Rota do Eu

texto e fotos Cátia Pinto Ferreira
geral@w360.pt
  

 Kathmandu, Nepal

Kathmandu, 26 de abril de 2017

Venho de coração cheio e de mente aberta para viver esta experiência. Descomplicar é o verbo de ordem do primeiro dia. Deixar de ancorar aquilo que nos prende ao chão e dizer adeus ao que nos faz perder tempo. Assim que cheguei deixei de ter um “cérebro à la to-do-list mental” que diariamente me ocupa a cabeça. (Tenho sempre mais de 1001 coisas para fazer e uma lista interminável de tarefas, deixando por vezes de lado o que realmente importa) e, pela primeira vez isso não aconteceu, passei a desfrutar mais do que está à minha volta, dos sítios, das pessoas, dos olhares,  dos sons, das cores e da natureza.

O tempo aqui é relativo (pelos menos é a percepção que tenho). Não conto o tempo, não há tempo e, no fundo, tenho todo o tempo do mundo. Maravilha!

Cheguei ontem, dia 25 e só hoje é que tive o primeiro contacto com o país, cultura e pessoas. Ainda não tenho palavras para descrever toda esta experiência incrível… Os meus olhos brilham de cada vez que falo ou penso nisto.

Hoje visitámos a Stupa Baudhanath, monumento que visto de cima é uma mandala gigante e que segundo a tradição é necessário andar à sua volta no sentido dos ponteiros do relógio e rodando os cilindros na mesma direcção, fazendo a  Kora.

Subimos até Namobuddah, foram-nos contadas as várias histórias e tradições. Para além disso , durante o dia entrámos em vários mosteiros .

Fiquei completamente arrepiada e sinto uma paz incrível ao assistir às meditações dos Lamas. Por momentos fechei os olhos e dei por mim a saborear aquele momento de forma única.

Aprendi que conforto é uma questão mental e que sou ainda mais flexível do que esperava. Que mudança é um acontecimento contínuo e que a consciência do presente é muito importante.

Dei por mim a desfrutar de olhos fechados das paisagens e a relaxar em silêncio e a estar mais atenta ao que me rodeia… e ainda só estou no primeiro dia.

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Rota do Eu

texto Cátia Pinto Ferreira
geral@w360.pt
  

Lisboa, Portugal

Lisboa, 25 de abril de 2017

Chamo-me Cátia, tenho 25 anos e decidi que estava na hora de ter uma viagem diferente das habituais: fazer um retiro, no Nepal. O meu pai pôs as mãos à cabeça, a minha mãe pediu-me para eu não ir, o meu namorado apoiou-me e disse que ia ser inesquecível e os meus amigos disseram ”GRANDE Cátia, não é para qualquer um”. De facto não é! Uma viagem por si só já nos transforma, dando-nos uma perspetiva completamente diferente de atitudes, espaços, culturas e costumes; um retiro leva-nos a refletir mais sobre nós, a nossa essência e propósito de vida. Óbvio que a elasticidade mental não se desenvolve somente com viagens: a mais simples experiência altera os nossos padrões de pensamento… desde um café com amigos, um passeio no jardim, um curso de teatro ou simplesmente um passeio numa rua que não conhecíamos. As “experiências-novas-que-nos-fazem-sair-da-concha” (sejam elas individuais e/ou coletivas) são sempre motores que nos levam a pensar de forma diferente, a sair da zona de conforto e a ter novas ideias.

A “Rota do Eu” é a 1ª edição de um retiro de 11 dias no Nepal, organizado pela Insight Out. Tem como finalidade desenvolver a nossa autoconsciência, aumentar a resiliência e reduzir o stress através de práticas de neuroplasticidade, contribuindo para a construção de uma mente focada e clara, potenciado a criatividade e a inteligência emocional. Nesta primeira edição, somos um grupo de 17 pessoas com perfis completamente distintos o que torna a experiencia ainda mais rica.

Quando me falaram deste programa percebi logo que era a minha cara e aceitei o desafio de embarcar nesta viagem interior, no Nepal. Desde de pequena que sofro do “bicho-carpinteiro-que-não-me-deixar-estar-quietinha” e fui prendada pelo “dom-infinito” de querer estar sempre fora daquilo que é a minha zona de conforto, levando por vezes a “aprender-à-bruta” a dar respostas aos desafios diários que surgem, o que me levou a ter uma visão e compreensão diferente de tudo o que me rodeia.

Acredito que esta viagem vai muito além do esperado! Mais do que explorar a terra asiática e a maravilha cultural “Nepalense”, o objetivo desta experiência é aprofundar o conhecimento sobre as minhas emoções, motivações, sentimentos e comportamentos através de uma reflexão e re-conexão interior profunda. Descansar a mente inquieta, refletir, traçar objetivos para o futuro consoante os meus princípios, valores e propósito de vida e trazer uma nova versão: uma “Cátia 2.0”.

São cinco cidades a visitar (Kathmandu, Bhaktapur, Patan e Pokhara) e o programa conta com o acompanhamento de um Lama local, que estudou e viveu no Nepal durante 12 anos (neste momento está em Barcelona e tem o seu próprio centro de meditação). Teremos a oportunidade de conhecer monges, mosteiros inacessíveis ao público em geral e visitar projetos sociais da Fundação Privada Petit Món. Além disso prevê-se ainda a prática diária de ioga e tai-chi, trekking, caminhadas e safari na selva.

Partir para o desconhecido será o plano! A vida é um loop de mudanças e nós mudamos com ela. O objetivo é descomplicar, deixar de ancorar o que nos prende ao chão e de dizer adeus ao que nos faz perder tempo. Não sei se vou dormir com os crocodilos ou acordar no meio da selva ao pé dos rinocerontes… Nunca estive no Nepal…nunca fiz um retiro e sou aquela típica personagem que adormece facilmente em aulas de ioga (10 minutos depois), mas acredito que esta será uma viagem memorável e uma experiência enriquecedora.

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