha de Java. Claro que se falar em bahasa, todos me entendem e conseguimos comunicar. Se calhar talvez devesse ter aulas de javanês e não de bahasa, mas a verdade é que a Indonésia é o maior arquipélago do Mundo, cada ilha tem a sua própria língua, o bahasa indonesia é uma forma de unificação entre todos os estes povos e culturas.

Mas tu gostas de línguas, falas várias, para ti deve ser fácil fixar tudo?!

Adorava ter o Google Translator no cérebro para conseguir fixar tudo o que me dizem, sabes? A verdade é que por muito apaixonada da vida que seja por línguas, por culturas, por pessoas, desde que cheguei tenho tentado aprender tudo com calma e desfrutar ao máximo da experiência. Claro que dentro da sala de aula evito pensar em português porque continua a ser confuso. Mas a comunicação é algo super engraçado, transversal a qualquer idioma e quando descobrimos pontes entre a nossa lingua materna e outras que nada têm a ver com a nossa, é muito divertido. É o que me fascina cada vez mais.

Fascina-te porque tens mais em comum do que imaginavas?

Fascina-me porque, por muito diferentes que sejamos, por muitas línguas que falemos, as culturas sejam distintas, somos todos humanos. Sentimos todos o mesmo. A maioria das vezes, esquecemo-nos disso. De olhar introspetivamente sobre nós mesmos, enquanto pessoas não enquanto nacionalidade, raça ou cor da pele. Estou a viver há quase 7 meses com uma rapariga da Coreia do Sul que fala um idioma que nada tem a ver com o meu, com uma cultura muito distinta, com uma educação igualmente distinta, mas que tem a minha idade, que tem viajado comigo, que é das minhas melhores amigas e que me tem ensinado muito sobre isto de igualdade,  de construir pontes, de olharmos o mundo de maneira distinta.

Hoje fala-se em construir muros e tu segues com a ideia de pontes?

Fiz amizade com uns mexicanos e uma argentina, com um rapaz caribenho que vive na Escócia, com um grupo de rapazes da Coreia do Sul e com jovens indonésios nas minhas viagens na ilha de Java. O muro no México, a guerra das Coreias, a situação da Escócia perante o Brexit e a influência da religião no exercício do poder politico aqui na Indonésia.

Tive mais consciência de umas coisas, aprendi outras. Percebi que é cada vez mais essencial criar pontes, trabalhar para que todos enquanto pessoas possamos ser melhores ajudando o próximo. É verdade que correm tempos difíceis, para todos. Mas onde é que anda a esperança?

A Indonésia é o maior arquipélago do Mundo, amante de viagens, já deves ter feito imensas?

Não viajei tanto quanto queria, nem a todos os sítios onde queria, mas a bucket list ainda não está terminada, vou apagando e acrescentando coisas, é mesmo assim.

Qual foi o sitio que mais gostaste? Porquê?

Na ilha de Java, o templo Plaosan em Yogyakarta. O templo fica entre sawa (campos de arroz), umas montanhas e próximo de um templo muito famoso aqui (Candi Prambanan) que normalmente está repleto de gente. Observa-se antiguidade, respira-se ar puro e sente-se uma paz difícil de explicar.

Em Bali, o templo Ulun Danu Bratan. Este templo está construído sobre o lago Bratan, representa a cultura balinesa e é tão famoso que está nas notas de 50 mil rupias. A paisagem é linda e saber que é importante para eles, é importante para mim.

Templo Plaosan
Templo Prambanan
Ulun Danu Bratan

Passados quase sete meses, sete meses tão intensos, sete meses em que todos os dias são uma roda-viva de emoções, sete meses que já passaram.

Sabes estas, pensei eu, seriam algumas das perguntas que terias para me fazer, se nos encontrasse-mos agora, ou então fazem parte de um monólogo imaginário que acabei de pensar. Acontece que cinco meses depois, estas seriam algumas das possíveis respostas que teria para te responder.

“Com poucas expetativas, sem querer saber dos desafios com os quais te irás deparar, nem da introspeção nem auto-descoberta que os efeitos de tudo isso terá em ti. Mas parte. Por favor, Parte.”

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Discurso Direto

sara-reistexto e fotos Sara Reis
geral@w360.pt

Malang, Java, Indonésia


A aventura da Sara continua:

cropped-W_MINIATURA.pngMalang, como está Malang?

Chamo-me Sara e tinha 22 anos quando decidi despedir-me do meu trabalho, num hotel 5 estrelas, quando decidi largar a minha vida caótica e estável em Lisboa, quando decidi comprar um bilhete só de ida, de dizer “até já” aos meus amigos e à minha família e partir um ano para estudar Bahasa Indonesia, numa cidadezinha na zona este de Java chamada Malang, na Indonésia.

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Saí de Lisboa com 30 kg de bagagem com tudo apostos para viver um ano fora, muitos sonhos na mão e um desejo enorme de poder acrescentar valor à vida destas pessoas “do outro lado do Mundo”.

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Cheguei a Jacarta com uma portuguesa; apanhei o voo para Malang, sozinha e com uma série de desconhecidos do Madagáscar, Vietname, Coreia do Sul, Japão, Tailândia e claro Indonésia.  Durante os próximos 9 meses, estas pessoas vão ser a minha nova “família” cá, vão estudar comigo numa pequena universidade chamada IKIP BUDI Utomo no centro de Malang. Ninguém fala português ou espanhol ou italiano, apenas as colegas do Madagáscar falam francês e claro, inglês. Sou a primeira portuguesa no programa nesta cidade e nesta universidade. Não estou chocada nem triste. Estou orgulhosa, porque antes de mim, já por aqui passaram os portugueses e com muito menos tecnologia da qual disponho para poder falar com a minha família e com os meus amigos de Portugal e do resto do Mundo. Ah! E sobreviveram e foram bem-sucedidos.

Foi na coragem dos portugueses que pensei quando cheguei a Malang”
Foi na coragem dos portugueses que pensei quando cheguei a Malang e a grande maioria das mulheres estava coberta com o hijab, enquanto que os homens andavam descontraídos na rua nas suas motorizadas. Para eles, era só mais um dia. Para mim, chegar a uma cidade onde não conhecia ninguém, com uma cultura e um idioma tão diferente, foi virar a minha vida 180º e continuar sorrindo.

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Quando oiço estas pessoas nas ruas a conversar um idioma que desconheço completamente (o bahasa é uma mistura de árabe, de italiano, de holandês, de português e de mais uma série de idiomas, que pensar em português aqui se torna muito confuso. É como montar um puzzle com as mesmas peças que estamos habituados, mas de uma forma totalmente diferente.); quando as vejo comer “arroz pela manhã, pela tarde e pelo fim do dia”; quando as oiço a orar, é impossível ficar indiferente ao Adhan (cinco orações que cada muçulmano deve rezar por dia), penso na diversidade religiosa e cultural que existe pelo Mundo. Estas pessoas vivem a religião de uma forma tão intensa e tão genuína que é impossível pensar que seja justamente a sua religião que torna o Mundo tão complicado. Eles são simpáticos. Sempre dispostos a ajudar. Mesmo que não percebam inglês, raramente irão estar zangados ou a discutir.

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E isso para nós portugueses, europeus, que queremos acrescentar valor à nossa própria vida, que vivemos numa agitação diária e que desejamos alcançar resultados e “estar-bem” na vida o quanto antes, faz-nos pensar. Porquê? Porque é que temos de ser melhores uns que os outros, porque é que para chegar ao caminho certo, muitos de nós têm de humilhar, espezinhar e “trair” o próximo? É certo que os indonésios ainda têm um caminho enorme a percorrer no que trata de modernidade, de tecnologia, de condições de vida, mas eles não parecem muito preocupados com isso. Vivem um dia de cada vez. Fazem as coisas com o tempo e com a paciência que só eles sabem e têm. E são muito orgulhosos por serem indonésios, em quase todas as ruas há bandeiras, símbolos, t-shirts, há um patriotismo gigante, uma beleza indescritível nas paisagens circundantes a Malang e não só.

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Estou à um mês e pouco na Indonésia, para além da minha vida ter mudado, a minha idade também (cumpri os 23 cá), a pouco e pouco também parte de mim vai mudando. Sim, apesar da língua, da cultura, da beleza indescritível, viver na Ásia também é difícil. Acabaram-se os duches de água quente, o pão quentinho ali do Pingo Doce, a comidinha saborosa da Mãe, o quarto fresquinho.

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Mas nem por isso deixo de andar sorridente. Isto de se viver com colegas estrangeiros; de aprender a cozinhar com eles; de perceber que se calhar tens mais em comum com a tua colega que, entretanto, já se tornou tua amiga da Coreia, do que alguma vez imaginaste; de reinventar crepes para a casa inteira, disso resultar numa dose gigante de gargalhadas para o jantar. Torna-te mais aberto à mudança.

“Parte porque precisas de mais desafios, porque o Mundo é demasiado grande para se estar preso a um sitio só.”
E não, não troco o que estou a viver por nada. Faz parte. Parar. Respirar fundo. Abrir os nossos olhos, os nossos ouvidos, deixar que seja o nosso nariz e o nosso paladar a escolher que tipo de comida vamos experimentar hoje. O nosso coração derrete-se com a colega que mora no piso de baixo que fala pouco inglês, mas que sabe cozinhar tempe, falar bahasa e que quer muito aprender a falar inglês. Pensar na hipótese de começar a dar aulas aqui em casa. Tornar o Mundo Melhor, fazê-lo por dentro, por perto, com a hipótese de mudar e de reinventar o já estabelecido. Crescer. Amar. Te. A Ti. Ao Próximo. Porque tu precisas. Porque tu mereces.

Ainda me faltam bastantes meses até voltar para Portugal. Não deixo de pensar naqueles que amo por um único dia, mas estou a viver uma experiência única, num país com um idioma que me exige todos os dias e a toda hora, que me esqueça por um bocadinho que sou portuguesa e latina. Que me obriga a focar-me nele. Sem porquês e um dia de cada vez. Que me desafia, que me faz rir. Viver na Ásia é mesmo assim.

Por isso, Parte. Parte por ti. Parte porque precisas de mais desafios, porque o Mundo é demasiado grande para se estar preso a um sitio só. Parte porque precisas de te encontrar. De te redescobrir. De te reinventar. De coração aberto. De Sorriso no Rosto. Com a confiança que tudo vai dar certo. Mas Parte.

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