Monsanto. A aldeia de que todos gostam desde que nasceu

Bem cedo recebeu a classificação de mais portuguesa de Portugal. Hoje Monsanto é escolhida por agentes estrangeiros e grandes produtoras

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Vai ser preciso calçar sapatilhas, vestir um equipamento de caminhada, trazer água e vir bem alimentado. Ou talvez não. Mas à partida para o topo do castelo da aldeia de Monsanto é melhor preparar-se para o pior porque depois vai ser mais fácil chegar lá a cima. E é esse o nosso principal objetivo: chegar lá a cima e conseguir ter uma das vistas mais deslumbrantes de toda esta região.

São 750 metros de altitude bem visíveis quer venhamos do alto da Serra da Gardunha ou do vale do rio Ponsul. As ruínas não mostram a história toda que por aqui passou, mas a localização não deixa dúvidas quanto à existência de uma fortaleza. Quando nos aproximamos, conseguimos ver o que ainda sobra de uma muralha, de um castelo e de uma torre de menagem, elementos fundamentais aos Templários.

Esta ordem chegou aqui pela mão do primeiro rei de Portugal. D. Afonso Henriques conquista Monsanto aos mouros em 1165 e oferece-a à Ordem dos Templários que mandou erguer as estruturas do topo que hoje visitamos.

Os pedregulhos da encosta que ladeiam o caminho até ao topo são a marca desta região acidentada, mas cuja dureza foi domada pelas gentes valentes que a povoaram ao longo dos séculos. Muitas escolheram as próprias pedras para fazerem as casas onde moram e ainda hoje é possível ver habitações feitas com recurso à delapidação das rochas. Por aqui chamam-lhes casas de uma só telha.

Mas a valentia e resiliência do povo de Monsanto vai mais além do domínio das pedras. Aos dias de hoje chegou uma celebração que mostra isso mesmo. Ano após ano, a 3 de maio, celebra-se uma festa que assinala a resistência da população a mais de sete anos de cerco imposto pelos romanos no séc. II a.C. É a Festa das Cruzes onde se pode ver um arremesso de cântaros com flores a partir das muralhas do castelo.

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A presença humana existe por aqui pelo menos desde o tempo dos visigodos, mas também há nomes que nos soam mais ao ouvido a escolherem Monsanto para passar uns dias. José Afonso teve aqui casa e vinha cá com frequência não só para relaxar como também para ganhar inspiração para o seu trabalho artístico. Fernando Namora também terá escrito aqui algumas páginas dos livros que publicou. Mas chegou mesmo a ser médico neste município na década de 1940.

Monsanto é conhecida com a aldeia mais portuguesa de Portugal e capta atenções quase desde que nasceu. Este título foi dado pela autenticidade da sua cultura em 1938 e é bem visível pelo galo de prata que encima a Torre de Lucano, o troféu atribuído na altura.

Mais recentemente quem aqui vive e quem visita este local foi surpreendido por uma azáfama que não é habitual. Houve ruas cortadas e grandes camiões a fazer o transporte de equipamento cinematográfico porque a plataforma de streaming HBO escolheu estas paragens para gravar uma série de ficção que é uma prequela da Guerra dos Tronos. Chama-se “House of The Dragon” e se fôr vista por tanta gente como a obra que lhe deu origem é bem provável que os turistas em Monsanto tenham que fazer fila antes de entrarem na aldeia.

Mas nem só das grandes produções chegam os elogios, Monsanto também foi incluída na lista das mais bonitas aldeias da Europa por uma associação de agências de viagens do Japão. É a única portuguesa nesta lista e para conseguir esta distinção teve de convencer mais de 200 elementos de um júri que esteve de visita a Portugal. Conseguiu e hoje é uma estrela no oriente.

Monsanto
Portugal
Português
829 hab.
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112
O clima de Monsanto no verão é caracterizado por temperaturas altas e tempo seco. No inverno os termómetros descem abaixo dos zero graus com frequência.
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