Há milhares de placas destas em Berlim, mas poucos sabem o significado

Espalhas por várias cidades alemãs e outras tantas cidades europeias, 70 mil placas metálcas surgem nas calçadas sem que muitos saibam o que são.

Stolpersteine em Berlim placas de homenagem aos judeus violentados pelo regime nazi - Sabriny Santos
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O dia 9 de novembro de 1938 é considerado por muitos historiadores como o ponto de partida efetivo para o holocausto quando, à noite, o caos tomou conta de algumas das principais cidades alemãs.

Terão morrido 91 judeus às mãos de milhares de nazis que espontaneamente decidiram atacar aquela comunidade sem que as autoridades alemãs interviessem. Muitos dos judeus que não morreram acabaram por ser presos ou transferidos para campos de concentração, naquela a que é comum chamar-se a Noite dos Cristais.

A 9 de novembro de 2018 começaram a surgir flores e velas nas calçadas de Berlim. Completavam-se 80 anos desde a fatídica noite que viria a mudar o rumo da história mundial.

A verdade é que as flores não estavam simplesmente no chão, estavam junto a uns cubos de cimento, forrados com uma placa metálica e entremeados na calçada berlinense. Na chapa lê-se “hier wohnte” que em alemão significa “aqui morava”, antecedido de um nome, data de nascimento, data de deportação, local de prisão e um destino.

Stolpersteine em Berlim placas de homenagem aos judeus violentados pelo regime nazi - Sabriny Santos

Aqueles dados pessoais dizem respeito a judeus, cada uma daquelas pedras tem o objetivo de homenagear uma vítima do regime nazi e é estrategicamente colocada no chão, de forma discreta, porque discreta também foi a atuação de milhares de alemães que foram obrigados a conviver com tais atrocidades.

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As “stolpersteine” que em alemão significa “pedras de tropeço”, são assentadas junto às últimas residências da vítimas homenageadas e incluem palavras como “Überlebt“, que significa “sobreviveu”, “Ermordet” (assassinado), “Flucht in den tod” (morto a tentar fugir) ou “Freitod” (suicidou-se).

São mais de 70 mil stolpersteine espalhadas por 24 países em toda a Europa, transformando esta ideia do artista alemão Gunter Demnig, no maior memorial descentralizado do mundo.

Mas esta não é uma iniciativa pacífica e isenta de críticas, muitas comunidades judaicas de Munique conseguiram que estas pedras fossem proibidas nas ruas daquela cidade alemã. “As pessoas assassinadas no Holocausto merecem muito mais do que uma placa no local mais imundo da cidade, o chão”, criticou a líder judaica Charlotte Knobloch ao jornal alemão The Local.

Para saber a localização de todas as stolpersteine em Berlim, clique aqui.

Foto de Sabriny Santos