Viagens

texto e fotos Rita Cerveira Martins
geral@w360.pt

Lobamba, Suazilândia

No mês passado, surgiu a oportunidade de ir à Suazilândia. Acredito que muitos não saibam, nem conheçam esse país, mas a Swazi fica aqui ao lado de Maputo e em menos de 2h já estamos a cruzar a fronteira de Goba. Esqueçam-se as praias e imensos areais, ali as reservas naturais, os animais facilmente avistados, a vasta agricultura e as verdejantes pradarias são distintas. As paisagens são um tanto ou quanto diferentes de Maputo, onde a natureza não é tão protegida quanto ali… mas isso é um assunto para outra ocasião.

Saímos de Maputo num sábado pela manhã, com um roteiro bem definido, contudo o tempo foi traiçoeiro e a chuva obrigou a alterações no percurso. A passagem pela fronteira foi rápida, mais um carimbo no passaporte e alguns trocos desembolsados.

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Fomos em direcção a Lobamba, a capital e a cidade mais típica da Suazilândia. Destino:  Mlilwane Wildlife Sanctuary, a Reserva natural onde iríamos ficar alojados. Passámos Manzini, chegámos a Lobamba e encontrámos o acesso para o Sanctuary, um caminho em terra batida entre os antílopes, zebras e impalas. Já a chegar ao alojamento, passámos o lago dos hipopótamos e crocodilos (mas a chuva não ajudou a que fossem vistos) e fizemos check-in – uma pequena casinha mesmo perto do restaurante, com alguns antílopes, macacos e javalis a passar à porta.

Hora de almoçar, provar uma cerveja nacional “Sibebe” e replanear o dia visto que a chuva não estava a ajudar.

Entre as pingas, decidimos arriscar e visitar durante a tarde a Mantenga Cultural Village, uma aldeia apenas direccionada ao turismo, onde são explicados os costumes e tradições do povo da Swazi através de danças folclóricas e visitas guiadas às hipotéticas “cabanas” do Rei. É verdade, aquele que é o país mais pequeno no hemisfério sul é uma monarquia e o Rei já conquistou 16 esposas! Todos os anos ocorre uma cerimónia onde as jovens se “apresentam” ao Rei, dançando e exibindo de forma a serem a “escolhida”. Dá que pensar… A cultura é totalmente orientada para adoração ao chefe supremo e a emancipação da mulher não é realidade. Na visita é retratado que cada esposa teria 3 cabanas, uma para cozinhar, outra para dormir e outra para fazer cerveja, a mãe do Rei – a rainha Mãe, tem as suas cabanas no centro das esposas para evitar contacto.

É em Mantenga que se encontra a outra principal atracção turística – as cascatas. O tempo estava a dar tréguas e permitiu um passeio entre a natureza até lá chegar. As paisagens são singulares, os vales e as árvores criam uma vista incrível e aqueles rios e desfiladeiros transportam tranquilidade. Mas cuidado, nos riachos entre vales há probabilidade de haver crocodilos! A chuva voltou aliada ao início da noite, despedimo-nos daquelas paisagens do vale de Ezulwini rumo à Reserva.

Já na hora de preparar para ir jantar ao restaurante; fomos surpreendidos com buffet, algumas carnes de caça acompanhadas por um vinho Sul Africano (nada que se compare ao nosso vinho Português). Durante a noite não há muitas actividades, por isso aproveitámos para ficar à fogueira a beber uma taça de vinho tinto e a planear o dia seguinte.

Domingo começou com sol! Óptimo para levantar bem cedo, dar um passeio na reserva e conhecer melhor aquele amplo espaço. Uma das actividades da Reserva é andar de cavalo entre os vales de modo a estar mais próximo dos animais e apreciar melhor aquele panorama. Fomos acompanhados por um instructor, que nos ia dando sempre dicas e chamando atenção para pequenas particularidades que nos escapavam à vista como os crocodilos nas margens dos rios passando praticamente camuflados.

Terminámos a volta de cavalo e despedimos-mos de Lobamba. A paragem seguinte foi o Hlane Royal National Park em Siteki (a 1 hora da fronteira de Moçambique).

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No Hlane podemos ver os Big 5 – o leão, elefante, búfalo, rinoceronte e leopardo, entre outros animais como as girafas, hipopótamos, zebras… Tanto o Hlane como o Mlilwane são parques com alojamentos inseridos no meio das reservas, com diversas actividades para os turistas conhecerem melhor o reino animal, contudo as paisagens de ambos não têm comparação. Enquanto o Mlilwane se caracteriza por terrenos verdejantes e com bastante vegetação, em Siteki não chovia há mais de 6 meses e as paisagens eram completamente secas. Fizemos um safari de 2 horas pelo parque sob um calor abrasador; os elefantes, hipopótamos e
rinocerontes foram os primeiros a aparecer junto dos lagos. A área dos leões e tigres está protegida e por azar, quando íamos entrar nessa área, os leões aproximaram-se da vedação,
não permitindo a entrada na área sob o risco de eles saírem. O animal que tinha mais curiosidade de ver eram as girafas e nesse safari também não tive sorte de as ver de perto
como ansiava…

Terminou assim a visita ao Hlane e partimos rumo a Maputo, desta vez atravessando pela fronteira da Namacha, onde prevíamos ser recebidos com uma grande tempestade. África não é só sol e altas temperaturas, a meteorologia é irregular e por vezes planear um fim-de-semana fora pode ser um risco, mas seguindo o lema “When we stop taking risks, we stop living Life”, valerá sempre a pena.

(O Acordo Ortográfico não chegou a Moçambique, daí manter os antigos hábitos de escrita.)

Suazilândia
Mbabane e Lobanda (capitais)
Suázi e Inglês
1 900 000 hab.
Lilangeni Suazi (SZL)
GMT+2
 tipo C
+268
112
Nas montanhas o clima é temperado ao longo dos meses mais quentes e frio, podendo chegar aos dez graus negativos, nos meses mais frios. Nas planícies as temperaturas são tropicais, podendo as temperaturas máximas atingir os 40ºC. Os meses mais quentes são de outubro a março e os mais frios de abril a setembro. A chuva é frequente.

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