Câmaras escondidas continuam a ser um problema grave no Airbnb

Multiplicam-se os casos de hóspedes que encontram câmaras escondidas em alojamentos do Airbnb e a empresa não consegue encontrar uma solução para o problema.

Logotipo do Airbnb no ecrã de um telemovel fotografado dentro de uma sala
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Já não é a primeira vez que clientes do Airbnb vêm a público relatar casos em que foram encontradas câmaras dentro de acomodações. No final do mês de março voltou a acontecer. Um casal americano que queria passar um fim de semana romântico, alugou um quarto através da plataforma de alojamento local na pequena cidade californiana de Garden Grove, nos Estados Unidos.

“Queríamos ter uma noite de privacidade, fugindo da rotina”, disse Christian Aranda, explicando que escolheu aquele alojamento no Airbnb por ser classificado como “aconchegante e romântico”.

No local, contam à ABC, encontraram uma câmara escondida num detetor de fumo apontada diretamente para a cama. “É repugnante haver pessoas a gravarem a nossa intimidade. Ainda por cima eles têm este espaço identificado como romântico no Airbnb”, lamentou.

Depois de fazerem queixa à polícia, as vítimas foram informadas de que não tinha sido cometido qualquer crime porque, embora fosse verdade que havia uma câmara dissimulada no quarto, ela estava desligada e nada tinha sido gravado.

Logotipo do Airbnb no ecrã de um telemovel fotografado num quarto
Airbnb é usado por milhões de pessoas em todo o mundo. Foto de Pixabay

Christian Aranda e Alondra Salas foram então pedir justificações diretamente ao proprietário do alojamento que se recusou a responder a quaisquer perguntas, sugerindo que contactassem diretamente o seu advogado, sem qualquer fornecimento de contacto.

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“A segurança e a privacidade da nossa comunidade, tanto online como offline, é a nossa prioridade. As políticas do Airbnb proíbem câmeras ocultas nos regulamentos e levamos muito a sério as denúncias de violações. A plataforma reembolsou completamente a senhora Salas com base nas informações relatadas. O Airbnb tem mais de 500 milhões de visitantes e até agora os incidentes são muito raros”, esclareceu a plataforma digital num comunicado oficial.

O casal afetado pela situação não ficou satisfeito e pondera avançar com uma ação judicial contra o Airbnb. “Eles precisam de fazer alguma coisa para combater este tipo de situações, porque não fomos só a nós a estar naquele lugar com as câmaras, pelo menos mais 24 pessoas deixaram comentários no site, o que significa que podem ter sido filmadas”.

De acordo com a Travel and Leisure, o Airbnb está constantemente à procura de filmagens feitas nas propriedades disponíveis na plataforma em sites de criminosos e de exposição sexual. Se um dos proprietários dos seus alojamentos for identificado, será banido até que sejam apuradas responsabilidades. Contudo a plataforma não informa sobre quantos casos de afastamento já terão acontecido na sequência deste tipo de incidentes.

Em alguns casos o Airbnb mostra-se errático na forma como lida com câmaras escondidas. De acordo com a revista americana The Atlantic, num caso particular a empresa sugeriu a uma cliente que conversasse diretamente com o dono do alojamento para saber se tinha ou não sido filmada. Esta prática está frontalmente contra o regulamento do Airbnb.

Site do Airbnb no ecrã de um computador
Airbnb tem tido dificuldades para lidar com estes incidentes. Foto de Cláudia Paiva

Deixar de usar o Airbnb pode ser a opção que os viajantes colocam em cima da mesa depois de verem relatados tantos casos como estes, mas há outros caminhos.

Julian Oliver é um informático americano e construiu recursos digitais capazes de acabar com o pesadelo de se poder ser filmado durante uma estadia com familiares ou amigos em casas do Airbnb. “Fiquei muito horrorizado ao ler sobre tantas pessoas (particularmente mulheres) que tiveram a sua privacidade violada”, começou por dizer a um website sobre informática para justificar a sua ideia.

A ferramenta não é muito fácil de usar, pois trata-se de um script, uma espécie de código informático, que os utilizadores podem usar para detetar câmaras de vigilância ligadas a uma rede wi-fi, podendo desativá-las.

Para o usar não é necessário saber a senha da internet, mas é preciso saber que ela existe, ou seja, não pode ser uma rede oculta. Para pôr o recurso em funcionamento é necessário ter alguns conhecimentos de informática, uma vez que é necessária uma linha de comando para o código ser interpretado.

Em alternativa, Oliver também desenvolveu um dispositivo que se liga ao computador e que faz exatamente o mesmo que o código informático, mas com um custo associado.