Palácio de Peterof, o exuberante russo afrancesado

Se estiver em São Petersburgo, o Palácio Peterof justifica o desvio, justifica o cansaço, justifica o preço e justifica o tempo gasto.

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A magnitude verdadeiramente excêntrica de São Petersburgo é uma espécie de aperitivo ao lado do que se encontra quando se faz uma viagem de cerca de 30 km em direção ao Golfo da Finlândia. Nenhum dos monumentos exuberantes da antiga capital russa pode ser subestimado, mas perceber que ali ao lado o criador da cidade criou um verdadeiro império murado é uma verdadeira surpresa.

Falamos do Peterof, um complexo composto por vários palácios e jardins que ajudam a perceber a dimensão do império que estamos a visitar. O Czar Pedro, o Grande, desenhou com as suas próprias mãos aquele que viria a ser o palácio de inverno da corte russa. Era uma casa para os tempos livres muito pouco humilde e sem olhar a custos com o objetivo de evidenciar a grandeza de um território que tinha conseguido levar outro de vencido.

Os perdedores da batalha foram os suecos, perderam o domínio da baía do Báltico e os russos quiseram comemorar com toda pompa e circunstância. Daí nasceu esta verdadeira maravilha da arquitetura que está ligada ao mar através de um canal que servia para que os convidados da corte pudessem aqui chegar de barco, sem terem que se cansar com a longa caminhada até à porta pelos gigantescos jardins.

O ar afrancesado do Peterof é o resultado de uma paixão assolapada de Pedro, o Grande: o Palácio de Versalhes. Foi na obra prima francesa que se inspirou para cada detalhe que o adorna e para cada uma das 150 fontes que libertam água sem recurso a qualquer sistema mecânico. Vinda de uma zona superior, a água percorre os canais em queda livre, com a ajuda da gravidade que a faz chegar ao destino com a força suficiente para seguir em direção ao céu.

Parte do espetáculo é dado pelas fontes que o frio do inverno rigoroso faz congelar, é por isso muito importante equacionar uma visita ao Peterof nos meses mais frios. Não deixa de valer a pena, mas há uma parte muito relevante que se perde.

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Um dia inteiro tem que se dispensado para se conseguirem apreciar muitos dos detalhes que o compõem, incluindo os mais de 50 quartos do grande palácio, as mais de 150 fontes, os canais e os jardins de perder de vista. Mas também há pequenos detalhes no meio da exuberância que valem a pena.

Junto ao mar, o Palácio de Marley parece uma pequena e frágil jóia protegida pela água. Inspirado pela francesa Château de Marly, em Marly-le-Roi, está rodeado por água e para lhe chegar é preciso passar uma ponte. Neste edifício de dois andares não há ostentação, antes um espaço de refúgio mas que se enquadra perfeitamente no ambiente geral.

O Peterof é hoje Património Mundial da Humanidade, mas até chegar aos dias de hoje teve que passar por várias provações. No final da Segunda Guerra Mundial ficou completamente destruído e foi sendo reerguido uns anos mais tarde, quando a Rússia se tentava recompor de anos devastadores. Hoje implica um desvio da cidade grande e várias horas para ser visitado, mas vale bem a pena.

Palácio Peterof
Razvodnaya Ulitsa, 2
900rub.
segunda a domingo: 9h às 19h

A forma mais fácil de chegar ao Peterof é recorrer aos autocarros que partem da estação de metro Avtovo.

Reserve pelo menos um dia para visitar os palácio e os jardins de Peterof.
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