ViagensPraiasPraia do Barril de Tavira. O atum foi embora, mas os sinais ficaram (e são muitos)
Cemitério de Âncoras na Praia do Barril de Tavira

Praia do Barril de Tavira. O atum foi embora, mas os sinais ficaram (e são muitos)

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A pesca do atum já foi a alma da praia do Barril. Há uns 60 anos que os pescadores foram embora porque o atum deixou de ser visto por aqui, mas os sinais ficaram. O mais evidente são as dezenas de âncoras perfeitamente alinhadas junto às dunas. O Cemitério de Âncoras é uma espécie de marca da rendição.

Estas estruturas de ferro eram transportadas em barcos para o alto mar, sendo que o peso obrigava a que algumas tivessem que ser carregadas por mais de 20 homens. Serviam uma técnica hábil que consistia na sua distribuição pelo fundo do mar, com as redes de pesca entrelaçadas e que ajudavam a enganar os atuns que acabavam presos sem alternativa de fuga.

Portugal tem destas coisas, o atum até parece ter voltado à nossa costa, mas esta atividade de grande rendimento parece ser apenas aproveitada por empresas espanholas e japonesas que estão a absorver quase toda a quota de pesca que Portugal tem à sua disposição no âmbito das regras da União Europeia. Os japoneses exportam quase tudo o que pescam e fazem bom dinheiro porque os atuns são muito valorizados por terras nipónicas.

A incapacidade de aproveitar este tesouro do mar deixou mais sinais. Hoje a Praia do Barril está repleta de restaurantes e esplanadas ideais para reforçar energias depois de várias horas ao sol. São um bom aproveitamento das estruturas que na década de 60 eram abrigo para mais de 80 famílias. Era uma espécie de aldeia com mais habitantes do que algumas vilas de tamanho médio.

Hoje as comodidades são mais que muitas, mas naquele tempo as casas não tinham luz elétrica. Apesar de trabalharem num setor exigente, estes profissionais não tinham grandes rendimentos, e muito menos grandes condições de vida. Passavam aqui os meses fortes da pesca do Atum, de abril a setembro, altura em que o peixe fazia o caminho em direção ao norte onde ia desovar.

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Estamos numa ilha, separada do continente pela Ria Formosa. Para cá se chegar é possível fazer um caminho pedonal de cerca de um quilómetro, depois de se atravessar uma pequena ponte. Mas a forma mais divertida é usar o Comboio da Praia do Barril, mais um sinal que sobraram dos tempos da pesca do atum.

Esta pequena composição pitoresca tem duas carruagens abertas que permitem transportar algumas dezenas de pessoas. São dois comboios que se cruzam num entroncamento e que ora seguem com a locomotiva a puxar, ora a empurrar. O comboio e a linha férrea que hoje servem os banhistas em tempos serviu para fazer chegar a terra firme o atum pescado nas imediações do Barril.

O areal da Praia do Barril é um dos mais aconselhados na zona de Tavira. A sua localização relativamente isolada permite que se encontre em plena zona algarvia uma espécie de oásis por descobrir e com muito espaço para estender a toalha. Há vários serviços que permitem passar o dia por aqui sem grandes preocupações. Os restaurantes têm várias opções para as refeições, desde pratos mais leves até opções mais compostas.

O Museu do Atum é um dos pontos chave desta praia. Na verdade trata-se de um restaurante com várias opções de peixe e que de mostra museológica tem apenas uma série de fotografias da época em que os pescadores dominavam este espaço e um vídeo. Não é perfeito, mas ajuda a perceber melhor o que foi este lugar.

Praia do Barril
 Santa Luzia, Tavira
Oceano Atlântico
praia vigiada
casas de banho públicas    duche    cafés e restaurantes    estacionamento 
a temperatura da água na Praia do Barril é fria, podendo variar entre os 15ºC e os 24ºC nos meses de verão. A temperatura exterior nesta altura do ano é elevada, com os termómetros a poderem ultrapassar os 30ºC com frequência

A forma mais fácil de chegar à Praia do Barril é a partir do aldeamento turístico Pedras d’El Rei onde deve chegar de carro. A partir daqui há duas opções: a pé (cerca de 15 minutos) ou usando o comboio turístico (cerca de cinco minutos) que tem o preço de €3 para viagens de ida e volta.
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Mestre em Ciência da Informação, estudei em Coimbra e Madrid. Trabalho atualmente em Lisboa. Tenho o pequeno sonho de conhecer o mundo e contar ao mundo as maravilhas que tem. claudiapaiva@w360.pt