Dicas

claudia-paivatexto Cláudia Paiva
claudiapaiva@w360.pt

foto Jerryzhuca / Pixabay

Viajar nem sempre é simplesmente lazer, há quem o faça para ajudar pessoas que estão necessitadas em diferentes latitudes. Mas nem sempre é preciso ultrapassar as nossas fronteiras para ajudar o próximo…

A legislação portuguesa define voluntariado como “o conjunto de ações de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas”.

Portugal está entre os países com mais baixa participação nas actividades de voluntariado, segundo o Eurobarómetro e o European Value Study. Por isso deixamos algumas sugestões para quem queira fazer voluntariado dentro ou fora de Portugal.

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Voluntariado Nacional

 A Bolsa do Voluntariado foi criada em 2006 pela Entrajuda, uma instituição privada de solidariedade social que fomenta o exercício pela cidadania e responsabilidade social. O objectivo desta plataforma é ser o ponto de ligação entre a procura e a oferta de trabalho voluntário, tanto nacional como internacional. No site, podem registar-se candidatos que querem “dar tempo por uma causa” ou voluntários especialistas, também organizações que precisem de divulgação ou empresas que precisem de voluntários. VER

Terra dos Sonhos: É uma organização sem fins lucrativos criada em 2007 e em que os voluntários podem realizar os sonhos das crianças, jovens e idosos. Para isso basta inscrever-se no site. VER

Recados & Companhia é uma ação de voluntariado ao abrigo do Programa “Agora Nós”, para jovens com idades compreendidas entre os 16 e os 30 anos que queiram apoiar idosos com mais de 65 anos em pequenas tarefas (ida ao médico, passear, ir às compras) ou fazer-lhes companhia, diminuindo assim o isolamento desta população, o projecto decorre nos concelhos da Amadora, Lisboa, Setúbal, Coimbra, Porto, Bragança e Évora. VER

 O Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado é a plataforma que permite pesquisar por ações de voluntariado, por concelho, tipo de atividade, público alvo e pode ainda pesquisar bancos de voluntariado locais. É o sítio ideal para pesquisar voluntariado na zona de residência. VER

 O IPO (Instituto Português de Oncologia), conta com diversas associações que colaboram no apoio dos seus doentes- Apesar de não ter nenhum grupo de voluntariado institucional, pode consultar na página e entrar em contacto. Alguns dos seus objectivos são a sensibilização para o adoção de estilos de vida saudáveis, angariar fundos, colaborar no apoio social ao doente oncológico e sua família, colaboração na preservação do cancro, etc. VER

O Banco Alimentar tem como principal objectivo reduzir o desperdício de alimentos. São recolhidos localmente e a nível nacional e distribuídos para instituições de solidariedade com actividade em Portugal. VER

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Voluntariado Internacional 

Go Abroad: Já pensou viajar e trabalhar? O Go Abroad já agrega 79.028 membros no seu programa de voluntariado. Entre os destinos mais populares estão a Índia, o Peru, a África do Sul, a Costa Rica, a Tailândia e o Equador. Os projectos na área da saúde, construção, conservação da natureza ou trabalho em orfanatos são dos mais populares. VER

Nações Unidas: Os projetos de voluntariado das Nações Unidas, exigem que o candidato tenha mais de 25 anos, formação superior, dois anos de experiência profissional e domínio de pelo menos uma língua estrangeira. A duração dos programas são, no mínimo, de seis meses. Os programas da ONU, em cooperação com governos e organizações locais, abrangem 130 países e 115 categorias profissionais, da agricultura à saúde, passando pela educação e pelo desenvolvimento de comunidades. VER

 Serviço Voluntário Europeu (SVE): Podem candidatar-se ao Serviço Voluntário Europeu jovens com idades entre os 18 e os 30 anos, são mais de 4000 projetos na base de dados da Comissão Europeia e oportunidades espalhadas pelos 27 Estados-membros. A duração de cada projeto pode ir até aos 12 meses e a lista de vagas é diariamente actualizada. VER

Mais Valia Um projeto de voluntariado destinado para pessoas com mais de 55 anos, criado pela Fundação Calouste Gulbenkian, dirige o programa para os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), nas áreas da educação, saúde, capacitação de formadores, diagnóstico de necessidades e reforço institucional. Cada missão tem a duração de dois meses e as candidaturas decorrem até ao final de Abril.VER

 Para onde? É uma plataforma online informativa de oportunidades de voluntariado em todo o Mundo com centenas de parceiros. Oferecem oportunidades de voluntariado de curta (uma a três semanas) e longa duração (mais de um mês), no período de um ano oferece mais de 1000 campos de voluntariado em mais de 100 programas de longa duração em todo o mundo. VER

 Do Something é uma plataforma online criada nos EUA, com o objectivo de motivar jovens para boas causas (nas áreas do ambiente, das artes, da discriminação ou da pobreza). Na plataforma só tem de escolher qual é a sua causa e será guiado para o projeto em que pode fazer voluntariado. VER

 A AIESEC disponibiliza, para os jovens, a oportunidade de desenvolverem experiências profissionais a nível internacional,  mas também de serem voluntários internacionalmente VER

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Discurso Direto

texto e fotos Ju Costa
geral@w360.pt

Praia, Cabo Verde

Diz-se por aí que um dos requisitos para se ser voluntário é “dar sem receber”. Eu dei parte de mim e tive a sorte de receber uma vida nova.

Desde jovem fui-me envolvendo em projetos sociais e de voluntariado, mas havia uma vontade inexplicável de fazer mais e ir cada vez mais longe. Sonhava dar o meu tempo e dedicação num local onde realmente sentisse a utilidade dos conhecimentos básicos que nos são incutidos em Portugal.

E começa assim a minha história…

Tive a certeza que os acontecimentos da vida vêm no tempo certo quando o GAS’África – Grupo de Ação Social em Portugal e em África tropeçou na minha vida sem eu estar a contar.

Ainda a terminar o curso de Terapia Ocupacional, fui conciliando todas as tarefas do dia-a-dia com a formação e atividades que a permanência no GAS’África me exigia. Foi um ano de formação de auto e hétero-conhecimento que me fez repensar na minha posição em relação aos outros e ao mundo. Neste ano recebi o melhor presente da minha vida: a minha comunidade GAS’africana e a oportunidade de fazer missão.

Em julho de 2014 parti com a Marta, o Digas, a Luísa, a Carlota e a Lúcia para a Cidade da Praia, em Cabo Verde.

Todos os anos, as missões são previamente preparadas consoante o local de destino e necessidades identificadas e, normalmente, quando os voluntários estão já no terreno, é preciso reformular o plano de atuação de acordo com as propostas que vão chegando.

Nós tivemos a sorte de ser recebidos por uma comunidade muito envolvente e que, ao mesmo tempo, nos permitiu conhecer bem o lado menos turístico de Cabo Verde.

Durante dois meses vivemos em Achada Grande Frente, onde atuávamos diariamente dentro da comunidade e ainda num espaço constituído por jovens voluntários da zona – o Pilorinhu, que tinha a finalidade de dinamizar atividades socioeducativas para diminuir a permanência do tempo que as crianças passavam na rua.

A nossa intervenção passou por apoiar na organização das atividades do centro, dando formação aos voluntários sobre gestão de tempo, competências organizacionais, relações interpessoais e ainda envolvendo a comunidade em diversas formações mais direcionadas para a saúde. A intervenção com as crianças que frequentavam o Pilorinhu envolveu essencialmente atividades de Direitos Humanos, Relações Interpessoais e Resolução de Conflitos, uma vez que se verificaram ser os temas mais necessários a abordar devido às características culturais da população.

Durante os dois meses de missão colaboramos ainda, diariamente, com o Instituto Caboverdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), constituído por centros com diferentes objetivos de atuação. A intervenção com as crianças envolveu objetivos muito semelhantes aos do Pilorinhu e foi ainda possível organizar formação com os técnicos da instituição.

Todo este trabalho desenvolvido permitiu que se verificassem evoluções na comunidade de chegada, mas essencialmente que percebêssemos as mudanças individuais na nossa comunidade de 6 pessoas totalmente diferentes.

A Marta, a nossa mamã, com a sua ponderação, permitia o equilíbrio do grupo. Eu, com a minha organização, mantinha cada coisa no seu lugar. O Digas, com a sua vontade de fazer sempre mais, dava-nos força para continuar todos os dias. A Luísa e a sua música suportavam-nos a todos nos momentos de maior saudade. A Carlota, com o seu carinho e calma evidentes, deixava-nos seguros de tudo o que nos propusemos a fazer. A Lúcia, com a sua alegria e amor constante para distribuir, dava a forma de coração à nossa comunidade.

Os meus ermãos foram os melhores que poderia ter pedido. Todos com as suas características tão diferentes, mas que completaram a nossa comunidade com o melhor de si.

Comigo ficaram as recordações das pessoas, abraços, caras, nomes, sítios, comidas, cheiros, estrelas, momentos que não se descrevem,… Foi com todas estas pessoas que me foi possível aprender a amar independentemente da natureza, cor, cultura, crenças e hábitos.

Ao regressar a Portugal, os pilares que sustentam o GAS’África – Serviço, Comunidade, Oração e Simplicidade – nunca me tinham feito tanto sentido e aí percebi a necessidade de os levar comigo e os aplicar no meu dia-a-dia em Cabo Verde, em Portugal, ou em qualquer outra parte do mundo.

Hoje ainda continuo a frequentar o grupo, renovando todos os anos os meus pilares e, desta forma, fazendo parte de comunidades que sempre serão parte de mim.

Esta foi a melhor experiência da minha vida, que mudou a minha vida, as minhas relações com as pessoas e a forma de eu olhar para o mundo. Voltava a repeti-la, todos os dias, com as mesmas pessoas.

Tenho regressado algumas vezes à Praia para aliviar as saudades e regresso sempre sempre com o coração mais apertadinho. Ganhei tias, irmãos, amigos, sobrinhos e até afilhados. São a minha família de África

 

Neste momento, estou a abraçar vários projetos, tanto em Portugal, como em Cabo Verde. Tenho a certeza que essas histórias serão escritas num próximo capítulo.

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