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O jogo das cadeiras

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Diogo Pereirapor Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

nº 004 | 16/04 | 2016

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As notícias desta semana foram dominadas essencialmente por políticos. Todos eles jogam constantemente ao jogo das cadeiras e nestes dias a música parou várias vezes. Como mandam as regras de cada vez que a música pára todos se sentam. Como há uma cadeira a menos, há sempre alguém que perde o lugar.

Vamos fazer a viagem do Oriente para o Ocidente e perceber quem foram os derrotados. Começando pela Ucrânia, a música parou logo no domingo. Arseni Iatseniuk já tinha quase perdido o lugar no início do ano quando uma moção de censura foi levantada pela oposição, mas desta vez não se escapou. Pressionado pelos partidos da oposição e por alguns dos partidos que o apoiam, Iatseniuk não conseguiu levar a melhor sobre as críticas de que terá sido demasiado meigo no que diz respeito às políticas anti-corrupção.

Já na Europa, a Ministra dos Transportes da Bélgica, Jacqueline Galant, foi afastada do cargo pelo primeiro ministro do seu país porque terá ignorado relatórios da União Europeia que davam conta de falhas graves na segurança dos meios de transporte de Bruxelas. O referidos relatórios serão anteriores aos ataques de março na capital belga o que torna a questão bastante sensível.

Ainda no velho continente, Espanha foi mais um dos países que pararam a música de repente. Quem é que ficou sem cadeira? José Manuel Soria. O Ministro da Indústria tropeçou nas justificações que deu sobre o seu envolvimento no processo The Panama Papers e isso valeu-lhe o afastamento do cargo. Soria negou à imprensa o seu envolvimento no caso depois de o seu nome ser publicado, a seguir confessou não se lembrar de ter assinado os papeis que formalizavam a criação da offshore e, depois de apresentar a sua demissão lá admitiu que saía do cargo “à luz da sucessão de erros cometidos ao longo dos últimos dias na explicação das [suas] atividades empresariais anteriores à [sua] entrada na política em 1995”.

No Reino Unido David Cameron teve que explicar o seu envolvimento nos The Panama Papers fazendo um strip-tease dos seus rendimentos e apontou o dedo àqueles que fizeram comentários “cruéis e falsos” sobre o seu pai que tinha rendimentos no Panamá, dos quais o primeiro-minitro britânico também terá sido beneficiário.

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Putin continua a conviver bem com as notícias sobre o dinheiro que terá no Panamá, e Vargas Llosa, que também viu o seu nome associado a uma empresa assessorada pela Mossack Fonseca, fala em “mal-entedido”.

Dilma Roussef é mais uma jogadora do jogo das cadeiras. A presidente do Brasil está à largos dias à espera que a música pare, sem saber se terá ou não uma cadeira para se sentar. O impeachment parece estar decidido pela destituição de Dilma, mas até domingo – dia em que se conhece o resultado da votação dos 513 deputados – o Partido dos Trabalhadores (PT) continua a tentar angariar aliados. Michel Temmer, o vice presidente do Brasil, não parece ser um dos aliados do PT uma vez que foi revelada uma gravação em que discursa como se estivesse a tomar posse, em jeito de preparação.

No médio-oriente a instabilidade parece continuar a ser a grande dominadora do território sírio. Na passada quarta feira houve a tentativa de realizar eleições que acabaram por ser boicotadas pela oposição e as votações apenas puderam ser realizadas em território dominado pelo governo de Assad, que inclui apenas 60% da população.

Os conflitos eleitorais acabaram por coincidir com a nova ronda de negociações em Genebra, na Suíça, entre a oposição e o governo sírios, mediados pela ONU.

 

FRASE

“É importante que o Japão e os Estados Unidos exercitem a sua liderança na hora de transformar o mundo num lugar mais seguro, impulsionando o desarmamento e a não-proliferação [de armas nucleares]”

John Kerry, secretário de estado dos Estados Unidos da América durante a visita ao memorial de Hiroshima.

NÚMERO

13%

De acordo com uma sondagem realizada em países árabes como Marrocos, Egito, Jordânia ou Arábia Saudita apenas 13% dos jovens apoiariam o Estado Islâmico, mesmo que ele se tornasse menos violento. A ASDA’A, um grupo de relações públicas sedeado em Nova Iorque, conclui ainda que 76% dos jovens árabes inquiridos (entre os 18 e 24 anos) não acreditam que o Daesh será capaz de refundar o califado.

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Sou licenciado em Jornalismo e estou a fazer o mestrado em Relações Internacionais. Quero aprender como gira o globo. Como se fazem e desfazem alianças. Como é que os líderes aprendem com a história. diogopereira@w360.pt