Le Claim – Um brinde à Vida

O Afonso Borga conheceu Tel Aviv e surpreendeu-se, mesmo tendo lá chegado com as expetativas bem altas.

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Como tinha deixado antever na última crónica, Tel Aviv foi uma surpresa boa.

A cidade onde abundam lojas e restaurantes vegetarianos e vegans, onde gatos meigos e asseados passeiam a cada esquina e o calçadão junto à praia nos faz lembrar, por breves momentos, que estamos do outro lado do Mundo, em pleno Rio de Janeiro, deixou-me rendido.

Também me apercebi, e essa era outra das curiosidades que tinha, que há uma forte cultura empreendedora na cidade, centro tecnológico do país, patente através dos inúmeros encontros (ou meetups), que juntam empreendedores, startups e investidores e promovem trocas e partilhas geradoras de novos negócios.

Outras das questões que, segundo o que vi e li, e que pode estar ligada a este destaque na área do empreendedorismo prende-se com o facto de em Israel o serviço militar, que é obrigatório, estar fortemente baseado na inovação e na tecnologia, servindo como alavanca para o despertar de novas experiências e ideias.

Paralelamente a todo este fervilhar de energia e inovação, a verdadeira “pérola” de Tel Aviv é Jaffa, uma antiga cidade portuária de Israel cujo o porto é um dos mais antigos do Mundo, e que, dado o crescimento da cidade se encontra, atualmente incorporada em Tel Aviv.

Jaffa é hoje uma “pequena cidade dentro da cidade”. Bem conservada, com muitos pescadores e que, entre becos e vielas, preserva a sua atmosfera antiga.

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Dado o aspecto pitoresco do local, muitos artistas encontraram lá o lugar ideal para se  estabelecerem, trazendo um ar ainda mais mágico àquele lugar.

Em Jaffa comi o típico hummus, o melhor que alguma vez provei, com um pão cozido em forno a lenha.
Já no final do almoço conheci o Ahmit (espero não me estar a enganar a escrever o nome), que trabalhava no restaurante local e que, após me ver atrapalhado com o mapa me perguntou se precisava de ajuda. Acabámos por ficar à conversa. O rapaz da terra do Ronaldo que um dia quer fazer uma viagem num cargueiro e o rapaz que não gosta de falafel e quer viajar de bicicleta.

No final, perguntou-me se aceitava uma bebida típica de Israel mas que, deixava o aviso, era forte.
Confesso que inicialmente hesitei (acho que muitas vezes pensamos demasiado nas coisas e acabamos por não desfrutar de tudo o que uma viagem nos pode dar) mas aceitei e acabámos a brindar os dois um pequeno copo de licor de anis, com um sonoro “Le Claim”, que significa, um brinde à Vida!

Viajarmos traduz-se também nesta valiosa oportunidade de irmos ao encontro do outro. De nos conhecermos a nós próprios mas também de nos deixarmos conhecer. De, nos mais inusitados momentos sermos surpreendidos por um “Precisas de ajuda?”, e deixarmos que essa ajuda se traduza numa conversa animada, e que essa conversa termine com um “brinde à vida”.

Deixei Israel ao fim de quatro intensos dias. Dias de reflexão e conhecimento.

Deixei Israel antes de se iniciar o Shabat, o dia guardado aos Judeus  para o descanso e que é, também ele, dedicado à reflexão.

Deixei Israel com um brinde. Um brinde à vida.

“Le Claim!”