Inteligência artificial. Aeroportos europeus vão ter detetores de mentiras

Um robô com inteligência artificial capaz de deter mentiras nos passageiros está a ser testado em aeroportos da Hungria, Letónia e Grécia.

Cancelas de segurança fechadas no aeroporto com o sinais se sentido proibido. Imagem por djedj na Pixabay
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Já estão a ser testados em aeroportos da Hungria, Grécia e Letónia rôbos capacitados com inteligência artificial que serão capazes de saber se um passageiro está a falar verdade o a mentir. O projeto piloto pode vir a ser testado em mais aeroportos da União Europeia (UE).

Um passageiro que entre na UE através de um destes aeroportos pode ter que se sujeitar a uma entrevista com uma máquina que lhe fará perguntas sobre a sua viagem. Através das expressões faciais o robô vai perceber se o passageiro está a dizer a verdade ou a mentir e vai mudando a orientação das perguntas assim como o tom de voz consoante as respostas dadas. No caso de identificar um possível mentiroso, um agente de carne e osso entra em ação para um interrogatório mais convencional.

Numa primeira fase a máquina vai “pedir à pessoa que confirme o nome, idade e data de nascimento e vai perguntar qual o objetivo daquela viagem e quem a está a financiar”, disse  Keeley Crockett, da inglesa Manchester Metropolitan University, em declarações à BBC.

Zona de inspeção de segurança com máquinas de raio-x no Aeroporto. Foto de Politikaner
Detetores de mentiras podem vir a fazer parte da zona de inspeção de segurança dos aeroportos. Foto de Politikaner

Os testes piloto que estão a ser levados a cabo ainda não produziram conclusões, mas já há quem se preocupe com questões ligadas à privacidade e à transferência de tarefas habitualmente desempenhadas por humanos a máquinas.

Para Frederike Kaltheuner, da Privacy International, esta é “uma ideia terrível”. “Isto é parte de uma tendência mais ampla no sentido de usar sistemas automatizados opacos e muitas vezes deficientes para julgar, avaliar e classificar pessoas”.

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Antes de esta tecnologia, avaliada em 4,5 milhões de euros, começar a ser testada nestes três países, houve experiências que submeteram 32 pessoas ao robô da verdade e os especialistas garantem que a taxa de sucesso foi de 85%. Ainda assim, algoritmos anteriores desenvolvidos pela IBM e Microsoft revelaram-se menos precisos quando os avaliados eram mulheres ou pessoas com pele escura o que, para alguns críticos, se revelava uma “tecnologia desenvolvida com preconceitos”.

“Mesmo que as taxas de erro aparentemente sejam pequenas, isto significa que milhares de pessoas vão ter que passar a provar que são honestas, apenas porque alguns softwares dizem que são mentirosos”, conclui

“Mesmo taxas de erro aparentemente pequenas significam que milhares de pessoas agora têm que provar que são pessoas honestas, apenas porque alguns softwares dizem que são mentirosos”, conclui Frederike Kaltheuner com preocupação.

Ainda no campo da segurança aérea, foi recentemente levantada a possibilidade de a proibição de líquidos em quantidades superiores a 100ml vir a ser eliminada. Saiba mais clicando aqui.