Discurso Direto

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texto e fotos Gil Cancela
geral@w360.pt
  

Sacueni, Roménia

Sendo eu uma pessoa que sempre se preocupou ativamente com Direitos Humanos e sociais, surgiu em conversa, a oportunidade de participar numa nova aventura. A aventura de um intercâmbio do programa Erasmus +, em parceria portuguesa com a AKTO – Direitos e Democracia, de uma semana na pequena cidade de Sacueni, na Roménia, muito perto da fronteira com a Hungria. Quem me conhece sabe que não costumo sair da minha zona de conforto. Mas, desta vez, as estrelas alinharam-se a meu favor e resolvi arriscar.

Tanta gente boa!

Intitulado NEETs for Children in Need, este Youth Exchange englobava participantes de Portugal, Roménia, Grécia, Hungria e Lituânia e visava ajudar as crianças do orfanato de Sacueni, oferecendo ajuda prática e fazendo jogos didáticos e divertidos com as crianças. Ao mesmo tempo, promovia a interculturalidade entre os países participantes através de atividade de educação formal (apresentações) e não-formal (teatro do oprimido, world café, noites culturais).

O juri grego em ação, pronto a comer: Elpida, Yannis, maria, Dimitris e Corina
Noite de apresentação: Frauzina (Roménia), Rui, João, Paula e eu (Portugal)

Foi preciso uma estafante viagem de autocarro, seguida de uma longa viagem de avião, para chegarmos a Budapeste, onde nos aguardava a carrinha que nos levaria até Sacueni. Cansados, estourados, mas entusiasmados para uma aventura de uma semana que estava a começar. Começamos com as atividades de grupo, que permitiram que passássemos de vários grupos para uma comunidade. E, ao terceiro dia, o foco da nossa ida chega. Conhecermos as crianças. De um modo geral, receberam-nos de braços e coração aberto, como se acompanhássemos o seu crescimento desde há muito tempo. Desde o nosso primeiro dia, que aqueles miúdos, que passaram por tanto, na sua (ainda) curta vida, tanto que alguns de nós nem podemos (ou queremos) sequer imaginar, nos permitiram ser crianças com eles. Sempre com um sorriso na cara. Sempre com vontade de nos ter lá.

Primeiro dia com as crianças
Eu, Paula (Portugal), Maria (Grécia) e Orsi
World Café Rui (Portugal), María (Roménia), Dimitris e Maria (Grécia)
Grandes noites com grande gente: Corina, eu, María, Yannis, Elpida, Nida e Inês

Em grupos, ajudamos em algumas tarefas necessárias no orfanato, como pintar janelas ou arrumar o anexo, repletos de material que seria reciclado ou reutilizado para momentos de trabalhos manuais com as crianças. Mas, ao mesmo tempo, podemos divertir-nos com os pequenos, com quem jogamos futebol, assamos marshmallows, corremos, etc.

Sacueni, em si, é pequena, mas bonita, equivalendo, à primeira vista, a uma vila em Portugal. Muito religiosa. Em qualquer ponto em que olhamos, encontramos uma igreja ou edifício ligado à Igreja.

Explorando a cidade
Portugal em Ordea

O grupo de participantes também foi um dos principais fatores para o sucesso desta experiência. Pessoas que primavam pelo seu caráter e boa disposição, que partilhavam a mesma vontade de ajudar e ter (ou repetir) uma grande experiência. E de lá, saíram inúmeras histórias para contar e pessoas que espero levar para a vida. Obrigado a todos!

Obrigado também à Orsi, por ser sempre incansável. O teu otimismo e boa disposição contagiou-nos a todos!

Na viagem de regresso, sentíamo-nos cansados, mas com o coração cheio, e muitas histórias e peripécias para contar. Sem dúvida, uma experiência a repetir, mas que, ao mesmo tempo, deixa um frio no estômago, se qualquer nova experiência, não ficará aquém deste fantástico Youth Exchange.

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Viagens

texto e fotos Tânia Pereirinha
geral@w360.pt

Buşteni, Roménia

A Roménia tornou-se uma paixão, um país que em comum com Portugal tem uma língua derivada do latim.

Uma aventura nas montanhas da Roménia

Passado o Natal em Bucareste, decidi por umas mini férias nas montanhas. A nossa viagem começou a partir de uma plataforma gelada na estação Norte de Bucareste. Nós chegámos cedo para comprar os bilhetes (39 lei – €8,64 por pessoa) com o destino Buşteni (o ş tem o mesmo som como o início de chuva). É uma pequena cidade a cerca de duas horas e meia da capital, indo quase em linha reta até ao norte, em direção às montanhas Cárpatos. Assim que chegámos à plataforma em Bucareste, começou a nevar. Um bom prelúdio para quem quer ir para as montanhas (pensava eu), mal sabia das aventuras que estavam para vir.

Fiquei surpreendida com o comboio, tinha bastante espaço entre bancos, quentinho e com tomadas, por pouco mais de €8. Senti que estava melhor servida do que estaria com o nosso Alfa Pendular. A primeira parte da viagem não foi muito impressionante, contemplamos as planícies de Ţara Românească (ou Valáquia, uma das grandes regiões da Roménia, anteriormente independente da Transilvânia, e Moldávia. (Facto interessante: Moldávia (o país) foi parte integrante da Roménia até à II Guerra Mundial, contudo na Roménia de hoje ainda há uma região que se chama Moldávia que não faz parte da Moldávia (país)). Engraçado foi ver como a paisagem mudou tão drasticamente quando nos aproximámos das cidades que estão em maior altitude. Vemos a cordilheira de picos que aparecem à distância, mostrando os seus remendos brancos. À medida que nos aproximávamos, a neve começou a cair mais rápido, ajudada por um forte vento gelado. Tínhamos como objectivo subir a montanha e pernoitar numa cabana. Chegámos por volta das 14h e o pôr-do-sol estava programado por volta das 17h, tínhamos apenas 2h para subir. Mesmo um pouco preocupados com o tempo apertado fomos na aventura.

Em Buşteni normalmente há um trator que leva as pessoas da estação até ao ponto que em se começa a subir. Ora o trator estava longe de ser encontrado, pois a parte de trás é aberta o que é óptimo para o verão, mas um perigo no inverno. Restou agasalharmo-nos o máximo possível e andar a pé ate à montanha. Enquanto caminhávamos, de repente, começou uma tempestade de neve. Olhava para o céu e via as nuvens cada vez mais escuras e uma névoa rolando sobre as montanhas que mal nos deixava ver o caminho. A caminhada foi esgotante. O chão estava cheio de gelo que nos fazia escorregar.

Uma aventura nas montanhas da Roménia

Levámos cerca de uma hora até ao sítio em que supostamente íamos começar a subir, com a neve a cair continuamente, o vento a ficar mais forte e o horizonte mais escuro. É uma caminhada relativamente simples sob circunstâncias normais, apenas uma estrada com curvas ligeiras, mas sob estas circunstâncias foi deveras complicado. Decidimos descansar e beber um chocolate quente no Gura Diham, um restaurante e hotel muito jeitosos no local onde o percurso para subir a montanha começa. Imediatamente concluímos que seria uma péssima ideia tentar chegar à cabana na montanha sob estas condições climatéricas e de noite sabendo que ainda há muitos ursos nessas montanhas não foi um pensamento agradável.

Uma aventura nas montanhas da Roménia

Mesmo um pouco desiludida por não poder fazer a minha escalada, o plano B foi voltar e apanhar um comboio até Sinai, uma viagem de dez minutos. Depois de tirar algumas fotos e apreciar a beleza da neve começámos a caminhar de volta, indo mais e mais rápido à medida que a escuridão caía sobre nós. Estava muito frio (-20ºC) e, de repente, ficou de noite, com uma floresta à direita e outra à esquerda. As tochas do telemóvel não foram grande ajuda, mas pelo menos deram algum conforto. Para mim foi uma experiência assustadora, no meio de uma tempestade de neve, sem conseguir ver nada e ainda longe da civilização, uma aventura a não repetir.

Assim que chegámos a Sinaia fomos directos para o nosso hotel, uma belíssima estalagem a cinco minutos doCastelo Peleş. Este espaço tinha sido utilizado pelos Reis para receber familiares e convidados. Um sitio encantador e sossegado.

Uma aventura nas montanhas da Roménia

Uma aventura nas montanhas da Roménia

Na manhã seguinte acordámos bastante cedo e fizémos o nosso caminho para o Castelo Peleş. Este costumava ser a residência de verão dos reis da Roménia e parece saído de um conto de fadas, com uma construção onde cada detalhe foi cuidadosamente escolhido para caber no estilo grandioso.

Há vários tipos de bilhete para a entrada no castelo, mas eu recomendo a visita completa por 50 lei  (€11), em vez da mais curta de 30 lei (€6,66). Há guias em inglês que vão explicando cada detalhe e estórias de quem por la passou. É um dos sítios que vale a pena ver, pelo espaço em si e por tudo à sua volta. Os interiores são espetaculares, uma parte enorme do interior é em madeira trabalhada.

Peleş foi dos primeiros castelos europeus a ter “facilidades modernas” – aquecimento central, eletricidade e um sistema central de aspiração. Cada quarto tem o seu próprio estilo, com diferentes influencias e culturas, desde detalhes italianos a mármore romeno, esculturas austríacas e alemãs. As louças emobilia japonesa e chinesa; do oriente com influência nos travesseiros, tapetes, etc. É difícil descrever toda a beleza do castelo e os seus jardins.

A cerca de cinco minutos a pé do castelo Peleş está o menor e menos opulento castelo de Pelişor. Este foi construído para o príncipe Ferdinand e sua consorte Maria, que queria algo mais simples. Há dois andares de pequenos quartos onde parte da família real viveu. Nota-se um contraste entre os dois edifícios, sendo o segundo mais sóbrio.

Terminámos a nossa visita a Sinaia com uma breve passagem por um Mosteiro antigo ortodoxo.

A Roménia é uma gema a ser descoberta, tem uma riqueza cultural e natural fantástica, nas montanhas ainda se vêm muitos turistas nacionais e poucos turistas estrangeiros. As pessoas são afáveis e carinhosas, mesmo que à primeira vista não pareçam. Fui sempre muito bem recebida.

Roménia
Bucareste (capital)
 Romeno
20 121 641 (2011)
 Leu Romeno (RON)
GMT+2
 Europeias, 2 pinos
+40
112
O inverno romeno é longo e rigoroso sendo as temperaturas muito baixas e os períodos de neve muito extensos. No verão as temperaturas são mais amenas, podendo ser muito elevadas em algumas regiões.
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