Museu dos Coches de Lisboa. A síntese da glória do Reino de Portugal

Está em Lisboa, no Museu dos Coches, a maior coleção de coches do mundo que ajuda a contar a história de um dos mais poderosos reinos do planeta.

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É uma espécie de jóia da coroa de um dos estados monárquicos mais relevantes do mundo. Cada um dos 78 coches expostos num novíssimo edifício, contemporâneo e inserido numa Lisboa que agora é de todos, ajuda a contar a história de Portugal. É o favorito dos turistas. Mais de 350 mil visitam-no a cada ano, fazendo dele o mais visitado do país.

O Museu dos Coches mudou de morada, mas os coches não tiveram que rodar muito para chegarem à nova casa. O primeiro a entrar foi aquele que provavelmente mais dirá a todos os portugueses, o do regicídio que vitimou o penúltimo rei português, D. Carlos, o filho herdeiro do trono, D. Luís Filipe e que deixou a monarquia portuguesa nos cuidados intensivos até sucumbir dois anos mais tarde.

Visitantes a observarem um dos coches expostos no Museu dos Coches de Belém, em Lisboa. Foto de Cláudia Paiva
O coche mais antigo do museu pertenceu ao Rei Filipe II
Dois visitantes a observarem a exposição permanente do Museu dos Coches de Belém, em Lisboa. Foto de Cláudia Paiva

Mas nem só dos dias tenebrosos vive este arejado museu, a maior coleção deste género em todo o mundo está, na verdade, recheada de histórias de poder, sucesso e prestígio.

Ao centro da nave principal do Museu Nacional dos Coches estão três exemplares absolutamente irrepetíveis que medem a grandiosidade do Reino de Portugal no século XVIII e as não menos conhecidas ideias megalómanas do mais ousado rei português, D. João V.

Carruagens aparatosas no Museu dos Coches de Belém, em Lisboa. Foto de Cláudia Paiva
O Coche dos Oceanos, o Coche da Coroação de Lisboa e o Coche do Embaixador são aqueles que mais vão atrair os olhares dos visitantes

Estes três carros carregados de significados e aprumados nos detalhes foram encomendados para desfilarem em Roma na embaixada do então monarca português ao Papa Clemente XI. O objetivo era conseguir para a igreja portuguesa diversas regalias e o cortejo que incluiu mais de 300 coches, entre os quais estas verdadeiras raridades conseguiu dar a Lisboa o estatuto de cidade patriarcal.

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O Coche dos Oceanos, o Coche da Coroação de Lisboa e o Coche do Embaixador despertaram grande interesse na capital italiana e foram capazes de sintetizar a glória de Portugal, um dos mais importantes impérios do mundo naquela época.

Carruagem de gala exposta no Museu dos Coches de Belém, em Lisboa. Foto de Cláudia Paiva
Carruagem exposta no Museu dos Coches de Belém em Lisboa. Foto de Cláudia Paiva

É verdade que o museu se mudou de armas e bagagens para um novíssimo edifício projetado pelo arquiteto brasileiro e vencedor do prémio Pritzker Paulo Mendes da Rocha em 2015, mas não foi aqui que tudo começou. Tudo começou ali ao lado, no Picadeiro Real, quando a rainha D. Amélia percebeu que em jeito de arrecadação estavam dezenas de relíquias a ganhar pó a perder o brilho.

Em maio de 1905, há 114 anos, foi inaugurado ali este que hoje é dos museus mais icónicos do país. E é ainda ali que se podem ver algumas das peças que não foram levadas para o edifício principal. E talvez muitos visitantes não saibam, mas o lugar original do Museu dos Coches Reais ainda é visitável.

Belém é uma das zonas de passeio e contacto com a história de Portugal mais visitada de Lisboa. Vale a pena porque tem monumentos impactantes, uma gastronomia de exceção, arte de hoje e de outros tempos, espetáculos e um museu absolutamente fascinante e incomparável com mais nenhum em todo o mundo, o Museu Nacional dos Coches.

Carruagens expostas no Museu dos Coches de Belém, em Lisboa. Foto de Cláudia Paiva
Museu Nacional dos Coches
Lisboa, Portugal (Belém)
crianças até 12 anos: grátis | estudantes e idosos: €5 | adultos: €10 | entrada gratuita para residentes em Portugal todos os domingos e feriados até às 14h
 terça a domingo: 10:00 às 18:00

Através da rede de autocarros (28, 714, 727, 729, 751) e elétricos (15) é muito fácil chegar ao Museu Nacional dos Coches (MNC), mas a forma mais rápida e cómoda é usando o comboio (linha de Cascais) que tem paragem mesmo ao lado do edifício (estação de Belém).

Para visitar o MNC e o Picadeiro Real guarde pelo menos duas horas e meia.