Roteiro Tavira. Três dias pela história, as praias e a gastronomia

Tavira tem das melhores praias do país, restaurantes de excelência e história para os tempos livres. Descubra onde ficam neste roteiro

Coreto no Jardim do Coreto de Tavira
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O Algarve é muito desejado pelas praias de areia branca, a luz do seu sol sempre presente e as boas temperaturas constantes. O som característico das gaivotas a sobrevoar as rochas é um sinal de que estamos perto do mar, uma das maiores riquezas de Tavira, mas a cidade tem muito mais para oferecer do que apenas o oceano e os areais infinitos.

Este é um roteiro pensado para os meses de verão, mas o património que Tavira tem para mostrar fazem dela verdadeiramente imperdível em qualquer altura do ano. A Ponte Romana e o Castelo são os exemplos acabados de como Portugal nem sempre foi o que é, mas também nos devem deixar orgulhosos do trabalho de preservação que foi feito por várias gerações.

Falar de Portugal e de comida já é quase um lugar comum, mas Tavira é a nossa representante na lista que classifica a Dieta Mediterrânica como Património Imaterial da Humanidade. O pão, o vinho, o peixe, e a carne são só alguns dos ingredientes que têm mesmo que vir para a mesa no restaurante A Ver Tavira, idealizado pelo chef Luís Brito.

Parta à descoberta de Tavira de sapatilhas nos pés e uma mochila. Lá dentro não pode mesmo faltar uma toalha, uns chinelos, o protetor solar e um lanche. Nunca se sabe quando o roteiro do W360.PT o vai fazer entrar num barco para descobrir uma praia deserta.

Tavira
Portugal
português
26 167 hab.
Euro (EUR)
GMT0
Europeias, 2 pinos
+351
112
A vila algarvia de Tavira tem bom tempo durante a maioria dos dias do ano, mas é entre maio e outubro que atinge o seu auge, sendo os meses do verão e primavera os melhores para visitar as suas praias.

Dia 1

Centro Histórico
10:00 – 11:
00

Centro Histórico

A cidade pacata que se prepara para começar a conhecer teve, na época quinhentista, uma importância muito elevada devido a um porto estrategicamente bem localizado e que permitia fazer chegar mercadorias de alguns dos pontos mais distantes do globo. Era, nessa época, a cidade mais populosa de todo o Algarve.

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As caminhadas vão ser muito importes na descoberta de Tavira e se estivermos a falar do centro histórico, então aí não há mesmo outra opção. A caminhar pelas ruas consegue surpreender-se pela simplicidade bela das casas, nomeadamente das casas do século XVI, localizadas junto ao rio Gilão. Na Rua da Liberdade, está o prédio do gaveto que exibe uma belíssima janela renascentista.

Mas não se perca pela beleza das casas brancas e olhe para os telhados. Vai perceber que têm uma forma fora do vulgar, sendo por aqui conhecidos como “telhados de tesoura”. No topo, as chaminés rendilhadas não deixam que ninguém se esqueça que está no Algarve.

Praça da Républica
11:00 – 11:
30

Praça da Républica

No fim da caminhada pelo centro histórico de Tavira é muito provável que venha a desembocar na Praça da República, uma espécie de centro nevrálgico da cidade e que é uma espécie de metáfora do descanso e da descontração que se pedem numas férias de verão, ora vejam se não concordam.

Numa meia lua, este espaço convida os visitantes a sentarem-se numa plateia voltada de costas para a Ponte Romana. À frente está o Jardim do Coreto, a Câmara Municipal e até uma fonte nova que define um caminho literal para refrescar dias mais quentes. É tempo de parar e observar, dois verbos que nunca devem deixar de ser conjugados numa viagem.

Antes de partir para o próximo ponto, espreite o Obelisco em homenagem aos combatentes da Primeira Guerra Mundial. Trata-se de um monumento mandado erguer pelo regime fascista que lembra os 51 mortos na Flandres que haviam sido recrutados no Algarve e treinados em Tavira.

Jardim do Coreto
11:30 – 1
2:00

Jardim Público de Tavira

Já teve tempo de o contemplar a partir do anfiteatro da Praça da República, mas agora está na hora de conhecer de perto o jardim público mais antigo da cidade, nascido em 1890 pela mão de Estevão Afonso, um médico benemérito da cidade que dava aos pobres a própria roupa que trazia no corpo e que teve um papel muito importante na luta contra a cólera na região.

O nome não engana e o coreto é a peça central deste jardim, um exemplar da arquitectura de ferro oitocentista, construído na firma Fundição do Ouro do Porto. O caminho entre a invicta e o sul do país até pode ser fácil nos tempos que correm, mas há mais de 100 anos as estradas não eram o que são hoje e o caminho mais direto era mesmo o mar. O coreto chegou aqui porque via marítima, tendo sido descarregado às margens do rio Gilão. A característica mais singular deste espaço é o pequeno lago criado à sua volta com plantas, peixes e tartarugas.

Mercado da Ribeira
12:00 – 13:
00

Rua Doutor José Pires Padinha

Seguimos a caminhar orientados pelo rio e em direção ao Mercado de Tavira, que veio substituir o Mercado da Ribeira e trouxe funções diferentes das que tinha no século XIX.

O peixe, a carne, as frutas e os legumes vieram dar lugar aos cafés, restaurantes e lojas de artesanato. O interior ficou amplo o suficiente para receber esplanadas ideais para começar ou terminar um dia de praia. Por aqui também é muito frequente encontrar eventos culturais como exposições ou até mesmo espetáculos de música ao vivo. As lojas são perfeitas para encontrar uma recordação desta viagem.

DinoSelf
13:00 – 14:
00

Praia da Ilha de Tavira
934 558 002
a partir de €20 por pessoa
todos os dias: 12h às 17h

Não se apresse no Mercado Municipal, mas espreite os horários dos barcos que mesmo ali ao lado partem com destino à Ilha de Tavira, é esse o nosso próximo destino. Na época alta este serviço funciona com uma regularidade de pelo menos meia hora entre viagens, mas o melhor é sempre estar atento aos placards informativos. Depois de embarcar, a viagem dura cerca de 20 minutos.

Como estamos perto da hora de almoço, o melhor é pedir uma mesa com vista para o mar no DinoSelf. Este restaurante tem um nome a piscar o olho aos estrangeiros, mas não há dúvidas de que aqui vamos encontrar o melhor que Portugal tem para oferecer. Isso vê-se logo na forma de apresentar as mesas com as típicas toalhas de pano de xadrez em tons de azul, com uma toalhinha de papel por cima. São mesmo essas toalhas de papel que servem para escrever a ementa do dia que é colocada na entrada. Ainda há dúvidas de que estamos num bom restaurante?

Para a mesa deve vir uma Mista de Peixe que trás carapau, sardinha, dourada e três camarões, o suficiente para duas pessoas ficarem satisfeitas e de barriga cheia para enfrentarem uma tarde de praia. Se ainda tiver capacidade, no final prove o gelado com banana frita.

Praia da Ilha de Tavira
14:00 – 19:
30

Ilha de Tavira

Está na hora de começar a trabalhar para o bronze. A Praia da Ilha de Tavira é uma das mais populares da região, mas como o acesso é feito por barco, isso é suficiente para que nunca esteja a abarrotar. O extenso areal também facilita o processo de encontrar um lugar perfeito para estender a toalha.

No rol de vantagens que o Algarve dá a quem visita a região ainda não juntámos a beleza das paisagens, ora com falésias de respeito, ora com vistas desafogadas para o horizonte. A Ria Formosa é uma das peças deste puzzle que nos deixa boquiabertos, mas que também obriga a que a arte se tenha juntado ao engenho para se permitir que os banhistas cheguem à água.

Ao longo do dia vai ser preciso ir estando atento ao passar das horas. Os barcos têm um horário limite para circular (perto das oito da noite) e a partir daí pode ser mais difícil sair da Ilha de Tavira. Dormir por cá não está fora de questão, uma vez que há um parque de campismo com possibilidade de alugar tendas.

Ponte Romana
19:30 – 20:
00

Ponte Romana

No regresso da ilha, está na hora de provar uma das melhores iguarias da região, mas para lá chegar precisa de passar por um dos monumentos que é o símbolo maior de Tavira.

A Ponte Romana liga as duas margens do rio Gilão. Foi no século XVII, que adquiriu o aspecto que tem atualmente, uma vez que foi sofrendo várias alterações ao longo do tempo. Não e fácil conhecermos ao detalhe a história de um bem tão antigo, mas a teoria mais forte aponta para a existência de uma ponte romana construída no século III no local onde está a que hoje conhecemos.

Desde 1989 que não passam veículos por aqui. A decisão de a tornar exclusiva para quem anda a pé ou de bicicleta foi tomada depois de umas cheias terem destruído um dos seus arcos. Nessa altura os danos deixaram o tabuleiro intransitável o que obrigou o exército a montar uma ponte metálica provisória a poucos metros.

Abstrato
20:00 – 22:
00

Rua António Cabreira, 34
937 037 712
a partir de €20 por pessoa
sexta a quarta: 12h às 15h e das 18h às 22h

Talvez a beleza da Ponte Romana já o tenha feito esquecer-se do motivo que o levou a atravessá-la, mas estamos a caminho de uma das iguarias mais conhecidas da região. A menos de dois minutos de distância, numa rua estreita, vai encontrar o Restaurante Abstrato.

A simpatia e ambiente quase familiar é o segundo ponto forte deste espaço de comida tradicional portuguesa porque o primeiro é, sem dúvida, o Arroz de Polvo, uma das especialidades da casa. O arroz bem cozinhado e solto é servido com um sabor muito intenso de coentros, tomate, cenoura e o polvo é muito fresco.

Dia 2

Praia do Barril
9:00 – 14:
00

Santa Luzia

O primeiro dia terminou na praia, por isso o segundo é lá que vai começar. Mas a latitude é diferente e temos duas opções para lá chegar: a pé ou de comboio. Na verdade temos que pegar no carro e seguir em direção ao aldeamento turístico Pedras d’El Rei. Estacione no parque e decida se quer caminhar durante cerca de 15 minutos ou apanhar o comboio turístico.

Chegado ao areal, visite o Cemitério de Âncoras antes de ir procurar um lugar para estender a toalha. Este é o sinal mais evidente do fim da pesca do atum que já foi a alma da praia do Barril. Há uns 60 anos que os pescadores foram embora porque o atum deixou de ser visto por aqui.

O areal da Praia do Barril é um dos mais aconselhados na zona de Tavira. A sua localização relativamente isolada permite que se encontre em plena zona algarvia uma espécie de oásis por descobrir e com muito espaço para estender a toalha. Há vários serviços que permitem passar o dia por aqui sem grandes preocupações. Os restaurantes têm várias opções para as refeições, desde pratos mais leves até opções mais compostas.

Cafetaria Barril
14:00 – 15:
30

Praia do Barril
a partir de €10 por pessoa
todos os dias: 9h às 18h

Quem é que falou em restaurantes? Está na hora de almoço e a sugestão para recuperar as calorias perdidas no trabalho de praia é a Cafetaria do Barril.

Este local é um dos muitos que deu uma vida nova às casas dos pescadores que desapareceram ao mesmo tempo que o atum. Eram mais de 80 famílias que vivam aqui até à década de 60, sem luz elétrica. Hoje as comodidades são mais que muitas, desde logo a esplanada montada debaixo de um alpendre de madeira que proporciona um bom momento de sombra nos dias quentes de verão. A Cafetaria do Barril tem uma carta extensa com refeições práticas e rápidas. As Bifanas acompanhadas por uma imperial são uma boa opção.

Igreja de Santa Maria do Castelo
15:30 – 17:
00

Calçada da Galeria

De regresso ao centro da cidade, vamos começar a subir. Não é uma subida muito íngreme, mas tem mesmo que ser feita porque é la no topo que estão três dos tesouros maiores desta cidade. São todos de épocas bem diferentes, dão todos indicações perfeitas para percebermos este território.

A Igreja de Santa Maria do Castelo é a primeira paragem. O relógio carismático é como um ponto cardeal que nos oriente. A altura a que está construído dá-nos a indicação espacial, as horas não nos deixam atrasar para o jantar.

Tavira é constituída por um dos conjuntos mais interessantes da arquitetura religiosa do Algarve e a importância desta cidade pode ser medida pelo número de igrejas. É certo que o número atual se fixa nas 21, mas Tavira já chegou a ter mais de 30. A Igreja de Santa Maria do Castelo é uma delas e está inserida num edifício de estilo renascentista do século XVI.

No interior destaca-se a decoração detalhada e as colunas que suportam as três naves de capitéis jónicos. A porta lateral manuelina do século XVI merece especial destaque, bem como a imagem da Nossa Senhora da Graça, do século XVI. O altar é inteiramente construído com mármores do Algarve de cores variadas e em estilo barroco.

Castelo de Tavira
17:00 – 19:
00

Calçada da Galeria, Largo Abu-Otmane
todos os dias: verão – 8h30 às 19h | inverno – 8h30 às 17h

Mesmo ao lado da Igreja de Santa Maria do Castelo está a entrada para o Castelo de Tavira. Estamos na presença de um daqueles monumentos que resistiu à passagem do tempo e é ideal para contar as várias vidas que esta cidade teve.

Construído originalmente durante a ocupação muçulmana neste território, as paredes que chegam aos nossos dias são responsabilidade do rei português D. Dinis que o mandou reconstruir com o objetivo de manter um sistema de segurança na localização privilegiada que Tavira oferece.

Dentro dos muros o ambiente bélico foi substituído por um agradável jardim com flores coloridas e bem tratadas. Enquanto aguarda pela hora que escolheu para jantar, não deixe de subir às muralhas através das escadas interiores. É do topo do Castelo que vai ter uma vista desafogada sobre o casario da cidade que se perde no horizonte com o mar.

A Ver Tavira
19:00 – 21:
00

Calçada da Galeria, Largo Abu-Otmane, 13
281 381 363
a partir de €50 por pessoa
terça a domingo: 12h às 15h30 e das 18h30 às 22h30

Está na hora de jantar e o restaurante A Ver Tavira é verdadeiramente obrigatório para quem quer ter uma experiência gastronómica destas terras algarvias. Convém reservar mesa (e com antecedência) porque este é um dos mais procurados da cidade.

A Dieta Mediterrânica está na lista de património protegido pela UNESCO e Tavira é a representante de Portugal nesta lista. No A Ver Tavira é com base nesta forma muito nossa de preparar as refeições, muito saudável, que todos os pratos são confecionados. O azeite, o pão, o vinho, o peixe e a carne frescos são os grandes protagonistas.

O responsável é o chef Luís Brito e conta já com duas distinções nos guias Michelin de 2019 e 2020 e tem uma carta preparada que não deixa que fique sem provar os melhores pratos da região. A Cataplana e o Porco Preto são ideais para sentir todos os sabores.

Dia 3

Salinas
9:00 – 12:
30

Urbanização Quinta das Salinas

Estamos quase a despedir-nos de Tavira, mas ainda nos falta conhecer um dos ex-libris desta região: o sal. Não é possível sair daqui sem um saquinho deste condimento tão usado na cozinha dos portugueses e fundamental na Dieta Mediterrânica. Mas antes de partir para a compra, percorra as salinas. Pode fazê-lo de carro, mas há percursos devidamente assinalados que permitem fazer o percurso a pé ou de bicicleta.

O sal é um dos negócios mais importantes desta região, sendo que a maior parte do que se produz é exportado para vários cantos do mundo.

As Salinas dividem-se em três áreas: a de armazenagem; a da evaporação e concentração de salmoura; e por último a cristalização do sal. A flor de sal é a rainha, sendo recolhida com muito cuidado com o objetivo de não provocar ondulações. É o produto premium desta região.

Praia de Cacela Velha
12:30 – 19:
00

Cacela Velha

Se pegou no carro para visitar as Salinas, volte a entrar e despeça-se de Tavira porque o próximo destino fica a 10 quilómetros daqui.

A viagem vai valer a pena porque está prestes a chegar a uma das 15 melhores praias do mundo e uma das melhores da Europa para quem gosta de caminhar. Quem o diz são a edição espanhola da Condé Nast Traveller e o jornal britânico The Guardian. Estamos a falar da Praia de Cacela Velha.

Descendo a partir da aldeia de Cacela Velha, chegar à língua de areia separada pela água pode ser um grande desafio. O mar só está do lado de lá, mas antes precisamos de atravessar a Ria Formosa que nos vai deixando desconfortáveis. Enquanto a maré está baixa, é possível percorrê-la a pé com atenção aos bivalves e mariscos que vivem no fundo daquelas águas. Os bens pessoais têm que ir parar à cabeça como se fossemos autênticas lavadeiras e os pés têm que ir progredindo com cautela para evitar escorregar e deitar tudo a perder.

O desafio de quem parte à aventura pode ser menos radical, uma vez que há pescadores que transportam os banhistas nos seus barcos por apenas um euro por trajeto. É esta a opção escolhida para o regresso quando se percebe que a maré subiu de tal forma que não há altura que consiga assegurar que as toalhas não se molham no regresso ao carro.

Como viajar até Tavira?

CP, Comboios de Portugal
Reservar no Cp.pt

Tavira é servida pela linha ferroviária do Algarve, estando ligada à rede nacional a partir dos comboios rápidos (Alfa Pendular e Intercidades) que chegam a Faro. A estação de comboio fica a cerca de 800 metros do centro da cidade.

rede expressos logo

Rede Expressos
Reservar no rede-expressos.pt

Os autocarros da Rede Expressos ligam a cidade de Tavira a várias cidades do país. O terminal rodoviário fica no centro da cidade.

carro icon

Carro

Tavira está servida pela A22 (Via do Infante) que dá acesso à A2 que liga o Algarve ao centro e norte do país.

Onde dormir em Tavira?

Cama da suite pricnipal da Formosa Guest House em Tavira

Formosa Guest House
 Praça da República, 12
a partir de €30 por pessoa (noite)
9,1 (soberbo no Booking.com)
Reservar no Booking.com

Veja o artigo completo do W360.PT na Formosa Guest House

Ozadi Tavira Hotel
 Quinta das Oliveiras
a partir de €62 por pessoa (noite)
8,6 (Fabuloso no Booking.com)
Reservar no Booking.com

Pousada Convento de Tavira
Rua D. Paio Peres Correia
a partir de €123 por pessoa (noite)
8,8 (Fabuloso no Booking.com)
Reservar no Booking.com

Se viajar para Tavira durante três dias gasta cerca de €200 por pessoa

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