NewsletterA Europa está doente

A Europa está doente

PUB

Diogo Pereirapor Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

nº 006

BANNER NL

Bom dia, vamos olhar para a semana que passou e perceber quais os principais destaques da atualidade internacional.

Começamos por um tema batido, mas que não deixa de sair das parangonas dos jornais. A crise dos refugiados. Não lhe parece um tema estranho, pois não?

Desta vez as notícias chegam do Reino Unido. O Partido Conservador protagonizou mais uma crise egoísta dos britânicos quando decidiu reprovar uma emenda à lei de imigração que permitiria o acolhimento de mais de três mil crianças refugiadas que têm chegado à Europa sozinhas. Na realidade, alguns deputados do partido do governo votaram a favor da alteração da lei o que fez com que a maioria não fosse esmagadora, ainda assim a proposta dos trabalhistas foi recusada para que não funcionasse como “fator de atração” para outros refugiados que têm chegado à Europa.

Ainda na Europa, há mais notícias que nos mostram quão doente está o velho continente. Na Áustria o homem que ganhou a primeira volta das eleições presidenciais é de um partido de extrema-direita, é colecionador de armas e diz abertamente que andar com a sua Glock carregada é a única forma de se sentir seguro dos “tempos incertos” provocados pela crise dos refugiados.

Poucos dias depois de este senhor ficar à frente nas eleições austríacas, o parlamento daquele país aprovou uma lei que restringe os direitos de asilo permitindo que muitos dos requerentes sejam rejeitados logo na fronteira. Como se tudo isto não bastasse, BBC revelou ainda que a Áustria está a ponderar construir um muro na fronteira com Itália. É a Europa que temos…

PUB

Nos Estados Unidos a primeira fase da caminhada em direção à Casa Branca está na reta final. Clinton ganhou na última super-terça feira em quatro dos cinco estados que foram as votos nas primárias do Partido Democrata. Já Donald Trump conseguiu o pleno (ganhou nos 5 estados) e parece cada vez mais claro que vai chegar em primeiro ao fim da corrida. No sprint final o empresário pode até correr mais depressa que os seus dois adversários – que parecem estar unidos para o derrotar -, mas chegar em primeiro pode não bastar. As regras do Partido Republicano são complexas e o vencedor das primárias pode não ser nomeado para a corrida presidencial de novembro. Confuso? O The Guardian explica tim-tim por tim-tim.

Aqui ao lado, em Espanha, Rajoy, Sánchez, Iglesias e Rivera não se entenderam e o rei teve que intervir dando a palavra aos espanhóis que agora terão que decidir, nas urnas, quem serão os próximos protagonistas. Mas os próximos devem mesmo ser os anteriores, sem grandes mudanças. As sondagens mostram que pouco ou nada poderá mudar com o novo sufrágio já agendado para 26 de junho. Como se desata este nó? A ver vamos.

No Brasil também parece não ser claro como vão ficar as coisas se o processo de impeachment terminar com a destituição de Dilma Rousseff. Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e principal responsável pelo avanço deste processo está a ver a sua vida dificultada e pode não chegar ao lugar de vice-presidente de Michel Temer. O Supremo Tribunal Federal abriu dois processos contra ele. Um relacionado com as contas na Suíça e outro com a operação “Lava Jato”.

Cabo Verde teve direito aos seus cinco minutos de fama(…)”. É assim que começa o artigo do jornalista Jorge Araújo que fala sobre o que aconteceu em Cabo Verde, na última terça feira. Na realidade não foram bem 5 minutos, foi um bocadinho mais. Mas vamos aos factos. Um massacre num posto militar a 25 Km da capital onde 11 pessoas morreram (8 militares e 3 civis) foi o motivo para que a pequena ilha saltasse para o topo da atualidade internacional. Especulou-se sobre terrorismo ou tráfico de droga, não se sabe bem quais foram as motivações de Manuel António, militar, que foi capturado e já terá confessado à família a autoria do massacre.

Não há semana que passe sem que falemos de terrorismo. Esta não é exceção.

Em primeiro lugar a Síria: um bombardeamento aéreo perpetrado pelas forças do regime de Assad terá morto 27 pessoas num hospital de Alepo. Ban Ki Moon já veio criticar o sucedido e instou as forças russas e norte-americanas a pressionarem as autoridades sírias para que haja uma investigação independente.

Em segundo lugar, França: Salah Abdeslam já foi transferido de Bruxelas para Paris, onde permanecerá com segurança reforçada, naquela que é a maior prisão da Europa. O homem capturado na sequência dos ataques de novembro em Paris foi prontamente ouvido por um juiz de instrução e o advogado de defesa disse que ele está disposto a colaborar com a justiça.

Na Venezuela a tensão agudiza-se à medida que a crise energética se prolonga. Têm sido notícia as pilhagens a lojas de várias cidades do país e alguns proprietários preferem encerrar a atividade por falta de segurança. Já os funcionários públicos encerram atividade à quarta, quinta e sexta-feira, mas porque são obrigados pelo governo. A partir de agora só trabalham dois dias por semana, para poupar energia, mas os ordenados mantêm-se.

40 anos depois a Coreia do Norte vai ter um congresso do Partido dos Trabalhadores. Não foram adiantados detalhes sobre esta convocatória, para dia 6 de maio, mas a simples convocação de um congresso é notícia pela raridade de tal acontecimento. Quando o último aconteceu o atual líder do país ainda não tinha nascido e serviu para Kim Jong-il, seu pai, ser confirmado como sucessor do grande Kim Il-Sung.

 

A semana que agora termina ficou marcada pelo assinalar dos 30 anos do acidente nuclear de Chernobil, por isso a Euronews falou com o professor Robert Gale que deu apoio às vítimas in loco e afirmou que o tabaco é mais perigoso do que as radiações nucleares. Curioso? Veja aqui a entrevista.

Ainda dentro da temática nuclear, a Rádio Renascença visitou a central nuclear de Almaraz que está em Espanha, a 100 Km de Portugal.

Antes de terminar, deixo o link da BBC onde é possível ver a reportagem do jornalista Jon Sopel que apanhou boleia… no Air Force One, o avião de Barack Obama. Quer saber como é por dentro? Apenas uma dica: há M&M´s especiais…

Bom fim de semana e até ao próximo sábado, ao meio dia.

ROSTO

trump

Contra todas as previsões Donald Trump segue na frente da corrida dos republicanos. O tresloucado magnata do imobiliário enfrenta agora os momentos cruciais para saber se elege o número de delegados suficientes para ganhar a nomeação do seu partido. É que, mesmo ganhando a corrida Trump pode perder a nomeação. As regras do Partido Republicano são complexas e, em última análise, até alguém que não tenha estado nas primárias pode ser nomeado candidato presidencial.

FRASES

“Vocês sabem perfeitamente que esse processo tem um pecado original, o presidente da Câmara”

Dilma Rousseff, presidente do Brasil, referindo-se a Eduardo Cunha, Presidente da Câmara dos Deputados, como principal responsável pelo processo de impeachment.

“O que é que ele ainda aqui está a fazer?”

Donald Trump, referindo-se aos maus resultados de John Kasich, seu adversário nas primárias republicanas e tido como o mais moderado.

“É um pequeno imbecil de Molenbeek que vem da pequena criminalidade, mais seguidor do que líder. Tem a inteligência de um cinzeiro vazio e tem uma abissal vacuidade. É o exemplo perfeito da geração GTA que acredita viver num videojogo”

Sven Mary, antigo advogado de Salah Abdeslam, em declarações ao jornal francês Libération. Mary deixou de ser o defensor do alegado terrorista dos atentados de Paris depois de ele ser extraditado para França.

NÚMERO

33.000

Mais de 33 mil civis foram mortos ou ficaram feridos em detonações de engenhos explosivos e bombas em 2015 o que corresponde a um aumento de mais de 50% de pessoas nos últimos cinco anos. Dados disponibilizados pelo The Guardian, num estudo ao qual teve acesso em exclusivo.

Encontrou algum erro ou informação desatualizada? Sugira uma correção ao autor: diogopereira@w360.pt
Artigos Sugeridos

Sou licenciado em Jornalismo e estou a fazer o mestrado em Relações Internacionais. Quero aprender como gira o globo. Como se fazem e desfazem alianças. Como é que os líderes aprendem com a história. diogopereira@w360.pt