ViagensLugaresVaticano. Para lá dos muros, a história impressionante da Igreja
Esculturas na Praça de São Pedro Roma Itália

Vaticano. Para lá dos muros, a história impressionante da Igreja

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Quem está a conhecer Roma e opta por visitar o Vaticano a seguir ao Castelo de Sant’Angelo é muito provável que chegue à Praça de São Pedro através da Via della Conciliazione, uma avenida ampla e que mostra como este local está aberto, sem impedimentos. Não há guichés nem autoridades a perguntar de onde vimos nem para onde vamos, nem sequer precisamos de mostrar o cartão de cidadão ou passaporte. Por tudo isto talvez seja difícil de acreditar, mas acabámos de atravessar uma fronteira e já estamos num estado diferente.

Roma e Itália ficam lá atrás e passamos a estar debaixo de uma nova jurisdição. É certo que pouco muda, mas o Vaticano é independente e tem serviços próprios de um autêntico país. O líder é o Papa e é a partir dele que se desenvolvem todos os poderes legislativo, executivo e judicial. Os habitantes são pouco mais de mil, mas tem ao seu serviço bancos e serviços próprios. As suas atividades são, muito naturalmente, em torno da atividade da Igreja Católica que tem aqui a sua sede.

Os muros do Vaticano delimitam de forma clara a sua dimensão. Para sermos precisos, estamos a falar de 0,44 quilómetros quadrados que foram reconhecidos como independentes em 1929 pelo ditador Benito Mussolini, o ditador italiano que pôs fim a um conflito entre os dois estados em troca de um reconhecimento do reino Italiano pela própria Igreja Católica. Desde então os dois estados vivem de forma umbilical, mas apesar de Roma garantir a segurança efetiva deste território, são bem visíveis os homens que garantem a segurança do líder espiritual dos católicos.

Ver os elementos da Guarda Suíça do Vaticano é provavelmente um dos pontos altos de uma visita. Com um uniforme de cores garridas, estes homens são, efetivamente, suíços e os primeiros chegaram aqui em 1506 pela mão do Papa Júlio II. Os primeiros eram mercenários e estavam prontos para um conflito de grandes proporções numa altura em que o líder da Igreja Católica via o seu poder ameaçado. Com o passar dos anos a vertente mais bélica foi-se acalmando, mas os todos os papas mantiveram estes homens na alçada da sua confiança e ainda hoje são responsáveis por manter a segurança deste pequeno estado.

Praça de São Pedro

O epicentro do Vaticano é a Praça de São Pedro, importantíssima na vida da Igreja Católica uma vez que é o local onde se assiste à comunicação do nome de todos os novos papas. Os números oficiais dizem que tem capacidade para cerca de 300 mil pessoas e um número muito aproximado reúne-se aquando das mais importantes celebrações para os católicos. É para aqui que está virada a janela onde o Papa surge sempre que se dirige aos fiéis.

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A encomenda desta praça foi feita pelo Papa Alexandre VI a Lorenzo Bernini e tinha como objetivo acolher os milhares de peregrinos que se aproximavam do Palácio do Vaticano para obterem uma benção do Papa. No caderno de encargos também se pedia uma forte componente monumental que fosse capaz de enquadrar a Basílica de São Pedro. Com os objetivos bem definidos, o escultor optou por uma forma oval com um obelisco egípcio no centro e uma fonte de cada lado. Em toda a volta a monumentalidade consegue-se com recurso a 284 colunas, 88 pilares e 140 estátuas de santos feitas em 1670 pelos discípulos de Bernini.

Todo este projeto é capaz de mostrar a capacidade do artista em perceber as necessidades envolventes, bem como a capacidade de criar um novo e imponente elemento perfeitamente envolvido com a malha urbano de uma cidade em crescimento. Também importa dizer que a grande avenida que liga o Castelo de Sant’Angelo à praça foi manda construir pelo poder fascista que dominava Itália por via da demolição de um bairro que ali existia.

Basílica de São Pedro

A Praça de São Pedro mais não é do que o hall da Basílica com o mesmo nome. Nome do primeiro Papa, São Pedro, que está sepultado no seu interior. Estamos no mais importante edifício religioso que é usado pelo líder espiritual dos católicos para as celebrações mais importantes e abrigo da Santa Sede.

1506 é o ano que marca o arranque deste templo que acabaria por ficar construído apenas mais de 120 anos depois, em 1626. A lista dos arquitetos que ajudaram a pensá-la engloba nomes como Bramante, Michelangelo ou Carlo Maderno (este último também autor de uma das fontes que ladeia o obelisco egípcio da Praça de São Pedro).

No seu interior, o primeiro ponto de destaque é a escultura de Pietá, a única assinada por Michelangelo e uma das obras de arte mais relevantes da história ocidental. Esculpida em mármore em 1499 com enorme detalhe e atenção aos pormenores, representa um episódio bíblico em que a Virgem Maria surge de luto após a morte do seu filho Jesus. Em 1972, um geólogo com graves problemas mentais decidiu atacar a escultura alegando que ele era Jesus Cristo. A violência do ataque destruiu-lhe o nariz, as pálpebras, o cotovelo e um braço. Depois do restauro, foi devolvida à basílica e atualmente está protegida com vidro à prova de bala.

Também das mãos do génio Michelangelo nasceu o elemento mais impressionante da Basílica: a sua cúpula com 190 metros de comprimento e uma nave central de 46. Lá no topo consegue alcançar uma altura de 136 metros, tudo isto sem qualquer suporte de pilares. A influência que exerceu no mundo é percetível quando sabemos que foi a inspiração de outros lugares monumentais como a St. Paul’s Cathedral de Londres ou o Capitólio de Washington.

Museus do Vaticano

Os Museus do Vaticano são a casa de uma impressionante coleção de mais de 70 mil obras de arte, entre esculturas, tapeçarias e pinturas. O grande destaque vai para o período do renascimento, bem representado por artistas como Rafael, Caravaggio, Michelangelo, Bernini e Leonardo da Vinci. O nome “museus” – no plural – refere-se aos vários espaços que, embora acedidos de forma quase sem se dar por isso, têm curadorias diferentes e representam períodos diferentes. Um desses espaços bem destacados é a seção de arte religiosa moderna que alberga nomes como Carlo Carrá, Vincent van Gogh, Giorgio de Chirico, Paul Gauguin, Salvador Dalí ou Pablo Picasso.

A capacidade de domínio da cultura da Igreja Católica fica bem patente nesta visita, destacando-se, por exemplo, a sala dos mapas, onde ao longo de mais de 100 metros de comprimento é possível ver várias cartas de Itália, pintadas pelo frade e geógrafo Ignazio Danti. O trabalho deste religioso é de tal forma relevante que esta é considerado o segundo maior estudo geográfico do mundo, com 40 painéis.

Em 1970 foram inaugurados a Pinacoteca Vaticana, o Museu Missionário e Etnológico mas também o Lapidário Hebreu. Vieram a ser transferidos do Palácio de S. João de Latrão, em Roma, para o Vaticano. Em constante ampliação, abriram-se novos núcleos com objectos palacianos em desuso e a colecção de carruagens e de automóveis.

Capela Sistina

É no caminho interminável pela coleção dos Museus do Vaticano que vai surgir uma das jóias da coroa deste espaço. Encomendada por Júlio II a Michelangelo, a imensa e inigualável Capela Sistina acabou por resultar na reafirmação da cristandade, não só no domínio da crença, mas na reanimação de uma nova mensagem ditada por uma estética religada às origens e, consequentemente, com créditos de maior pureza, exaltação e autenticidade.

O olhar dos visitantes vai estar colado ao teto, onde fica a obra-prima de Michelangelo, os frescos que representam histórias ligadas à igreja: a criação e a queda de Adão e Eva, três histórias de Noé, os antepassados de Jesus, os doze Profetas e as Sibilas.

O Juízo Final é outro dos grandes destaques. A obra cobre toda a parede que está atrás do altar da capela e representa Jesus ao centro e rodeado de santos, profetas e pessoas comuns.

Vaticano
Vaticano, Cidade do Vaticano

Museus do Vaticano
Viale Vaticano
€15
todos os dias: 9h às 16h

Praça de São Pedro
Piazza San Pietro
grátis

Basílica de São Pedro
Piazza San Pietro
grátis (subida à cúpula: €8)
todos os dias: 7h às 18h30

Os autocarros 23, 64, 590 ou 982 para juntam à entrada principal do Vaticano.

Passe um dia inteiro no Vaticano para poder visitar com calma todos os museus, a Basílica e a Praça de São Pedro e a Capela Sistina.
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Mestre em Ciência da Informação, estudei em Coimbra e Madrid. Trabalho atualmente em Lisboa. Tenho o pequeno sonho de conhecer o mundo e contar ao mundo as maravilhas que tem. claudiapaiva@w360.pt