NewsletterPara onde caminhas tu, Europa?

Para onde caminhas tu, Europa?

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Diogo Pereirapor Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

nº 011


FRASES

“Tenho preferência por um candidato. Ou melhor, devo dizer candidata”

Jean-Claude Juncker, declarando apoio a Clinton nas eleições americanas

“Acordo todas as manhas numa casa que foi construída por escravos e hoje vejo as minhas filhas, duas inteligentes meninas negras, a brincar no seu relvado”.

Michelle Obama no discurso em que declarou apoio a Clinton na Convenção democrata

“A Turquia não está em qualquer posição de se tornar Estado-membro [da UE] tão cedo”.

Mevlüt Çavuşoğlu, chefe da diplomacia turca, dando a entender que a União Europeia não está interessada na entrada da Turquia

“Três milhões de sírios, ou pessoas do Iraque, estão agora na Turquia. (…) A União Europeia não cumpriu aquilo que prometeu nesta matéria”

Recep Tayyip Erdogan, presidente turco apontando o dedo aos países europeus por alegadamente não cumprirem o acordo sobre os refugiados assinado em março entre Ancara e Bruxelas

“A Hungria não precisa de um só imigrante para que a sua economia funcione ou para apoiar a população do país, ou para que o país tenha um futuro.”

Viktor Orban, primeiro ministro da Hungria, no mesmo discurso em que declara apoio a Trump

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“A minha intenção era criar uma clássica válvula de segurança que estivesse ali, mas que nunca fosse usada. É como ter um extintor que nunca deveria ser usado. Mas em vez disso deflagrou um incêndio.”

Giuliano Amato, ex-primeiro-ministro italiano e um dos principais redatores da Constituição Europeia sobre o artigo 50º do tratado de Lisboa.

Bom dia, sejam bem vindos a mais uma Newsletter semanal do W360.PT.

De formas cada vez mais artesanais e menos previsíveis, os atentados terroristas continuam a marcar a atualidade europeia. Durante esta semana quase não houve um dia em que não tenhamos ouvido falar de degolações, sequestros e bombas. França continua a ser o país mais fustigado. Num ataque a uma igreja, um padre foi brutalmente degolado, em frente a uma freira que contou à RFI o que presenciou.

O principal desafio da Europa é precisamente encontrar uma solução para o período de tensão que se vive e para o possível alarme social que já começa a fazer-se sentir. E se por um lado as autoridades e governantes francesas alimentam um processo de passa culpas, os media franceses já tomaram medidas e anunciaram que vão deixar de transmitir imagens de terroristas e a Europe 1 decidiu nem sequer revelar os nomes dos atacantes.

Angela Merkel é uma das líderes europeias que tem estado debaixo de fogo por causa das políticas pro-refugiaos que a extrema-direita associa aos ataques terroristas. Nesta semana a líder alemã afirmou que não vai recuar um milimetro nas suas políticas.

O Reino Unido ainda não ativou o artigo 50º do Tratado de Lisboa, mas as negociações para chegar a um acordo já começaram. No início desta semana, The Guardian dava conta de uma convergência de opiniões dos líderes dos estados membros. À exceção de França, Polónia e outros estados membros não nomeados da Europa central e de leste todos os países europeus estarão de acordo em deixar o Reino Unido abdicar da livre circulação mantendo o acesso ao mercado comum num período que pode ir até sete anos. Este acordo terá ainda prevista a continuação da participação do Reino Unido no orçamento Europeu, mas com participações mais baixas.

Turquia e União Europeia estão em clima cada vez mais tenso. Depois do golpe de estado falhado do passado dia 15 de julho as detenções em massa não têm parado, o regime de Erdogan suspendeu a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e pode estar para breve um restabelecer da pena de morte. A troca de galhardetes tem sido intensa e Erdogan fez uma acusação grave: A UE não estará a cumprir o acordo de março sobre os refugiados. De acordo com o presidente turco, o seu país já gastou mais de 12 mil milhões de euros com refugiados, mas a UE ainda só transferiu dois mil milhões.

A edição dos Jogos Olímpicos de 2016 parece ser muito mais do que desporto. Para começar realizam-se num dos países mais inseguros e desiguais do mundo e que atravessa uma crise política sem precedentes. Com um presidente interino suspeito em dezenas de crimes de corrupção (como, aliás, a maior parte dos deputados); uma presidente em processo de impeachment, também a ser investigada por suspeitas de crimes relacionados com a gestão orçamental do país; atrasos gigantes nas entregas dos equipamentos desportivos que servirão de palco às mais diversas modalidades; o virus Zika e, cereja no topo do bolo: os locias onde vão decorrer as provas em águas abertas estão completamente poluídas. Um especialista ouvido pelo Diário de Notícias afirma mesmo que os atletas vão nadar, literalmente, em “fezes humanas”. The New York Times tentou perceber (2) “quem anda a poluir as àguas do Rio”.

Nos Estados Unidos foi semana de Convenção Democrata. Depois de Trump ter sido nomeado na semana anterior como candidato à Presidência dos EUA pelo partido Republicano, Hillary Clinton viu esta semana a sua candidatura ser formalizada. A antiga Secretária de Estado e Senadora teve o apoio do seu rival interno Bernie Sanders e agoa tem que lutar pelo seu lugar na Casa Branca, uma vez que as sondagens apontam para um empate técnico.

Em Espanha ainda não está resolvido o impasse no governo central, o Rei recebeu esta semana os líderes de todos os partidos e Rajoy não foi claro quanto a aceitar a investidura, mas vai procurar apoios, enquanto isto intensifica-se o braço-de-ferro na Catalunha. Numa entrevista ao Britânico The Guardian o chefe da diplomacia da Catalunha e a presidente do Parlamento, mostram a sua vontade em negociar com o governo central, mas garantem que os seus pedidos não têm retorno, assegurando que o processo de secessão vai avançar com ou sem o aval de Madrid.

Na Síria, o apoio Russo parece estar a dar frutos e Assad está perto de controlar a cidade de Alepo. De acordo com as tropas sírias estão fechados todos os acessos que servião para abastecer de armas e mantimentos os rebeldes que ainda controlavam a zona leste da cidade e também a Aljazeera afirma que o regime sírio está a progredir no terreno mais e mais a cada dia.

Chega assim ao fim o alinhamento das notícias, mas não deixem de passar os olhos pelo rosto, as frases e os números da semana.

Até para a semana

ROSTO

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Hillary Clinton foi primeira dama, senadora e secretária de estado. Agora está a um passo de se tornar na próxima presidente dos Estados Unidos ao ser nomeada pelo partido democrata para a corrida à Casa Branca que terá que travar com Donald Trump.

NÚMEROS

9

Em média morreram nove pessoas por dia no conflito do Afeganistão de acordo com missão das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA). Esta é a média mais alta de vítimas desde que a UNAMA começou a fazer registos em 2009. Um terço das vítimas serão crianças.

24

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, o Daesh executou 24 civis depois de tomar a aldeia Boueir, a dez quilómetros a nordeste de Minbej.

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Sou licenciado em Jornalismo e estou a fazer o mestrado em Relações Internacionais. Quero aprender como gira o globo. Como se fazem e desfazem alianças. Como é que os líderes aprendem com a história. diogopereira@w360.pt