O Atomium de Bruxelas já não devia estar cá, mas está. E a culpa é toda dele

A vida do Atomium de Bruxelas é em tudo semelhante à da Torre Eiffel. Ambos foram construídos para exposições temporárias, mas o sucesso fê-los sobreviver.

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Vista do Atomium a Torre Eiffel, construída no Parque Mini Europa, parece um porta-chaves. Estamos a quase cem metros de altura, mas não podemos pôr os olhos no horizonte porque o dia fechado de Bruxelas não deixa ver mais do que as redondezas do gigante de ferro. Se tivesse sido construída à escala real, era preciso levantar a cabeça para conseguir ver-lhe o topo, mesmo a partir da esfera mais alta do Atomium.

É difícil pensar em Paris sem a Torre Eifel e por isso é que ela faz parte dos monumentos construídos no Mini Europa, um parque de diversões a pensar nos mais novos que nasceu nas barbas do Atomium. Mas a verdade é que Paris existiu sem a Torre Eiffel e se tudo tivesse corrido como planeado, teria continuado a existir sem ela depois da Exposição Universal de 1889. Continua lá porque o sucesso junto do público deixou claro que a cidade luz não voltaria a ser a mesma se a ideia de Gustav Eiffel fosse desfeita.

Aconteceu o mesmo com o Atomium que nasceu em Bruxelas para ser o pavilhão principal da Expo 58, uma montra construída pelo país para se mostrar ao mundo e para dizer quais eram as suas preocupações. O mundo que estava numa fase acelerada de mudança. As feridas da II Guerra Mundial estavam a sarar e a sociedade parecia estar a aprender com os erros ao dar passos largos no caminho do diálogo no seio da ONU, uma criança, ou da própria CEE que ainda não tinha largado as fraldas.

Atomium de Bruxelas fotografado a partir da estação de metro Heizel
A estação de metro de Heizel é a mais próxima do Atomium.
Esfera do Atomium de Bruxelas vista a partir do interior do monumento.
Se o tempo ajudar é possível ter uma vista panorâmica da cidade a partir das esferas mais altas.

Depois da guerra e da disputa de territórios era tempo de olhar para o futuro e a ciência ganhava palco. O Atomium surge nessa linha, ao ser uma representação algo estranha que fez com que os belgas e milhares de turistas que em 1958 visitaram a exposição franzissem as sobrancelhas e se pusessem a dar voltas à cabeça para perceber do que se tratam aquelas nove esferas, ligadas por 20 tubos e suportadas até mais de cem metros de altura por três pilares.

Exposições no interior do Atomium de Bruxelas
Há vários exposições permanentes e temporárias dentro do Atomium.
Exposição sobre Magritte no interior do Atomium em Bruxelas
Magritte é um dos ícones de Bruxelas.

A explicação pode ser ajudada pela pequenita Torre Eiffel que vemos no parque Mini Europa, mas em sentido inverso. Ali foi construída uma réplica mais pequena do que a original que pode ser visitada em Paris. Já o Atomium é uma ampliação 165 mil milhões de vezes maior do que um cristal de ferro, que no tamanho real só pode ser visto com a ajuda de um poderoso microscópio. As nove esferas são os nove átomos do cristal.

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A ideia foi do engenheiro belga André Waterkeyn, que quis alertar para a necessidade de se recorrer à energia atómica apenas para fins pacíficos, deixando o belicismo de lado. Embora a representação seja do ferro, a construção foi feita em alumínio, um material mais barato que se justificava pelo uso temporário do monumento que devia ser desmontado no fim da Expo 58.

Atomium
 Bruxelas, Bélgica
adultos: €15 |idosos: €13 |adolescentes: €8 | crianças e pessoas com mobilidade reduzida: gratuito | estudantes: 8€
todos os dias: 10:00 às 18:00 (bilheteira fecha às 17:30)

A estação de metro Heizel é a forma mais prática de chegar ao Atomium.

Guarde pelo menos uma hora e meia para visitar o Atomium.