A escolha americana

012

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Diogo Pereirapor Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

nº 012


FRASES

“Nem a Alemanha nem a Europa podem em qualquer caso deixar-se chantagear [pela Turquia]”

Sigmar Gabriel, vice-chanceler alemão, em resposta às declarações do presidente turco que ameaçou denunciar o acordo entre a UE e a Turquia para os refugiados.

“Não sou rancoroso, mas tenho boa memória”

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, numa entrevista ao britânico Telegraph em que admitiu ter uma lista negra das pessoas que o traem.

“O nosso nível de ameaça é “severo” há dois anos — e mantém-se assim. Isto significa que um ataque é muito provável — poderia dizer-se que é uma questão de quando, não se.”

Bernard Hogan-Howe, responsável máximo da polícia britânica confessando que o Reino Unido espera um ataque terrorista

“Não há lugar em França para os que apelam ao ódio (…) Fechámos duas dezenas de mesquitas e espaços de oração e vamos fechar outros, tendo em conta as informações de que dispomos.”

Bernard Cazeneuve, ministro do interior francês anunciando que vai continuar a fechar mesquitas no país e a deportar imãs muçulmanos que, de acordo com as autoridades francesas, apelam ao ódio.

“Com o seu ‘não’ de hoje mantém-se o bloqueio e isso leva-nos a terceiras eleições”

Mariano Rajoy, líder do Partido Popular espanhol avisando Pedro Sanchéz, líder do Partido Socialista Operário Espanhol e seu principal adversário que se continuar a recusar acordos o país vai para novas eleições. As terceiras.

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“Para aqueles que são assassinados com uma faca no coração, não interessa se a criança tem 12 ou 15 anos”

Anat Berko, deputada do partido do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, justificando a nova “Lei da Juventude” que passa a permitir que crianças a partir dos 12 anos possam ser presas por crimes de terrorismo

“Ouve Putin, nós iremos até à Rússia e vamos matá-los nas vossas casas. Irmãos, realizem a jihad, lutem e matem-nos”

voz-off de um vídeo do Estado Islâmico onde prometem represálias ao povo russo pelo apoio ao regime de Assad.

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O final do mês de julho formalizou aquilo que já se esperava à algum tempo: Trump e Clinton são os principais candidatos a assumir a presidência dos Estados Unidos da América em janeiro de 2017. Mas antes desse momento chegar é preciso percorrer um caminho complexo que é o caminho da campanha eleitoral e, mais complexo ainda, o caminho do sufrágio propriamente dito.

O sistema eleitoral dos EUA é complexo e pode não bastar ter mais votos para ganhar. Exemplo disso foi a controversa primeira eleição de George W. Bush que tendo menos votos acabou por assumir o cargo. É por isso que as sondagens nos devem deixar preocupados. O lunático Donald Trump já esteve à frente e, embora a semana que passou nos tenha trazido a notícia de um avanço assinalável de Clinton, está em cima da mesa a possibilidade de Tump ser o próximo presidente dos Estados Unidos.

Na Venezuela continua uma das maiores crises dos últimos anos (não deixe de ver a reportagem da BBC sobre a crise venezuelana que partilho nos Imperdíveis). Para combater a escassez de alimentos, o presidente Nicolas Maduro aprovou uma lei que obriga as empresas publicas e privadas a cederem funcionários para trabalharem no campo. A lei não é pacífica e a Amnistia Internacional já veio dizer que pode ser considerada “trabalho forçado”.

O tópico armas continua na ordem do dia nos Estados Unidos. Têm sido muitos os ataques violentos nos últimos anos, e essa é uma das principais justificações para a permissão que o estado do Texas passa a dar aos seus estudantes que estão desde o início da semana autorizados a transportar armas para as aulas. Precisam de ter mais de 21 anos e licença de uso e porte de arma. Embora tenha encontrado muitas oposições, a lei acabou mesmo por avançar com a aprovação do governador republicano do Texas Greg Abbott.

Não há melhor expressão do que a tão portuguesa “nem ata nem desata” para descrever a situação política que se vive em Espanha. Rajoy esteve reunido com todos os líderes partidários e propôs uma coligação alargada a Sanchéz. O líder do PSOE não aceitou dizendo que vai ser oposição e que cabe ao líder do PP encontrar uma solução para governar. Rajoy ameaçou com a possibilidade de novas eleições que seriam as terceiras. Como se tudo isto não bastasse Bruxelas já veio alertar que se Espanha não entregar uma proposta de orçamento de estado até 15 de outubro será multada em 6.100 milhões de euros.

Na semana em que começaram os Jogos Olímpicos do Brasil, há notícias novas da política. Dilma deu uma conferência de imprensa em que propõe a realização de um referendo para saber se os brasileiros querem novas eleições. A presidente afastada do cargo pelo processo de impeachment acredita – talvez motivada pelas sondagens – que os brasileiros querem novas eleições e garante que o processo será para avançar mesmo que se prove que ela não cometeu qualquer crime e volte ao lugar de presidente do Brasil. Para conseguir levar a sua avante Dilma precisa de convencer pelo menos 27 senadores.

Outro dos protagonistas da crise política brasileira é o emblemático presidente Lula que falou pela primeira vez desde que Dilma foi afastada. O antigo presidente do Brasil garante que vai concorrer às próximas eleições presidenciais do país. Às acusações de tráfico de influência responde que “fez exatamente o mesmo que os presidentes dos Estados Unidos, de França, Inglaterra e Portugal”.

Os Jogos Olímpicos foram declarados abertos ontem, no Rio de Janeiro, pelo presidente interino Michel Temer. E como a maior competição do mundo é muito mais do que desporto, há que destacar a participação dos atletas refugiados que, pela primeira vez, não tendo uma nação viável para participar na competição, podem competir. Foram uma das comitivas mais aplaudidas na cerimónia de abertura.

Os ataques dos lobos solitários continuam a ensombrar a Europa. Na quinta-feira de manhã acordámos com a notícia de mais um. Depois das autoridades revelarem que o país estava à espera de ser atacado, e depois de aumentarem o número de polícias nas ruas, Inglaterra também teve um ataque. Um jovem de 19, alegadamente com problemas mentais esfaqueou até à morte uma mulher de 60 anos e deixou mais cinco pessoas feridas em Russell Square, no centro de Londres.

Ainda no campo do terrorismo e sustentada precisamente no combate aos ataques que têm levado a vida a centenas de pessoas, o governo francês já fechou 20 mesquitas e expulsou mais de 80 imãs. O ministro do interior francês justificou a medida com os “discursos contrários aos valores da república” que seriam proferidos nestes locais de culto.

Antes de passar à próxima mensagem não deixe de dar uma vista de olhos nas frases da semana, no rosto, nos números e, claro, nos imperdíveis. Eu volto na próxima semana. Até lá.

ROSTO

francis

O líder máximo da Igreja Católica esteve em Cracóvia, um dos lugares com piores recordações da história recente da Europa, e falou ao jornalistas sobre o terrorismo islâmico. O Papa Francisco fez questão de separar as águas e distinguir islamismo de terrorismo e anunciou ainda a criação de uma comissão para estudar a posição das mulheres  na Igreja Católica.

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NÚMEROS

42.300

Número de menores refugiados que chegaram sózinhos à Alemanha e que o país acolheu de acordo com o Gabinete Federal de Estatísticas da Alemanha.

80

Número de imãs que já foram expulsos de território francês por proferirem “discursos contrários aos valores da república”, de acordo com as autoridades francesas.

3.100

De acordo com a Organização Internacional para as migrações morreram 3100 migrantes no Mediterrâneo, o dobro de igual período do ano passado.

20

A polícia turca terá detido 20 suspeitos de terem ligações ao grupo terroristas Estado Islâmico numa operação que decorreu na cidade de Adana, no sul da Turquia.

189

Este é o número oficial de pessoas que morreram no Japão por excesso de trabalho em 2015, avançados por The Washington Post. A doença chama-se Karoshi e, quando compravada dá direito a indemnizações às famílias das vítimas. Os números reais de mortes por Karoshi não são calculáveis, mas especialistas acreditam que podem ser na ordem dos milhares.

IMPERDÍVEIS

Nos imperdíveis desta semana damos-lhe a conhecer uma reportagem da BBC que mostra as consequências da crise na Venezuela, um país onde há fome. Mostro-lhe também uma reportagem do espanhol El Mundo que nos conta a história das mães que têm que vender os seus filhos para sobreviver no Irão. No português Observador conhecemos melhor a história da Turquia, mais um país em estado de sítio.

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