Duomo de Milão. 500 anos depois da primeira pedra, foi acabada à pressa

O Duomo de Milão demorou quase cinco séculos a estar pronta, mas foi acabada à pressa porque Napoleão queria um sítio bonito para ser coroado

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As evoluções tecnológicas dos últimos séculos permitiram aos seres humanos serem cada vez melhores nas suas conceções. A engenharia deu passos que nunca tinha dado e muitas vezes achamos que somos a sociedade mais evoluída que já existiu. Apesar de tudo isto ser verdade, como é possível não deixarmos de nos impressionar de cada vez que estamos em presença de uma obra como o Duomo de Milão?

É o coração desta cidade italiana. Qualquer visita tem que começar ou acabar aqui. A Praça da Catedral está constantemente repleta seja de italianos que fazem a sua vida diária passar por aqui, seja por turistas que vêm cá com o objetivo único de visitar os monumentos da cidade. Este também é um bom sítio para passear à noite e a catedral também é um espanto quando está iluminada, mas precisamos mesmo de caminhar em direção à porta principal.

É provavel que no percurso até à entrada seja difícil pôr os olhos no chão. A fachada rendilhada parece saída das mãos de um ourives tal é o nível de detalhe. São muitos os pormenores que fazem do Duomo um dos melhores exemplares da arquitetura gótica. Começam nas paredes e vão até à floresta de estátuas e pináculos que vivem no topo do edifício. A partir do chão já se revelam impressionantes, lá em cima parece que estamos a caminhar numa pequena cidade cheia de construções.

O pormenor é aguçado, mas por incrível que pareça é também apressado. A construção da catedral durou quase 500 anos, mas a fachada teve que ser acabada em tempo record por imposição de Napoleão. Quando chegou a Milão, o líder militar francês quis ser coroado rei de Itália aqui e exigiu que a fachada fosse terminada em apenas sete anos. Afinal, depressa e bem há quem…

Se a engenharia hoje se vira para desafios quase egocêntricos quando projeta obras das dimensões da Catedral de Milão, neste tempo não era muito diferente, mas havia um propósito que ajudava a disfarçar: a adoração a Deus. Foi precisamente por este propósito que o interior sombrio mas majestoso da Catedral foi decorado com grandes quadros que representam várias cenas ligadas à religião. As gigantescas colunas também serviram para enquadrar os esqueletos de diferentes santos que estão vestidos com roupas de gala.

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Preparar uma viagem com atenção a todos os detalhes pode ser uma missão impossível e tirar toda a espontaneidade que permitem conhecer verdadeiramente uma cidade, mas o ícone máximo de Milão fôr a maior razão desta há uma data muito específica que deve ser escolhida: o sábado mais próximo do dia 14 de setembro. É nesta altura que um dos pregos que serviu para crucificar Jesus Cristo desce ao solo para ser admirado pelos fiéis. Durante o resto do ano permanece guardado no topo da abóbada que está situada atrás do altar.

Como já vimos foram precisos praticamente cinco séculos para fazer este verdadeiro tesouro da arquitetura barroca. A primeira pedra foi lançada em 1386, depois de um incêndio ter destruído a Basílica de Santo Ambrósio e a de Santa Tecla, dois templos que estavam fixados neste lugar e que já eram muito importantes para a cidade.

Para além de dar uma nova vida a um espaço que era já muito ligado à religião, o duque de Milão Gian Galeazzo Visconti quis construir uma catedral monumental para celebrar a política de expansão territorial dos Visconti, mais um sinal de que a adoração a Deus nunca é mais importante do que os próprios egos.

A obra era de tal forma importante, grandiosa e invulgar para a época que foi necessário criar uma Fábrica que lhe desse apoio logístico. A Veneranda Fábrica do Duomo ainda hoje existe e é a responsável por todas as obras de manutenção que vão sendo necessárias para manter o edifício em condições de ser visitado por centenas de pessoas todos os dias.

Através de um canal que passava junto à Catedral chegavam os mármores branco-rosa do Lago Maggiore de Candoglia que passavam pela fábrica para serem dimensionados aos espaços que os iam acolher e eram aplicado por centenas de trabalhadores. No exterior estes mármores têm hoje um aspeto mais claro porque houve obras de restauro recentemente, mas no interior está praticamente intactos, apenas com o escurecimento que o passar do tempo lhes foi dando.

São difíceis de contar, mas uma visita ao Duomo de Milão conta com uma passagem do olhar por mais de três mil estátuas de santos, animais e monstros e ainda 135 torres que apontam diretamente ao céu. A partir do interior os vitrais coloridos prendem a nossa atenção, mais ainda depois de sabermos que conseguiram resistir aos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. Na altura foram retirados e substituídos por placas de madeira.

Duomo de Milão
Milão, Itália (Piazza del Duomo)
 adultos: €15 | crianças: €7
todos os dias: 9h às 19h

As linhas 1 e 3 do metro de Milão têm paragens no Duomo de Milão.

Guarde pelo menos duas horas para ver a Catedral, o Museu, subir ao terraço e passar pela zona arqueológica que fica no subsolo.
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