Guterres avisa: “ONU deve preparar-se para mudar”

Nº23

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Diogo Pereirapor Diogo Pereira
diogopereira@w360.pt

nº 023


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Bom dia, cá estou para mais uma Newsletter semanal do W360.PT!

A semana vista a partir de Portugal tem uma clara notícia de destaque: António Guterres jurou a carta das Nações Unidas. Talvez haja notícias mais importantes, mas para nós esta é a mais importante porque Guterres é português e porque esperamos que as suas características, que o destacam enquanto diplomata, ajudem o mundo a girar mais tranquilamente.

Só no dia 1 de janeiro é que o antigo primeiro ministro de Portugal substitui Ban Ki-moon no cargo, mas a passada segunda feira serviu para Guterres jurar a carta das Nações Unidas e apontar as suas linhas estratégicas para o mandato de 4 anos que tem pela frente: reformar as Nações Unidas, reconstruir as relações entre as pessoas e os líderes e apostar na prevenção de conflitos. O novo secretário-geral da ONU avisou ainda que as Nações Unidas têm que se preparar para mudar.

Mas se a nossa lente não tivesse os pés em Portugal, o juramento do novo líder das Nações Unidas seria obviamente destacado, mas apenas depois de falarmos na situação absolutamente dramática que se vive na Síria.

A semana começou com o anúncio de uma vitória para o regime sírio. De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos as forças governamentais já controlam 90% do território do leste de Alepo.

A retirada pelos corredores humanitários não tem sido pacífica, sendo várias vezes interrompida. Na quarta feira um sniper – alegadamente afeto ao regime sírio – disparou na direção das ambulâncias da Cruz Vermelha matando uma pessoa e deixando vários feridos.

O mundo de Trump segue a todo o vapor. Durante a semana que passou o novo presidente dos Estados Unidos escolheu um milionário dono de uma petrolífera com excelentes relações com a Rússia para ser secretário de estado do país e um advogado, sem experiência diplomática, alinhado com a extrema direita israelita e que defende que não seria ilegal a cisjordânia, como embaixador dos Estados Unidos em Israel.

No entanto Trump só conseguirá formar a sua equipa se os membros do Colégio Eleitoral o nomearem… mas isso pode não acontecer. De acordo com um professor de Harvard que tem estado a dar aconselhamento jurídico aos faithless electors há já 30 eleitores republicanos que vão votar contra a investidura do magnata, fundamentando a sua posição com a falta de experiência do novo presidente, e com a possibilidade, levantada pela CIA, de ingerência da Rússia nas eleições americanas.

Ainda sobre a ingerência russa, Obama veio a público dizer que já falou pessoalmente com Putin sobre o assunto e que “quando um governo estrangeiro tenta intrometer-se na integridade das nossas eleições, temos de agir”.

Michel Temer conseguiu uma importante vitória para o seu governo, mas que colocou de novo os brasileiros nas ruas, com protestos em várias cidades do país. Em causa está um plano de austeridade para 20 anos, com cortes substanciais na saúde e na educação. Para conseguir levar a cabo este plano, o vice de Dilma teve que alterar a constituição precisando para isso de, pelo menos, 49 senadores. Conseguiu 53.

Rodrigo Duterte é cada vez mais conhecido internacionalmente. Na perseguição que tem levado a cabo contra a droga – incitando polícia e população a matar traficantes – o presidente filipino confessou publicamente que, ele próprio, matou traficantes quando era autarca

Na Venezuela, a crise que assola o país parece não ter fim à vista. Para a combater o presidente Nicolás Maduro tirou um novo coelho da cartola: retirar de circulação as notas de 100 bolívares, as de valor mais elevado no país. O objetivo do presidente é travar as máfias colombianas que estarão a guardar estas notas em armazéns para desestabilizar a economia do país. E estas mesmas máfias estarão também a vender a preços exorbitantes alguns produtos financiados pelo estado venezuelano, o que, de acordo com Maduro, estará a prejudicar a economia do país. Solução? As fronteiras entre os dois países estiveram fechadas.

FRASES

“Que as palavras sejam as únicas armas dos colombianos”.

Rodrigo Londoño (Timochenko), comandante máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), celebrando a assinatura da segunda versão do acordo de paz com o governo colombiano.

“Este novo acordo é melhor do que aquele que assinámos em Cartagena porque as esperanças e opiniões da maioria das pessoas foram ouvidas”

José Manuel Santos, Presidente Colombiano e Nobel da Paz reagindo à segunda versão do acordo de paz para a Colômbia

“Durante a campanha eleitoral de Trump as suas declarações sobre a luta contra o terrorismo e a ingerência em outros países para derrubar governos… foram muito claras. No entanto, depende da sua vontade continuar esse caminho.”

Bashar al Assad, em entrevista ao El Mundo

“Do seu país natal até à Síria, passando pelas eleições presidenciais norte-americanas, o dirigente russo continua a alcançar os seus fins”

Revista Forbes, ao considerar Putin o homem mais poderoso do mundo pelo quarto ano consecutivo

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“Eu costumava [matar traficantes] pessoalmente. Apenas para lhes mostrar [às forças policiais] que, se eu posso, porque não podem vocês?”

Rodrigo Duterte, presidente das Filipinas admitindo que ele próprio matou traficantes de droga quando era autarca em Davao

“Penso que não há dúvidas de que, quando um governo estrangeiro tenta intrometer-se na integridade das nossas eleições, temos de agir e vamos agir, num momento e local à nossa escolha. Parte [dessa ação] pode ser explícita e publicitada. Outra parte não. Temos de agir e vamos agir.”

Barack Obama sobre as suspeitas de ingerência russa nas eleições dos Estados Unidos

ROSTO

duterteRodrigo Duterte
O presidente das Filipinas tem sido destacado constantemente pela perseguição que tem feito ao tráfico de droga incentivando polícias e população a matarem os traficantes que lhe apareçam pela frente num regime de vale tudo. Como se isto não fosse suficiente para ser destacado, esta semana Rodrigo Duterte admitiu que tinha morto traficantes com as próprias mãos quando era autarca.

NÚMEROS

18

Número de anos de prisão a que o tunisino Mohammed Ali Malek foi condenado depois de ter sido responsabilizado pela morte de mais de 700 migrantes que tentavam chegar a Itália. Ali Malek era, de acordo com o tribunal de Catania, em Itália, o capitão da pequena embarcação e a quem os migrantes de países como Mali, Senegal, Etiópia, Somália ou Egito compraram as viagens que os conduziria à morte.

10

A cada dez minutos morre uma criança no Iémen vítima de fome, alerta a UNICEF.

259

Número de jornalistas presos em todo mundo apenas em 2016. Desde 1990 que o número não era tão elevado e, de acordo com o Comité para a Proteção dos Jornalistas (que divulga os dados) a China e a Turquia são os casos mais preocupantes nesta área.

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